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EMBATE NO CONSELHO

PDG Realty (PDGR3) anuncia novo CEO em meio a julgamento de proposta de compra fictícia — e ex-diretor coloca disputa arbitral no radar

O então CEO, Maurício Tiso de Souza, tentou adiar a discussão sobre a troca de gestão, sob o argumento de irregularidades no processo

Imagem: iStock/Drazen_

A PDG Realty (PDGR3), que já foi a construtora mais valiosa do mercado, segue lidando com crises. Dessa vez, os ruídos vêm da decisão de retirar Maurício Tiso de Souza dos cargos de diretor presidente e de diretor de relações com investidores

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Segundo documento divulgado ao mercado na noite de ontem (13), o conselho de administração aprovou a destituição do executivo, substituindo-o por Roberto Giarelli, que assume as funções com efeito imediato. 

“A administração confia que sua experiência e dedicação já comprovadas contribuirão de forma significativa para as atividades da companhia nesta nova fase”, afirmou a PDG Realty em fato relevante. 

No entanto, o ex-CEO questionou a decisão, indicando uma possível disputa arbitral, segundo a ata da reunião. 

A mudança ocorre em meio ao julgamento pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) de uma proposta falsa de compra da empresa pela companhia chinesa Sun Hung Kai Properties (SHKP). 

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Disputa no conselho da PDG Realty 

A ata da reunião revela que Tiso de Souza tentou adiar a discussão sobre a troca de gestão, sob o argumento de irregularidades no processo. 

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Segundo o então CEO, não havia documentos comprobatórios e nem fundamentação econômica para a substituição. Ele ainda afirmou que a própria convocação da reunião informou explicitamente que não havia suporte para as matérias da pauta.

Tiso de Souza afirma que isso impede uma "deliberação informada, refletida e desinteressada", requisito essencial para o dever de diligência dos conselheiros.   

“Deliberar a destituição do principal executivo de companhia aberta, sob fundamento econômico, sem acesso prévio a um único documento, é incompatível com esse padrão”, disse. 

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Durante a manifestação do voto do ex-presidente da PDG Realty, que se posicionou contra a medida, ele ainda indicou uma possível disputa arbitral. 

Segundo a ata, Tiso de Souza afirmou que, caso a solicitação de adiamento fosse rejeitada e o conselho insistisse na deliberação imediata do assunto, ele estaria “reservando-se todos os direitos e medidas cabíveis, inclusive perante a Câmara de Arbitragem do Mercado”. 

Apesar de ter sido destituído dos cargos de diretor presidente e de relações com investidores, ele segue como membro do conselho de administração.

Na mira da CVM

Vale lembrar que o ex-CEO é parte no processo da CVM em relação à proposta falsa de compra da PDG Realty, que foi à julgamento em abril deste ano.  

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O caso ocorreu em fevereiro do ano passado, quando a companhia disse ter recebido uma oferta da SHKP para a aquisição da totalidade das suas ações. De acordo com o documento, a oferta era de US$ 29,6 milhões. 

Porém, a empresa chinesa negou ter enviado qualquer proposta à construtora brasileira. Ainda assim, após o anúncio, a PDG teve um pico de negociações na bolsa, o que levantou dúvidas sobre uma possível manipulação de mercado

O caso chamou a atenção da xerife dos mercados: a CVM abriu um processo administrativo para investigar o que aconteceu.

Em meio à apuração, a CVM acusou o CEO e diretor de relações com investidores da PDG, cargos que eram ocupados por Tiso de Souza, em processo sancionador sobre “eventual prestação de informações falsas”.  

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O agora ex-CEO havia assumido o cargo semanas antes de a oferta falsa surgir. 

O que aconteceu com a incorporadora? 

Desde o fim da recuperação judicial em 2021, a empresa segue lutando para retomar lançamentos. No entanto, enfrenta desafios como a falta de crédito no mercado imobiliário e desconfiança de consumidores com a marca. 

Além disso, embora a empresa esteja avançando na agenda de futuros lançamentos, as obrigações financeiras seguem pesando no balanço da companhia

No primeiro trimestre deste ano, a PDG Realty registrou que a alavancagem da empresa, somando as dívidas extraconcursais, dívidas concursais e o custo a incorrer, totalizou R$ 1,51 bilhão. 

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A construtora apresentou ainda receita líquida de R$ 6,8 milhões, uma queda de 73% em comparação com o mesmo período de 2025. Com isso, ela amargou um prejuízo de R$ 8 milhões nos três primeiros meses de 2026. 

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