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Julia Wiltgen

Julia Wiltgen

Jornalista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com pós-graduação em Finanças Corporativas e Investment Banking pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Trabalhou com produção de reportagem na TV Globo e foi editora de finanças pessoais de Exame.com, na Editora Abril. Hoje é editora-chefe do Seu Dinheiro.

A RENDA FIXA É POP

Busca por isenção de IR drenou recursos dos fundos de ações e multimercados em 2025, apesar dos seus bons retornos

Fundos de maior risco continuaram a sofrer resgates, enquanto os fundos de crédito privado, muitos dos quais incentivados, foram as grandes estrelas de captação do ano

Julia Wiltgen
Julia Wiltgen
9 de janeiro de 2026
7:37 - atualizado às 19:39
Busca por investimentos isentos de IR
Busca por investimentos isentos de IR. - Imagem: ChatGPT

Os fundos de investimento brasileiros encerraram 2025 com uma captação líquida de R$ 88,4 bilhões, abaixo dos R$ 123,6 bilhões registrados em 2024, segundo dados divulgados nesta quinta (8) pela Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais).

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Em anos de Selic tão elevada, os investidores acabam preferindo os títulos de renda fixa, o que reduz a força da indústria de fundos e drena recursos sobretudo das classes de maior risco, como ações e multimercados.

Mas dentro da indústria de fundos vem ocorrendo um fenômeno específico: não só a preferência dos investidores pelos fundos de renda fixa, que vêm oferecendo remuneração elevada com baixo risco, como também a predileção específica pelos fundos de crédito privado, principalmente aqueles isentos de imposto de renda, que investem em debêntures incentivadas de infraestrutura.

Com isso, os fundos de ações e multimercados continuaram perdendo recursos em 2025, mesmo apresentando boas rentabilidades. Por outro lado, os fundos de renda fixa continuaram a apresentar captação líquida positiva, puxados sobretudo pelos fundos de crédito privado.

Os fundos multimercados viram resgates líquidos de R$ 58,9 bilhões em 2025, mesmo com uma rentabilidade acumulada de 15,3%, segundo o Índice de Hedge Funds Anbima.

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As subclasses mais rentáveis apresentaram retornos médios de 22% (long & short neutro), 21,5% (long & short direcional) e 19,1% (capital protegido) no ano passado.

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Já os fundos de ações viram saídas líquidas de R$ 54,5 bilhões no ano, mesmo com uma alta de 34% do Ibovespa e de 35,7% da subclasse índice ativo, que reúne os fundos que buscam superar seus índices de referência.

A renda fixa, por sua vez, viu captação líquida positiva de R$ 84,3 bilhões, apesar da rentabilidade menor. A subclasse mais rentável foi a de duração média grau de investimento, que reúne os fundos que aplicam ao menos 80% da carteira em títulos públicos federais, os quais renderam 14,5% em média, ante um CDI de 14,3% no ano.

A campeã de captação dentro da classe de renda fixa, porém, foi a subclasse duração livre crédito livre, que reúne os fundos que podem alocar mais de 20% da carteira em títulos de médio e alto risco de crédito, tanto no mercado doméstico quanto no externo. É o caso das debêntures, incentivadas ou não.

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Esses fundos de crédito privado captaram R$ 148,4 bilhões em 2025 e tiveram retorno médio de 14,08%.

Multimercados e fundos de ações tendem a apresentar recuperação

Apesar do desempenho ruim da captação dos fundos multimercados e de ações no ano passado, há sinais de que uma recuperação pode estar a caminho.

No caso dos multimercados, houve grande desaceleração nas perdas em relação a 2024, quando os resgates líquidos somaram R$ 349,1 bilhões nessa categoria.

Além disso, em 2025, o desempenho negativo da captação se concentrou nos dois primeiros trimestres, sendo que os dois últimos apresentaram captação líquida positiva.

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Já entre os fundos de ações, as saídas líquidas em 2025 foram maiores que os R$ 16,3 bilhões do ano anterior, mas os dois últimos trimestres tiveram desaceleração nos resgates líquidos.

Em coletiva a jornalistas, Pedro Rudge, diretor da Anbima, disse acreditar que a tendência dos multimercados é a recuperação na captação, pois à medida que estes fundos forem apresentando bons retornos, os investidores tendem a procurá-los mais.

Em relação aos fundos de ações, diz Rudge, a tendência também é de recuperação, mas a classe depende mais do apetite por risco do investidor, uma vez que há mais exposição ao risco de bolsa.

Mesmo assim, com a queda prevista para a Selic em 2026, a perspectiva do mercado é de que o apetite por ativos de risco deva crescer neste ano.

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Já para os fundos de crédito privado, Rudge prevê "alguma acomodação", com crescimento menor, como já vem sendo visto nos últimos meses.

FIPs e FIDCs também estiveram entre as melhores captações de 2025

Os Fundos de Investimento em Participações (FIPs) e os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) tiveram a segunda e a terceira maior captação líquida do ano passado, respectivamente.

Enquanto os FIPs viram aportes líquidos de R$ 60,1 bilhões em 2025, os FIDCs tiveram captações de R$ 57,6 bilhões.

Compostos por direitos creditórios, ativos de renda fixa, os FIDCs foram liberados recentemente para investidores de varejo, pois antes eram restritos a investidores qualificados, aqueles com pelo menos R$ 1 milhão em aplicações financeiras.

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Contudo, a força da captação desta classe de fundos ainda não vem tanto do varejo, pois as ofertas de FIDCs para este público ainda são pequenas.

"Mas a gente deve ver nos próximos meses e anos os FIDCs para varejo se tornando mais relevantes", disse o diretor da Anbima, prevendo um forte crescimento futuro para a classe.

ETFs e fundos de previdência

Destaque especial também para os ETFs (Exchange Traded Funds), fundos que acompanham índices de mercado e têm cotas negociadas em bolsa.

Eles aparecem em quarto lugar entre as maiores captações líquidas de 2025, com aportes de R$ 22,9 bilhões, o maior número para esta classe de fundos desde o início da série histórica da Anbima, em 2002.

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O mercado de ETFs ainda é pequeno no Brasil em comparação, por exemplo, ao norte-americano, mas nos últimos anos muitos ETFs vêm sendo lançados, e estes instrumentos vêm, pouco a pouco, ganhando espaço nas carteiras.

Os fundos de previdência, por outro lado, viram uma surpreendente captação líquida negativa de cerca de R$ 32 bilhões em 2025, em razão principalmente da introdução de uma alíquota de 5% de IOF sobre aportes superiores a R$ 300 mil em 2025 e R$ 600 mil a partir de 2026.

Tal desempenho é pouco usual para esta classe de fundos, cuja captação líquida costuma ser positiva e crescer lentamente ano após ano.

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