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APETITE MUDOU DE MESA

Gringos fogem do Brasil para duas bolsas na Ásia — e BofA revela a razão para isso

No acumulado de 2026, R$ 10 bilhões deixaram o mercado brasileiro, segundo cálculos do Bank of America

Fonte de montes de dólares, formando montanhas, e um homem no topo, com uma bandeira fincada
Imagem: iStock/DNY59

O Ibovespa subiu 3.400 pontos em um minuto nesta sexta-feira (10), mas o índice ainda está longe da performance do início do ano, quando encostou nos sonhados 200 mil pontos. E se você ainda espera uma enxurrada de dólares para embalar a bolsa brasileira, é melhor puxar o freio de mão.  

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Estudo do Bank of America (BofA) mostra que o investidor estrangeiro continua olhando para o Brasil e para a América Latina com uma boa dose de gelo. 

Enquanto fundos dedicados à América Latina sofrem com a seca, mercados emergentes que respiram tecnologia estão operando como verdadeiros ímãs de capital. 

A sangria continua (mas com um leve respiro) 

Para entender o tamanho da debandada, precisamos olhar para o histórico recente. O investidor internacional não está ensaiando uma saída — ele já está com as malas prontas há três anos. 

No acumulado de 2026, R$ 10 bilhões deixaram o mercado brasileiro, segundo cálculos do Bank of America. Embora o número assuste, o ritmo diminuiu na comparação com o passado recente, como mostra o histórico de saldo negativo: 

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  • 2024: -R$ 30 bilhões 
  • 2025: -R$ 48 bilhões 
  • 2026 (YTD): -R$ 10 bilhões 

Mas nem tudo foi tragédia. Recentemente, os fundos de ações no Brasil registraram uma entrada tímida de US$ 100 milhões. Parece pouco, mas quebra a tendência dolorosa do primeiro trimestre de 2026, quando o mercado sangrava, em média, R$ 600 milhões por semana. 

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Se o dinheiro está saindo daqui, para onde ele vai? A resposta está na Ásia. Enquanto o Brasil e os vizinhos latinos ficam de escanteio, os mercados emergentes (excluindo a China) registraram uma entrada de US$ 3,3 bilhões em apenas uma semana. 

O fluxo global está rotacionando pesadamente para países como Coreia do Sul e Taiwan. O motivo é simples: o investidor global está obstinado por inteligência artificial, semicondutores e tecnologia de ponta.  

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Diante desse banquete tecnológico, o cardápio da América Latina — focado majoritariamente em commodities e bancos — acaba perdendo o brilho. 

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Cabo de guerra nas bolsas

Sem o fluxo estrangeiro pesado para inflar todas as ações sem distinção, o mercado brasileiro virou um jogo de escolhas cirúrgicas.  

O impacto dessa escassez de dólar fica evidente quando analisamos dois filtros quantitativos acompanhados pelos analistas do BofA: as empresas de crescimento contra as empresas de valor. 

  1. As sete maravilhas (viés de crescimento) 

Inspirada nas gigantes de tecnologia norte-americanas, esta cesta reúne empresas com forte tese de crescimento, digitalização ou eficiência: Mercado Livre, Nubank, Weg, BTG Pactual, Raia Drogasil, Localiza e Itaú. 

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  • Resultado: nadou contra a corrente e avançou 1% na semana. 

2. As sete inesquecíveis (viés de valor) 

Esta seleção é composta pelas velhas conhecidas do mercado, gigantes tradicionais e estatais focadas em valor e commodities: Petrobras, Vale, JBS, Banco do Brasil, Ambev, Bradesco e Gerdau.  

Por serem papéis historicamente muito visados pelo investidor estrangeiro, eles sentem mais a falta do fluxo externo. 

  • Resultado: sentiu o peso do desinteresse global e recuou 0,2% no mesmo período. 
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