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Bia Azevedo

Bia Azevedo

Jornalista pela Universidade de São Paulo (USP). Em 2025, esteve entre os 50 jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já trabalhou como coordenadora e editora de conteúdo das redes sociais do Seu Dinheiro e Money Times. Além disso, é pós-graduada em Comunicação digital e Business intelligence pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).

REAÇÃO AOS RESULTADOS

O calcanhar de Aquiles da MRV (MRVE3) ainda é o mesmo: o que está por trás da queda forte nas ações após balanço do quarto trimestre?

Resultado do quarto trimestre mostra avanço nas operações de incorporação, mas perdas da Resia continuam pressionando o balanço e preocupando analistas

Bia Azevedo
Bia Azevedo
9 de março de 2026
14:19 - atualizado às 15:04
Imagem de um gráfico de fundo preto com setas vermelhas em queda e o logo da MRV em verde e amarelo no canto superior direito
Imagem: Canva/ Montagem: Seu Dinheiro

Por mais que a MRV (MRVE3) esteja conseguindo se recuperar nas operações principais, a Resia segue sendo a sina da empresa. A companhia divulgou os números do quarto trimestre de 2025 nesta manhã, com a subsidiária norte-americana pesando negativamente nos resultados.

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Na visão do Safra, o prejuízo líquido de R$ 110 milhões da operação nos EUA veio bem maior do que o esperado, de R$ 60 milhões, e resultou em um lucro líquido consolidado de R$ 53 milhões no trimestre, cerca de 40% abaixo das expectativas do banco. Os analistas classificaram o balanço como misto.

Assim, por volta das 14h15, as ações da construtora lideravam as quedas do Ibovespa, com perdas de 7,63%, negociadas a R$ 8,59. No mesmo horário, o principal índice da bolsa subia 0,21%, a 179.789,19 pontos.

Resia ainda é o calcanhar de Aquiles da MRV

“A Resia continuou pressionando os resultados consolidados, compensando a melhora nas operações principais, que apresentaram ganho de 0,3 ponto percentual na base trimestral na margem bruta e melhora nos indicadores de resultado”, diz o relatório do banco.

A subsidiária norte-americana, que constrói imóveis para locação, tem sido uma verdadeira pedra no sapato da MRV nos últimos anos, vítima do ciclo de aumentos dos juros por lá, que fez os investidores passarem a exigir mais retorno para comprar imóveis, e derrubando o valor dos ativos residenciais.

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Durante o ano passado, a companhia colocou diversos ativos da Resia à venda. O objetivo é vender cerca de US$ 800 milhões em ativos. Até agora, foram vendidos US$ 167 milhões.

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Para já adequar seu balanço, no último trimestre, a companhia realizou um impairment, ou redução no valor de seu patrimônio, de R$ 1,05 bilhão, dos ativos nos EUA colocados para venda.

Em teleconferência com jornalistas e analistas nesta manhã, o CEO Rafael Menin, reafirmou o compromisso de não iniciar novos projetos sob o guarda-chuva da Resia dentro da estrutura societária do conglomerado, focando exclusivamente na venda dos ativos existentes para acelerar a redução das dívidas.

Além disso, a gestão do grupo destacou o foco em cortar despesas gerais e administrativas do empreendimento multifamily nos EUA, reduzidas pela metade no primeiro trimestre de 2026.

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Na visão do Safra, isso deve mitigar o impacto da divisão no resultado consolidado nos próximos trimestres.

O banco também destaca que o conglomerado terminou o trimestre com um consumo de caixa já esperado de R$ 6 milhões. Mesmo assim, o nível de endividamento da empresa ainda preocupa.

A relação entre dívida líquida e patrimônio ficou em 104%, acima do registrado nos trimestres anteriores. Quando são incluídas as obrigações ligadas à cessão de créditos, esse indicador sobe para 174%, mostrando que a companhia ainda precisa avançar na redução da dívida.

Nem tudo são pedras. O que fazer com as ações?

Por outro lado, o time de análise do Safra destaca a trajetória de recuperação no segmento de Incorporação do grupo, que engloba a MRV e Sensia.

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“Com lucro líquido de R$ 215 milhões, em linha com as expectativas, o desempenho refletiu um prejuízo líquido de e R$ 54 milhões relacionado à operação de venda definitiva de recebíveis (impacto de R$ 31 milhões no 3T25). Excluindo esses efeitos, o lucro líquido da companhia teria alcançado R$ 268 milhões”, escreve o time em relatório.

O banco manteve a recomendação neutra para as ações da MRV, enquanto aguarda um progresso mais relevante na desalavancagem, especialmente porque o fluxo de caixa das operações principais ainda não mostrou uma melhora mais significativa.

Mais detalhes do balanço da MRV

A companhia reportou lucro líquido consolidado de R$ 41,4 milhões, revertendo o prejuízo de R$ 249,8 milhões registrado no mesmo período de 2024.

No resultado ajustado — que exclui efeitos contábeis de instrumentos financeiros sem impacto direto no caixa —, o lucro consolidado foi de R$ 116,5 milhões. O número também representa uma virada em relação ao quarto trimestre do ano anterior, quando a empresa havia apresentado prejuízo de R$ 153,7 milhões.

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De acordo com a companhia, a melhora do desempenho está ligada ao aumento das receitas com a venda de imóveis e à disciplina no controle de custos, fatores que contribuíram para a recuperação das margens no período.

Já no ano de 2025, o prejuízo atribuível aos controladores foi de R$ 1,04 bilhão.

Entre as demais empresas do grupo, a Luggo, de aluguel residencial, registrou prejuízo de R$ 18,2 milhões, enquanto a Urba, de loteamentos residenciais, apresentou lucro de R$ 772 mil no período.

Já o Ebit (lucro antes de juros e impostos) consolidado — indicador que mede o resultado operacional antes de juros e impostos — somou R$ 391,8 milhões no quarto trimestre, um avanço expressivo frente aos R$ 22,5 milhões apurados no mesmo intervalo do ano anterior.

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A receita líquida consolidada atingiu R$ 3 bilhões, alta de 27,8% na comparação anual, impulsionada pelo maior volume de vendas de imóveis e pelo avanço das obras. Ao mesmo tempo, as despesas operacionais consolidadas recuaram 17%, para R$ 505,3 milhões, refletindo maior controle de custos ao longo do período.

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