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Investir nesse tipo de ativo não é óbvio e exige um olhar atento às características específicas de cada metal; o Seu Dinheiro te dá o passo a passo, conta os riscos e vantagens desse tipo de investimento
Nem tudo que reluz é ouro, ou mesmo prata. Enquanto o metal dourado subiu 66% em 2025, o maior avanço em 46 anos, sua prima prateada disparou 150% no período.
Ambas as commodities metálicas mantêm seus níveis recordes em 2026, mas não são as únicas a experimentarem uma forte ascensão nos preços. Metais mais “diferentões”, como platina, paládio, ródio e até o cobre também vêm alcançando máximas históricas. A platina, por exemplo, disparou 120% em 2025!
A alta generalizada das commodities metálicas indica algo mais profundo do que apenas uma fuga temporária para ativos mais seguros e brilha aos olhos dos investidores.
O confronto renovado entre EUA e Europa sobre a Groenlândia fortaleceu a demanda por metais preciosos neste início de ano, mas não a criou.
Ouro e prata já estavam em ascensão antes que as tensões geopolíticas ressurgissem, impulsionadas por crescentes preocupações sobre disciplina fiscal, credibilidade monetária e institucional norte-americana — fatores que alimentaram o apetite dos bancos centrais ao redor do mundo por ativos diferentes do dólar.
Além disso, o aumento dos yields (rendimentos) dos títulos do Tesouro dos EUA de longo prazo durante períodos de risco tornou-se um sinal recorrente de que o que está em jogo é confiança, não crescimento.
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O investimento em ouro e prata já é bastante acessível para a pessoa física, com fundos em plataformas digitais e ETFs (fundos de índice com cotas negociadas em bolsa) negociados na B3.
Mas a entrada no universo de metais alternativos, como os já mencionados platina, paládio, ródio e cobre, já não é tão óbvia: requer a abertura de uma conta de investimentos no exterior, uma dose de sangue frio e um olhar atento às características específicas de cada ativo.
Pensando nisso, o Seu Dinheiro conversou com diversos especialistas e conta para você o passo a passo, as vantagens e os riscos de investir em metais além do ouro e da prata.
O tripé dos investimentos em metais preciosos é formado por ouro, prata e platina — a extração desses materiais move uma indústria colossal.
Para se ter ideia da escala, a mineração global entrega, em média, 3.531 toneladas de ouro por ano.
1. O grande protagonista
O mais célebre dos metais, o ouro é considerado um ativo de segurança por excelência, além de ser a base da joalheria de luxo. Estima-se que mais de 216 mil toneladas tenham sido extraídas em toda a história.
2. O híbrido perfeito
Menos rara do que o ouro, a prata brilha pela sua dualidade: é um ativo financeiro, mas também um componente industrial indispensável, especialmente em tecnologias sustentáveis.
3. A resistência em forma de metal
Capaz de resistir a altas concentrações de hidrogênio, a platina é vital para a aeronáutica, a odontologia e a indústria de armamentos. Sua produção é altamente concentrada em países como África do Sul e Rússia.
Embora a imagem do garimpeiro em busca da pepita de ouro ainda habite o imaginário popular, o investimento hoje ocorre em terminais de negociação e bolsas de valores, sem a necessidade de contato físico com a commodity.
“O investimento em metais preciosos hoje é muito mais simples do que antigamente. O investidor pode adquirir ETFs ou ações de mineradoras, por exemplo, e, com um toque, abrir uma conta em uma corretora para isso”, diz Matheus Spiess, analista da Empiricus Research.
Ele cita, além do GOLD11, ETF brasileiro que dá exposição direta ao ouro, o Empiricus Ouro, que rendeu 41,68% em 2025, e o Empiricus Prata, cuja alta foi de 111% no ano passado.
Também menciona fundos de metais do BTG Pactual e as ações da Aura Minerals (negociadas como AUGO na Nasdaq e como o BDR AURA33 na B3), como opções para quem quer ter exposição aos metais preciosos.
Mas Spiess adverte: apenas uma parcela da carteira deve concentrar todos esses investimentos em metais.
“Recomendamos uma exposição entre 2,5% e 5%, considerando fundos, ações de mineradoras e até o metal físico mesmo — 2,5% para os mais conservadores e 5% para quem aceita tomar mais risco”, acrescenta.
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Além do trio mais famoso, outros metais preciosos são muito utilizados na indústria e vêm chamando a atenção dos investidores.
Bônus: embora seja um “metal base” e não um “metal precioso”, o cobre é o termômetro da economia. Com a eletrificação global, ele se tornou uma tese central de investimento em infraestrutura.
Spiess, da Empiricus, faz outro alerta para quem quer surfar a onda de ganhos dos metais. “O investimento fora do ouro não é para qualquer um. É preciso ser arrojado e não temer o risco, já que qualquer metal que não seja o ouro é muito volátil — a disparada acontece na mesma velocidade da queda”.
Desde as primeiras moedas, ouro e prata se consolidaram como reservas de valor globais. Em cenários de inflação elevada, juros voláteis e tensões geopolíticas, esses ativos voltam a ser vistos como proteção patrimonial.
A valorização recente foi impulsionada por fatores como o ciclo de corte de juros nos EUA, a desvalorização do dólar e a política tarifária do presidente norte-americano, Donald Trump, além do conflito entre Ucrânia e Rússia.
João Abdouni, analista da Levante Inside Corp, aponta que a expansão da inteligência artificial (IA) e a disputa por terras raras aumentaram ainda mais a busca por esse tipo de investimento.
“Bancos centrais ao redor do mundo buscam diversificar reservas para reduzir a dependência do dólar. Além disso, a demanda energética da IA e as políticas tarifárias globais criam um ambiente fértil para a valorização desses ativos”, diz Abdouni.
O investimento em metais preciosos é mais adequado para quem pensa no longo prazo. O ouro e a prata são ativos voltados para proteger patrimônio em crises futuras, e não para quem busca ganhos imediatos.
Eles podem ser usados como proteção contra riscos extremos — como guerras ou hiperinflação —, como forma de diversificação em dólar e como abrigo em horizontes de décadas.
Já metais como platina, paládio e ródio funcionam de uma maneira mais específica.
“Embora tecnicamente acessível a qualquer pessoa com uma conta internacional, esse tipo de exposição é mais indicado para investidores experientes e com maior tolerância ao risco”, afirma Matheus Cabral, private banker da Guardian Capital.
Segundo ele, a necessidade de operar no exterior, a complexidade tributária, a alta volatilidade e a dependência de setores industriais específicos exigem um conhecimento que o investidor comum geralmente não possui.
Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, reforça que “a volatilidade desses metais é significativamente maior do que a do ouro, exigindo uma análise profunda de ciclos industriais e de dados de produção de países como Rússia e África do Sul”.
Funciona assim: o ouro é como uma moeda de reserva guardada no cofre para se proteger de tempestades globais. Já os outros metais são como peças fundamentais de uma máquina: se a tecnologia muda, o valor pode oscilar drasticamente.
A recomendação média entre especialistas consultados pelo Seu Dinheiro é alocar entre 5% e 10% do patrimônio total em metais preciosos em carteiras brasileiras. Investidores mais conservadores costumam reduzir essa exposição para algo entre 2% e 5%. Já perfis mais agressivos, como Ray Dalio, o fundador da Bridgewater Associates, podem sugerir até 15%.
É importante frisar que essas orientações se referem, em sua maior parte, ao ouro. Para metais mais voláteis e com maior risco, a parcela dedicada deve ser bem menor e ficar dentro do limite total recomendado para metais preciosos.
O ajuste entre metais e outros ativos de proteção ocorre pela complementaridade de funções: cada instrumento desempenha um papel distinto na preservação e diversificação do patrimônio.
“O ouro atua como hedge em crises sistêmicas, a renda fixa oferece estabilidade e previsibilidade, os fundos multimercados buscam retornos descorrelacionados, enquanto os metais industriais funcionam mais como uma aposta em ciclos de crescimento econômico do que como proteção principal”, diz Cabral, da Guardian Capital.
Para Thomas Monteiro, estrategista-chefe do Investing.com, faz sentido incluir esse tipo de metal na carteira em cenários de crescimento industrial ou quando o investidor acredita que existe uma expansão de demanda precificável para essas commodities.
A forma mais eficiente de investir nos metais preciosos a partir do Brasil é via mercado financeiro, por meio da B3 (bolsa brasileira) ou de contas globais. Aqui estão as principais opções:
1. Metal físico
A forma mais tradicional é a compra direta de barras (bullion) ou moedas soberanas (como a American Eagle ou a Krugerrand).
2. Brazilian Depositary Receipts (BDRs) de mineradoras
Os BDRs são certificados negociados na B3 que representam ações de empresas estrangeiras. Em vez de deter o metal, você investe nas empresas que o extraem.
Como o custo de mineração é relativamente fixo, qualquer alta no preço do metal costuma alavancar significativamente os lucros dessas companhias.
Na bolsa brasileira, as opções, de acordo com os especialistas, incluem:
3. Exchange Traded Funds (ETFs) na B3
Os ETFs são fundos de investimento cujas cotas são negociadas em bolsa, como se fossem ações, e são considerados a maneira mais eficaz de investir em metais preciosos.
Eles permitem a exposição ao preço do ativo sem a necessidade de gerenciar o armazenamento físico, além de terem baixas taxas de administração.
No mercado brasileiro, ainda não há ETFs listados diretamente para metais como paládio ou ródio; para estes, o investidor deve recorrer aos BDRs ou ao mercado internacional.
4. Contas globais
Para investidores que buscam metais raros ou cestas diversificadas com menor custo operacional, abrir uma conta de investimentos no exterior (via plataformas como Avenue, Inter ou Nomad) é o passo mais eficiente. Nos EUA, o mercado é muito mais completo:
A diversificação em metais preciosos é recomendada, as opções são várias, mas os especialistas afirmam que as barreiras não devem ser ignoradas.
“Enquanto o ouro possui uma regulação clara e liquidez abundante, metais como o ródio sofrem com uma volatilidade extrema e um mercado secundário muito restrito. O custo de oportunidade e os spreads de câmbio na remessa de capital para o exterior são os principais ‘pedágios’”, afirma Ângelo Belitardo, gestor da Hike Capital.
Além disso, dependendo do ativo escolhido, o investidor pode se deparar com liquidez restrita ou custos altos de transação.
Em custos, o investidor enfrenta o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 1,1% a 3,5% na conversão de câmbio, taxas de corretagem internacional e a tributação de 15% sobre ganhos de capital no exterior.
Em regulamentação, é obrigatório ter conta em corretora internacional e fazer a declaração detalhada de bens e ganhos no Imposto de Renda (IR), o que adiciona uma camada de complexidade burocrática.
“A necessidade de operar no exterior, a complexidade tributária — IOF e IR sobre ganhos —, a alta volatilidade e a dependência de um setor industrial específico exigem um conhecimento que o investidor comum geralmente não possui. Para a pessoa física comum, o ouro — via GOLD11 na B3 — ainda é a porta de entrada mais simples e segura para o mundo dos metais preciosos”, diz Cabral, Guardian Capital.
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