Se você quer investir para o longo prazo, esta é a pergunta que deve se fazer antes das suas escolhas
Vale para a previdência e vale para a vida, pois todas as variáveis podem mudar menos uma: o tempo

A vida é uma sequência de escolhas. Quando somos mais novos, algumas parecem quase irrelevantes. Ir ou não a uma festa. Escolher uma roupa. Sentar deste ou daquele lado da sala.
Com o tempo, as bifurcações ficam mais importantes. Qual curso fazer. Em qual faculdade estudar. Aceitar ou não um emprego. Continuar ou terminar um relacionamento. Ter filhos. Mudar de cidade.
Escolher uma alternativa quase sempre significa abrir mão de outra. E não escolher também é uma escolha.
Talvez por isso seja tão difícil atravessar a vida sem algum arrependimento.
De vez em quando, olhamos para trás e imaginamos como tudo seria diferente se tivéssemos aceitado aquele emprego, escolhido outro curso ou tomado uma decisão diferente.
O problema é que essa comparação é injusta. Conhecemos todos os problemas da vida que escolhemos. Da vida que deixamos para trás, conhecemos apenas uma versão imaginária.
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O outro emprego poderia ser melhor. Mas também poderia ter um chefe insuportável. O outro curso poderia ser mais interessante. Mas talvez levasse a uma carreira da qual você gostasse menos. Nunca saberemos.
Em uma reflexão de que gosto muito, o professor Clóvis de Barros Filho propõe inverter a pergunta diante de decisões importantes.
Em vez de “qual escolha não vai me gerar arrependimento?”, talvez devêssemos perguntar: “Com qual arrependimento eu consigo conviver?”
Essa pergunta também vale para nossa vida financeira. Todos nós, em algum momento, precisamos decidir quanto do presente estamos dispostos a reservar para o futuro.
Podemos começar cedo. Podemos começar mais tarde. Podemos aumentar os aportes, diminuir, trocar de estratégia ou mudar nossos planos ao longo do caminho.
Podemos também simplesmente adiar essa decisão. Só que adiar também é escolher.
O recurso que você não recupera após uma escolha
E existe uma diferença importante entre esses caminhos: quase tudo pode ser ajustado depois. O tempo, não.
Se você começa uma previdência hoje e, daqui a alguns anos, percebe que quer investir menos, trocar de fundo ou reorganizar seus objetivos, existem maneiras de fazer isso.
Mas ninguém consegue chegar aos 50 anos e comprar de volta os 20 anos em que aquele dinheiro poderia ter ficado investido.
E, no caso da previdência, o tempo tem um papel ainda mais importante.
Na tabela regressiva, a alíquota de Imposto de Renda diminui conforme o prazo do investimento e pode chegar a apenas 10% após dez anos, a menor alíquota entre as aplicações financeiras tributáveis.
Além disso, os fundos de previdência não sofrem incidência de come-cotas. Ou seja, não há aquela antecipação periódica de imposto presente em diversos fundos tradicionais.
Na prática, a previdência combina duas forças importantes: o efeito dos juros compostos e uma estrutura tributária que também recompensa quem consegue pensar no longo prazo.
O mesmo raciocínio vale para quem começa a construir um patrimônio para os filhos.
O valor dos aportes pode mudar. A estratégia pode mudar. Os objetivos daquela criança certamente vão mudar.
Mas começar cedo permite aproveitar aquilo que provavelmente será seu maior ativo financeiro: tempo.
Por isso, talvez a decisão de começar não precise nascer da certeza de que estamos fazendo tudo perfeitamente.
Basta pensar nos dois arrependimentos possíveis.
Daqui a alguns anos, você pode olhar para uma previdência que começou cedo e concluir que teria feito algumas coisas de maneira diferente.
Ou pode olhar para trás e desejar ter começado antes.
Eu sei com qual dos dois teria mais dificuldade de conviver.
- Saiba tudo sobre Previdência Privada do jeito que nunca explicaram para você: PGBL, VGBL, tributação e estratégia para você construir patrimônio no longo prazo, em 8 aulas gratuitas, com Mirna Borges e o professor Liao
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