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Carolina Gama

Formada em jornalismo pela Cásper Líbero, já trabalhou em redações de economia de jornais como DCI e em agências de tempo real como a CMA. Já passou por rádios populares e ganhou prêmio em Portugal.

O MOTIVO DA QUEDA

Ouro naufraga na tempestade do Oriente Médio. É o fim da linha para o porto seguro dos investidores?

O metal precioso fechou em baixa de 1% e levou com ele a prata, que recuou menos, mas acompanhou o movimento de perdas

Carolina Gama
12 de março de 2026
16:14
barras de ouro
Imagem: Canva

Em tempos de guerra e incerteza global, o roteiro do mercado financeiro costuma ser previsível: investidores correm para debaixo das asas do ouro, o clássico refúgio para momentos de crise. Mas nesta quinta-feira (12) não foi assim: o metal precioso terminou o dia em queda mesmo com a sangria das bolsas ao redor do mundo

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O ouro com entrega para abril fechou em queda de 1,04%, cotado a US$ 5.179,10 por onça-troy na Comex (Nymex). A prata para maio acompanhou o movimento e recuou 0,49%, a US$ 85,112. 

Se o cenário é de tensão, por que o ouro caiu? A resposta passa por uma combinação de liquidez, dólar forte e a matemática dos juros norte-americanos. 

O "flush" do pânico e a força do dólar 

Um dos motivos para o desempenho abaixo do esperado é o chamado "flush". Segundo analistas, choques geopolíticos podem disparar ondas de vendas por pânico.  

Em momentos de crise de liquidez, investidores vendem tudo o que podem para fazer caixa — inclusive o ouro — até que o mercado se reorganize. 

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Além disso, o metal sofreu com a concorrência direta do dólar. As ameaças do líder supremo do Irã, o aiatolá Mojtaba Khamenei, de abrir novas frentes de guerra, impulsionaram a moeda norte-americana como ativo de segurança.  

Leia Também

Como o ouro é cotado em dólar, a valorização da divisa encarece o metal e pressiona seus preços. 

Da taxa de juros ao preço da gasolina: como guerra no Irã mexe com seu bolso?

Ouro contra os juros e o custo de oportunidade 

Outro vilão que ofuscou o ouro nesta quinta-feira (12) é o yield (rendimento) dos títulos do Tesouro dos EUA.  

O mercado agora pondera que o fechamento do Estreito de Ormuz pode elevar os preços do petróleo, gerando inflação persistente e forçando os bancos centrais a manterem os juros altos. 

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O Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) tem reunião marcada para a próxima quarta-feira, e já havia sinalizado que não mexeria na taxa agora. Os juros por lá estão na faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano.  

Até então, as apostas indicavam que o afrouxamento monetário nos EUA seria retomado em julho. Depois dos últimos eventos de hoje no Oriente Médio, no entanto, o mercado voltou a considerar dezembro o mês mais provável para a retomada de cortes de juros.  

De acordo com a ferramenta de monitoramento do CME Group, a probabilidade de redução nos juros pelo Fed em dezembro era estimada em 57,6% na tarde de hoje. A principal expectativa segue sendo de corte de 25 pontos-base (pb).  

Para o investidor, isso muda o jogo. Com juros elevados, títulos públicos (Treasurys) tornam-se mais atraentes. 

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Como o ouro é um ativo que não paga juros ou dividendos, o metal perde apelo relativo quando as taxas estão subindo ou demoram a cair. 

O que esperar do ouro daqui para frente? 

Apesar do tropeço recente e da volatilidade que assusta investidores institucionais, os bancos mantêm o otimismo no longo prazo com relação ao ouro.  

O J.P. Morgan projeta que o ouro alcance US$ 6.300 até o fim de 2026, enquanto o Deutsche Bank mantém uma meta de US$ 6.000 para o fechamento deste ano. 

Analistas do ANZ Research reforçam que a força atual do dólar pode ser temporária, o que abriria espaço para uma recuperação do metal precioso, já que as perdas recentes parecem ter fôlego curto. 

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