Ninguém mais quer liderar você (e isso é uma boa notícia): conheça o Super IC, nova posição corporativa ‘criada’ pela IA
Com a IA, executivos seniores, gente que já tinha subido a régua de gestão de pessoas, começaram a abrir mão do cargo de líder para voltar a produzir com as próprias mãos

Quarta-feira de manhã e uma conversa empolgante com uma amiga, também executiva de recursos humanos. Falamos muito sobre nossas experiências nessa jornada de trabalho usando IA.
Ela me chamou atenção com um post que fez no LinkedIn: contava que havia deixado de fazer a gestão de uma área dentro de RH para liberar a agenda e voltar a fazer coisas que, há muito tempo, já não fazia mais. Porque, na posição de executiva, o fazer acontece por meio de outras pessoas. Não é geração direta de resultado.
Como um observador atento da linguagem corporal, vi o quanto ela se mostrou feliz, entusiasmada com essa nova realidade que está construindo para ela.
No nosso papo vieram declarações como “Nossa, que felicidade poder produzir coisas de novo”. Olhos brilhando, sorriso no rosto, e a constatação de que ela conseguia, novamente, ter papos como aquele no meio da semana, porque tinha escolhido passar parte da equipe para outra liderança, liberando parte da agenda para conduzir projetos e construir soluções de IA para o RH da empresa.
Minha amiga estava descrevendo um dos temas mais quentes na discussão sobre IA agora: o Super IC (individual contributor).
O termo vem de um debate que começou no Vale do Silício e chegou rápido por aqui: Super IC, HI-C, ou High-Impact Individual Contributor (contribuidor individual de alto impacto, em tradução livre).
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Executivos seniores, gente que já tinha subido a régua de gestão de pessoas, começaram a abrir mão do cargo de líder para voltar a produzir com as próprias mãos.
Não porque falharam na gestão. Porque, com a IA como alavanca, um profissional sênior sozinho passou a entregar o que antes exigia um time inteiro trabalhando por dias.
O que é um Super IC
Na prática, o Super IC é alguém sem liderados diretos, mas com responsabilidade de ponta a ponta sobre um resultado de negócio. Da ideia à entrega. Da entrega à métrica. Da métrica de volta para o próximo ciclo.
Eu mesmo já vinha questionando um valor que, desde o início da minha carreira, e imagino que da grande maioria de vocês, leitores, associa status e poder a uma estrutura simples: um líder, muitas pessoas na equipe.
Desde que passei a usar IA com mais frequência, comecei a perceber que seria capaz de gerar o mesmo resultado sozinho, com soluções que antes só conseguiria produzir com um grande time de especialistas variados.
É curioso como, quando a gente desafia esse paradigma, passa a enxergar a realidade de um jeito profundamente diferente, e rápido.
Hoje já olho para pessoas dentro da organização que fazem coisas muito legais com IA, ainda que num papel parcial de Super IC, e as admiro mais por conseguir isso. E olho para lideranças com times grandes inferindo que essas estruturas talvez precisem passar por uma revisão profunda, dado tudo que já consigo observar do que a IA é capaz de produzir em parceria com humanos.
Vejo essa mudança de forma otimista, porque, no fundo, ela potencializa o que cada um tem de melhor. Quem já tinha mais vocação pra gestão de pessoas, e, na média, eram justamente os mais valorizados e promovidos, vai liderar equipes num nível mais profundo, com autonomia pra resolver problemas e estruturar dados de um jeito que reduz a carga operacional do time.
E, para quem nunca teve ambição de virar gestor, finalmente chegou a hora. O que antes parecia teto, o nível mais alto de especialista dentro de uma empresa, hoje é só o começo de uma carreira que pode ser tão longa quanto a de liderança. Já temos exemplos no mercado de Super ICs contratados com salários de diretor, de VP.
Pra você que chegou até aqui: talvez isso tudo soe como grego no seu segmento, e eu concordo que a discussão não é aplicável de forma massiva.
Mas, seja qual for o estágio da sua organização no uso da IA, há aspectos que já vão mudar de forma definitiva como a gente trabalha. Como aconteceu com a ascensão do Google. Estamos diante de uma mudança dessa magnitude na forma como a IA se torna parceira, ou meio, de produção.
O que eu faço de melhor, quando finalmente tenho os meios pra fazer isso sozinho, ou com um time muito menor do que eu imaginava precisar?
Falar com minha amiga naquela quarta de manhã me mostrou que o Super IC, que eu vinha conhecendo só por cases de founders e empresas de fora, já está muito mais perto do que a gente imagina.
Talvez, numa ronda rápida pelos nossos círculos, a gente descubra vários outros exemplos de gente já desempenhando esse papel.
E se você, como eu, também está sentindo essa inquietação, o incômodo de olhar pra uma estrutura grande e já não sentir ali, automaticamente, sinônimo de sucesso, talvez seja hora de parar de perguntar quantas pessoas você lidera. E começar a perguntar: sozinho, quanto impacto você ainda é capaz de gerar?
Até a próxima,
Thiago Veras
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