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REFINARIA

Refit, uma das maiores devedoras de impostos do RJ e do país, pode ter terreno desapropriado pelo governo

A Refit também é considerada a maior devedora do país, com R$ 55 bilhões em dívidas. Há anos, Ricardo Magro é investigado por sonegação fiscal

Imagem: Reprodução Site Refit
Refit - Imagem: Reprodução/Site Refit

A Refit, ex-refinaria de Manguinhos, pode ficar sem seu terreno. O governador em exercício do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, quer desapropriar o espaço da empresa, considerada uma das maiores devedoras de impostos do estado e do Brasil.

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A informação foi antecipada pelo colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, e confirmada pelo Estadão. Procurada, a Refit não se manifestou.

A ideia do governador é que o confisco do terreno onde fica a refinaria seja usado para abater, pelo menos, parte da dívida. Procurado pelo Estadão, o governo não detalhou como pretende tomar o terreno, nem se tem uma estimativa do valor dele.

Segundo as investigações, somente ao Rio, a Refit deve R$ 9,4 bilhões. A Refit também é considerada a maior devedora do país, se somados os estados, municípios e a União. São R$ 55 bilhões em dívidas. Há anos, Magro é investigado por sonegação fiscal.

No início do ano, a refinaria foi interditada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) por graves riscos de incêndio.

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"Dono" da Refit é procurado pela Interpol

Ricardo Magro, que controla a empresa indiretamente, é alvo de mandado de prisão e considerado foragido da Justiça no âmbito de uma investigação da Polícia Federal. Ele também está na lista de procurados da Interpol.

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Há 10 anos, Magro mora em uma mansão em área nobre em Miami, nos Estados Unidos, e já é alvo de outros mandados. Por isso, seu nome entrou até na pauta da discussão entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump na semana passada.

Operação Sem Refino

A empresa e Ricardo Magro são investigados pela Polícia Federal por um esquema de sonegação bilionária e lavagem de dinheiro, no âmbito da Operação Sem Refino.

A suspeita é de que Magro teria usado empresas e fundos de investimentos para maquiar as operações financeiras. A operação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Magro não foi localizado pela PF.

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As investigações também atingem políticos. O ex-governador do Rio de Janeiro, Claudio Castro (PL), foi alvo de buscas e apreensões.

A Polícia Federal afirma que ele tentou beneficiar a refinaria ao articular um refinanciamento de dívidas que poderia reduzir até 95% dos débitos da refinaria com o Estado.

A empresa nega e diz que não foi beneficiária do programa. O ex-governador nega ilícitos e afirma que está “à disposição da Justiça para dar todas as explicações” e “convicto de sua lisura”.

O senador Ciro Nogueira (Progressistas) também foi citado. A PF afirma que um fundo de investimentos ligado à Refit pagou R$ 14,5 milhões a uma empresa da família do parlamentar, que foi ministro da Casa Civil no governo de Jair Bolsonaro (PL). Ex-secretário da pasta na gestão de Nogueira, Jonathas Assunção Salvador Nery de Castro também teria recebido R$ 1,3 milhão de uma empresa ligada à Refit, segundo a PF.

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O senador afirma que o pagamento foi devido à venda de um terreno “de forma regular e totalmente declarada aos órgãos competentes”.

Outro lado

Recentemente, a companhia afirmou, em comunicado ao mercado, que Ricardo Magro não é controlador da empresa, e que a relação da empresa com o empresário "decorre exclusivamente de serviços advocatícios por ele prestados".

Já o controlador indireto é João Manuel Magro, pai de Ricardo. "Ricardo Magro não exerce qualquer cargo na administração, diretoria ou conselho e não exerce influência significativa nas decisões da companhia", disse ela.

Segundo a Refit, as dívidas discais estão sendo discutidas nos âmbitos judicial e administrativo.

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Ela também refutou as demais denúncias, "como a prática de sonegação de tributos, a suposta realização de vendas casadas e a utilização de empresas terceiras para burlar o fisco", disse. "A companhia salienta, ademais, que o seu processo de recuperação judicial não configura qualquer mecanismo de evasão", afirmou.

Com Estadão Conteúdo e Money Times

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