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SETOR AGRÍCOLA

Deu um passo atrás? SLC Agrícola (SLCE3) fecha compra de terras no Mato Grosso e ação sobe, mas XP e JP Morgan fazem um alerta

A compra de terras da SLC deve ser três vezes menor do que o acordo previsto anteriormente; analistas veem operação como positiva, mas enxergam riscos

Plantação de soja e logo da SLC Agrícola (SLCE3)
SLC Agrícola (SLCE3) - Imagem: iStock/wsfurlan/Divulgação - Montagem: Giovanna Figueredo

A SLC Agrícola (SLCE3) deu um passo atrás sobre a compra bilionária do portfólio de terras "Bloco Mato Grosso", do Grupo Radar — empresa ligada à Cosan (CSAN3). Após vencer a disputa que daria direito de adquirir 28,8 mil hectares agricultáveis, no valor de R$ 1,85 bilhão, a SLC anunciou que ficará com uma área três vezes menor que a estimada anteriormente.

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Em comunicado, a companhia afirmou que deve ficar com 8,9 mil hectares agricultáveis do portfólio localizado no estado do Mato Grosso, por R$ 669,04 milhões, incluindo a infraestrutura existente, como silos, algodoeira e outras benfeitorias operacionais.

A discussão anterior era de aquisição de todo o Bloco Mato Grosso, composto por aproximadamente 41,2 mil hectares físicos. Porém, outros arrendatários também tinham direito no portfólio. Durante o processo de negociação, houve a redução da parte que ficaria com a SLC.

No combinado atual, o pagamento será realizado em duas etapas:

  • Uma primeira parcela de R$ 255,1 milhões na assinatura do acordo; e
  • O restante, R$ 413,8 milhões, até 30 de outubro de 2026.

A negociação ainda depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), mas o anúncio já foi suficiente para animar os investidores.

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Às 13h55 desta quinta-feira (9), as ações da SLC Agrícola reagem em alta de 3,56%. Cabe destacar que, embora seja feriado na cidade de São Paulo, a bolsa de valores funciona normalmente.

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Apesar da reação positiva do mercado, analistas ainda enxergam a compra com cautela.

Copo meio cheio ou vazio?

Na visão da corretora XP, a negociação com o Grupo Radar continua atrativa do ponto de vista operacional. Isso porque, ao se tornar proprietária, a SLC garante terras produtivas que já fazem parte das áreas onde a empresa opera.

Antes mesmo desse acordo, a SLC já cultivava soja, milho e algodão nessas terras por meio de contratos de arrendamento no Bloco Mato Grosso, em uma área de 17,6 mil hectares.

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Com a compra dos 8,9 mil hectares, os outros 8,7 mil hectares devem continuar no modelo de arrendamento.

Além disso, os analistas destacam que a diminuição do valor, de R$ 1,85 bilhão para R$ 669 milhões, reduz a pressão sobre a alavancagem e o risco de problemas financeiros.

Porém, em termos de valuation, a XP avalia que a transação no acordo atual parece mais cara. Mesmo pagando menos no total, o valor por hectare se tornou maior.

No novo modelo, cada hectare agricutável custa R$ 72 mil. Antes, o valor seria de R$ 64 mil por hectare. “Ainda assim, o maior preço implícito por hectare é parcialmente compensado pelo menor tamanho da aquisição”, afirmam os analistas da corretora.

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No entanto, a XP reforça a cautela com o cenário do setor agrícola e tem recomendação neutra para a ação da SLC Agrícola.

Já os analistas do JP Morgan também destacam que o novo acordo reduz a necessidade de financiamento e o impacto sobre a alavancagem em relação ao cenário anterior. Porém, o banco prefere manter recomendação neutra para o papel SLCE3.

Na visão da equipe de análise, ainda existe o debate sobre se a SLC deveria usar recursos para comprar mais terras ou priorizar alternativas como reduzir dívidas e distribuir mais caixa aos acionistas.

Somado aos riscos climáticos ligados ao El Niño, os analistas entendem que a operação melhora o cenário, mas não o suficiente para justificar uma recomendação mais otimista para a ação.

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