A novela da Vale (VALE3): como fica o roteiro para os investidores após a disputa pelo conselho
BTG Pactual recomenda que os investidores separem o ruído dos fundamentos, e diz se é hora de comprar ou vender o papel

Nem toda novela termina em tragédia — algumas só parecem mais dramáticas do que realmente são. Foi assim que o BTG Pactual descreveu o imbróglio recente no conselho da Vale (VALE3): uma sucessão de capítulos tensos entre a presidência da mineradora e um dos principais acionistas, mas que, no fim, não deve mudar o enredo para quem investe na empresa.
Para entender como essa história começa, é preciso voltar ao primeiro capítulo. No início de junho, a Previ — fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil e um dos maiores acionistas da Vale — pediu formalmente a saída do presidente do conselho, Dan Stieler, e passou a apoiar Manuel Lino Silva de Sousa Oliveira, o “Ollie”, para o cargo.
Stieler não aceitou de primeira e no fim daquele mesmo mês, o conselho, em sua maioria, votou contra a proposta de removê-lo. Só que o desgaste continuou e, no início julho, ele acabou pedindo para sair por conta própria — o que tirou da pauta da assembleia de acionistas, marcada para o próximo dia 22, a votação sobre sua remoção.
O Seu Dinheiro contou essa história e você confere aqui todos os detalhes.
Mais Previ do que Vale
Essa confusão toda, segundo o BTG Pactual, tem menos a ver com a Vale e mais com uma disputa interna dentro da própria Previ — inclusive por causa de uma troca recente na liderança do fundo.
O banco lembra que a Previ, apesar de ser ligada ao Estado — por conta do vínculo com o Banco do Brasil —, tem uma influência limitada dentro do conselho: o fundo ocupa apenas 2 das 13 cadeiras.
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Por isso, os analistas dizem esperar que a assembleia de 22 de julho não mude o rumo estratégico de longo prazo da Vale.
Com a saída de Stieler já resolvida, a pauta da assembleia ficou mais enxuta. Os acionistas vão decidir dois pontos: O novo presidente do conselho, em uma disputa entre Ollie e Marcelo Gasparino, atual vice-presidente do conselho, e a nova cadeira no conselho.
Aqui se enfrentam José Maurício Coelho, indicado pela Previ — que já esteve no conselho da Vale entre 2019 e 2021, período turbulento pós-Brumadinho — e Ieda Gomes Yell, ex-executiva da BP com histórico em governança e no setor de energia.
E aqui vem o recado principal do BTG: nenhum dos quatro nomes representa uma ruptura.
Os analistas descrevem Ollie e Gasparino como membros respeitados do conselho, que apoiam a estratégia atual da empresa há anos — e resumem o cenário dizendo que os candidatos em disputa “sustentam continuidade, e não mudança”.
O que o investidor deve fazer com as ações da Vale
Apesar de toda a novela, o BTG reafirma a recomendação de compra para a Vale, com preço-alvo de US$ 18 por ADR — um potencial de valorização de 24,5% em relação à cotação atual de US$ 14,46, mais um dividend yield projetado de 5,8%, o que dá um retorno total esperado de 30,3%.
O BTG é direto ao dizer que o time de gestão da Vale deve continuar o mesmo, focado em excelência operacional, investimentos “de baixo risco” em cobre e devolução de caixa aos acionistas via dividendos.
E o banco também minimiza o risco de interferência do governo na mineradora, classificando-o como limitado.
Vale destacar um alerta que o próprio banco faz: os resultados do segundo trimestre de 2026 não devem ser empolgantes, com alguma pressão de custos vinda de fatores externos — o que pode até levar a um ajuste marginal no guidance da empresa.
Mas, mesmo assim, os analistas mantêm a visão de que a tese de investimento de longo prazo segue de pé.
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Para quem tem ação da Vale ou pensa em comprar, a mensagem do BTG é de separar o barulho do que realmente move o valor da empresa.
Os analistas resumem que, no fim das contas, não veem como essa confusão no conselho se traduza em dano concreto aos fundamentos da companhia — e é isso, segundo eles, que importa de verdade.
Com a ação negociada a um yield de fluxo de caixa livre para o acionista (FCFE) de 9% este ano, o banco considera o preço atual atrativo.
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