Inteligência artificial vai mesmo acabar com o trabalho de júnior? Gestora diz qual é o profissional que deve sobreviver no mercado
A líder de pessoas Maria Fernanda Pernisa diz que os cargos iniciais estão sendo substituídos por agentes e assistentes de IA; como ficam as carreiras agora?

Não faz muito tempo desde que a principal discussão no mercado de trabalho era a "juniorização": movimento de substituição de profissionais mais experientes por pessoas em início de carreira que pudessem exercer funções semelhantes com salários menores. Agora, em tempos de inteligência artificial, a história de inverteu. Estagiários, trainees e cargos júniores podem entrar em risco de extinção.
É nisso que acredita Maria Fernanda Pernisa, líder da equipe de Marketing de Produto da empresa Loja Integrada.
Em um painel sobre carreiras em tempos de IA no Hacktown 2026, festival de empreendedorismo e inovação que acontece entre os dias 3 e 7 de setembro em Santa Rita do Sapucaí, em Minas Gerais, a gestora de pessoas explica que, na equipe liderada por ela, a inteligência artificial tem sido treinada para simplificar processos mais operacionais que demandariam muito tempo.
De um lado, isso libera os profissionais da equipe para realizar demandas mais complexas e ligadas à inteligência humana, como a criatividade.
Porém, de outro, gera uma mudança no perfil desses funcionários. Agora, com a tecnologia realizando inúmeros processos, há uma dificuldade para incluir profissionais em início de carreira, já que tarefas mais simples agora são direcionadas aos agentes e assistentes de inteligência artificial.
Porém, a gestora defende que ainda é possível se destacar – e que um tipo de profissional deve ser cada vez mais valorizado no mercado de trabalho.
Leia Também
Sêniores devem tomar conta das empresas
Uma demanda que Pernisa percebe crescer nas companhias é a por profissionais tão experientes em suas funções que conseguem treinar as ferramentas de inteligência artificial para chegar a resultados complexos.
São funcionários sêniores, que não possuem subordinados, mas que também não precisam de suporte constante das lideranças.
Na prática, são os especialistas, mas no jargão corporativo recebem o nome de high-impact individual contributor (high IC) e funcionam como um “super executor”.
Outro movimento que tem acontecido com mais força, de acordo com a gestora, é a morte da ideia de líderes que só gerem pessoas. Pela ideia da IA simplificadora de processos, cada vez mais as lideranças acumulam funções de gestores e tocam projetos próprios simultaneamente.
“Essas mudanças têm o lado positivo de diminuir a hierarquia e acabar com a ideia de carreira como uma escadinha, que todo mundo sonha em virar chefe. Mas também é preciso ver os efeitos disso no longo prazo: há uma sobrecarga e os profissionais não sabem se priorizam a gestão ou o projeto”, explicou.
Contratações estão mais difíceis: como se destacar?
Outro efeito gerado pela inteligência artificial, segundo Pernisa, é a escassez de contratações.
Convencer os líderes C-level sobre a necessidade de aumentar a equipe e contratar, principalmente, pessoas mais júniores, se tornou quase que “um processo de licitação”, disse a gestora.
Essa dificuldade de expansão do time, aliada à simplificação de tarefas operacionais com IA, tem dado menos espaço para os profissionais em início de carreira.
Para Pernisa e as demais participantes do painel, Cassi Vilvert, da Meta, Larissa Dias, da MoEngage, e Juliana Meyer, da PostHog, esse tema ainda deve ser observado no longo prazo, mas estagiários, trainees e júniores devem focar no que a inteligência artificial não consegue replicar.

Entre as recomendações das profissionais está ser “absurdamente curioso” sobre as ferramentas que existem atualmente e usá-las com criatividade para resolver problemas reais, não apenas automatizar tarefas operacionais.
Também é importante se destacar em relação à IA. A inteligência artificial entrega resultados “na média”. Para elas, o diferencial humano está no esmero e na criticidade em ir além do básico.
Outra recomendação é desenvolver as soft skills. Na visão das palestrantes, desenvolver relações humanas, transparência e comunicação se tornaram diferenciais valiosos em um mercado de trabalho saturado de robô.
Hora de deixar para trás ideia de IA como substituta
Na visão das profissionais, a ansiedade em relação à carreira em tempos de crescimento da inteligência artificial é natural e coletiva.
“Com IA, muitos diferenciais que eu tinha no meu trabalho passaram a ser mais acessíveis para outras pessoas. Isso me deixou desnorteada. Mas eu pensei em dois caminhos: no primeiro eu lidava de forma competitiva e no segundo eu ajudava a treinar a equipe para aproveitar a tecnologia para fazer o que eu fazia”, disse Juliana Meyer.
Mas para elas, o caminho é usar a IA para tarefas que podem ser automatizadas e focar em inteligências inerentes ao ser humano: comportamento, criatividade, repertório e relacionamento, por exemplo.
“Já cheguei a flertar com a automatização da criatividade, mas não funciona. Essa é a parte legal do trabalho e o que faz com que o resultado seja mais poderoso é a criatividade humana”, complementou Meyer.
Outra recomendação das especialistas é não cair nas armadilhas da IA, de produzir muito, mas com qualidade ruim. Como defende Pernisa, um trabalho de baixa qualidade não vai gerar resultado de qualquer forma, seja feito pela tecnologia ou pelo profissional.
Para não se sentir para trás no uso da tecnologia, Larissa Dias recomenda usar IA em pelo menos uma pequena coisa do trabalho. Apesar disso, diz que é sempre necessário ter uma visão crítica do motivo do uso de determinada ferramenta:
"A IA também nos deu uma infinidade de possibilidades de criação. Posso usar para X, Y e Z, mas eu deveria? Existem várias ferramentas, mas precisa filtrar o que de fato faz sentido para o seu trabalho."
Conteúdo Empiricus
Coloque essas duas palavras no seu LinkedIn e busque ofertas com salários de até R$ 53 mil
21 de agosto de 2026 - 14:00VALE POR DOIS
BTG Pactual entra no mercado de benefícios corporativos com cartão que une VA e VR para funcionários
20 de agosto de 2026 - 14:40VEJA COMO SE INSCREVER
Nubank, Embraer, Honda, Ambev, Shopee e outras empresas estão com vagas de estágio e trainee; salários chegam a R$ 9.500
20 de agosto de 2026 - 14:10CORTE DE EQUIPE SUSPENSO
Após 3 mil demissões, Casas Bahia (BHIA3) é obrigada a recontratar equipe e pode ser multada pela Justiça; quais são os direitos dos funcionários?
19 de agosto de 2026 - 16:08MOVIMENTAÇÃO DE CARREIRA
Quase metade dos brasileiros quer mudar de emprego no segundo semestre de 2026 e o motivo não é apenas o salário
19 de agosto de 2026 - 11:30SALÁRIO EVAPOROU?
Mais da metade dos trabalhadores não conseguem pagar as contas do mês, diz Serasa — e empregadores podem ser responsabilizados
18 de agosto de 2026 - 14:05CARREIRA NÃO É MAIS ESCADINHA
As habilidades que o profissional do futuro tem que ter — e vão muito além de saber usar a IA
14 de agosto de 2026 - 18:45EFEITO JULIUS
Funcionários CLT podem ter dois empregos? O que é permitido pela lei e o que gera problema
11 de agosto de 2026 - 16:02AUTONOMIA DE VERDADE
Não é o home office: pais querem outro tipo de flexibilidade no trabalho
7 de agosto de 2026 - 14:34CURRÍCULO FICOU PARA TRÁS?
Como profissionais 50+ podem usar a IA para encontrar novas oportunidades de trabalho
5 de agosto de 2026 - 18:11ENTREVISTA
Luiza Trajano defende cotas para ampliar presença de mulheres na liderança das empresas: ‘processo transitório para acertar desigualdade’
5 de agosto de 2026 - 17:15CONFIRA A SELEÇÃO
Salário acima de R$ 9 mil: Itaú, B3, BTG, Embraer e outras empresas de peso têm vagas de estágio e trainee
5 de agosto de 2026 - 13:34MUDANÇA DE PRIORIDADE
Treinamento em IA vale mais que MBA? Para 86% dos executivos, sim — e isso já está pesando no salário
4 de agosto de 2026 - 13:45NOVO ACORDO
Folga aos feriados tem novas regras, mas com lista de exceções extensa; veja o que muda para os trabalhadores
22 de julho de 2026 - 12:40VAGAS ABERTAS
Natura, Bradesco, PetroReconcavo e outras gigantes estão com vagas de trainee e estágio abertas; salários chegam a R$ 9 mil
17 de julho de 2026 - 15:05DIREITO À DESCONEXÃO
Projeto de lei quer proibir mensagens aos funcionários fora do expediente; entenda o que pode mudar
13 de julho de 2026 - 12:57INÍCIO DE CARREIRA
Mais de 200 vagas na Amazon, BTG Pactual, Itaú, Bain & Company, Shopee e Stone: evento reúne processos seletivos para universitários e recém-formados
8 de julho de 2026 - 14:36CONCURSO PÚBLICO
Banco Central autorizado a fazer concurso para três cargos; veja vagas disponíveis
8 de julho de 2026 - 13:30CONCURSO PÚBLICO