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Ibovespa recua com juros e guerra no radar, enquanto petróleo dispara e amplia incertezas globais; Eneva lidera ganhos com salto de quase 25%, enquanto Minerva puxa perdas após resultado fraco, e dólar fecha a semana em leve queda mesmo com pressão no fim
O Ibovespa voltou a solfrer na semana, pressionado por decisões de política monetária e pelas incertezas em torno da duração e dos impactos do conflito no Oriente Médio. O principal índice da bolsa brasileira acumulou queda de 0,81% no período e encerrou a última sessão aos 176.219,40 pontos, com Eneva (ENEV3) liderando a ponta positiva e Minerva (BEEF3) do lado oposto.
No câmbio, o dólar à vista (USDBRL) até ganhou força no fim da semana, mas não sustentou o movimento no acumulado: a moeda fechou cotada a R$ 5,3092, com leve recuo de 0,13% frente ao real.
O cenário externo continou a concentrar as atenções, com tentativas dos Estados Unidos em conseguir aliados para reabrir o Estreito de Ormuz – controlado pelo Irã. No final da tarde da sexta-feira (20), o presidente norte-americano, Donald Trump, disse que “está no processo de resolver a situação no Irã”, mas sem mencionar uma perspectiva de cessar-fogo.
Com a escalada dos conflitos, os preços do petróleo Brent dispararam 8,77% nesta semana, a quinta alta semanal consecutiva.
A disparada recente dos preços do petróleo acendeu um sinal de alerta nos Bancos Centrais. O Banco Central da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês), por exemplo, ressaltou que o conflito no Oriente Médio pode causar aumento na inflação no curto prazo – o que seria um novo choque na economia global.
No cenário doméstico, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, formalizou a saída da pasta após mais de três anos de gestão para concorrer à eleição do governo do Estado de São Paulo. Dario Durigan assumiu como novo ministro da Fazenda.
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Além disso, o governo publicou a medida provisória (MP) que endurece as regras para o cumprimento do piso mínimo do frete no transporte rodoviário de cargas. As medidas foram anunciadas antes pelo ministro dos Transportes, Renan Filho, na tentativa de evitar uma greve dos caminhoneiros.
Na última quarta-feira (18), o Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos Estados Unidos) manteve os juros inalterados em 3,50% a 3,75% ao ano, pela segunda vez consecutiva e seguindo o consenso do mercado.
Na coletiva de imprensa, o presidente do Fed, Jerome Powell, afirmou que a chance de elevar os juros na próxima reunião foi debatida, em meio aos temores quanto aos impactos econômicos da guerra no Irã. “O assunto surgiu hoje. A possibilidade de que nosso próximo passo possa ser um aumento foi, sim, levantada na reunião, tal como ocorreu no encontro anterior”, disse.
Além da decisão, o Fed divulgou o sumário de projeção econômica (SEP) e o gráfico de pontos – conhecido como ‘dot plot‘ –, que são atualizados trimestralmente. De acordo com o SEP, o Fed prevê apenas um corte nos juros ao longo de 2026.
A mediana para o Fed Funds foi mantida em 3,4% neste ano, o que sugere a taxa de juros no intervalo de 3,25% a 3,50% em dezembro. Contudo, o mercado zerou as apostas de flexibilização dos juros ao longo de 2026 e passou a precificar a retomada de cortes apenas no segundo semestre de 2027.
No Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) cortou a Selic de 15,00% para 14,75% ao ano. Essa foi a primeira flexibilização do Banco Central desde julho, em linha com o esperado pelo mercado.
No comunicado, os diretores do Copom afirmaram que o ambiente externo tornou-se mais incerto, em função do acirramento de conflitos geopolíticos no Oriente Médio. Segundo o Comitê, o cenário exige cautela por parte dos países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities.
Os diretores também afirmaram que o BC está dando início a um ciclo de “calibração” da política monetária, mas reforçaram o “forte aumento da incerteza” e o “distanciamento adicional” das projeções de inflação em relação à meta.
A ponta positiva do Ibovespa foi liderada por Eneva (ENEV3) com alta de quase 25%, que parte o mercado já 'profetizava' que poderia acontecer há um bom tempo. As ações foram impulsionadas pelo leilão de reserva de capacidade (LRCap), evento aguardado há anos pelo setor de energia.
Em teleconferência para comentar os resultados do leilão para a empresa, o CEO Lino Cançado destacou que o Brasil continuará precisando de mais capacidade firme para o sistema elétrico no longo prazo.
“Enquanto o leilão garantiu uma parcela importante de capacidade para o sistema, ainda falta potência para fechar a conta do sistema até o final do ano de 2035 e nos anos que se seguirão. Mais do que nunca, a Eneva está preparada para endereçar essas necessidades de forma competitiva”, disse.
Confira as maiores altas da semana:
| CÓDIGO | NOME | VARIAÇÃO SEMANAL |
| ENEV3 | Eneva ON | 24,70% |
| PRIO3 | PRIO ON | 17,46% |
| NATU3 | Natura ON | 6,35% |
| CPLE3 | Copel ON | 5,25% |
| CSNA3 | CSN ON | 4,72% |
| CMIG4 | Cemig PN | 4,44% |
| HYPE3 | Hypera ON | 3,36% |
| HAPV3 | Hapvida ON | 3,34% |
| SBSP3 | Sabesp ON | 2,78% |
| VIVA3 | Vivara ON | 2,36% |
Já a ponta negativa foi encabeçada por Minerva Foods (BEEF3), em reação aos números do quarto trimestre de 2025 (4T25).
A companhia registrou um lucro líquido de R$ 85 milhões no 4T25, revertendo o prejuízo de R$ 1,567 bilhão no mesmo trimestre de 2024. No acumulado de 2025, o lucro totalizou R$ 848,3 milhões, o maior patamar registrado pela companhia.
Na avaliação da XP Investimentos, a Minerva entregou resultados abaixo do esperado, o que deve levar a revisões negativas nas estimativas de lucro.
O principal destaque negativo foi a fraqueza no Brasil, com volumes de carne bovina recuando 8% na comparação trimestral e ficando abaixo das projeções da casa, refletindo um ambiente de consumo doméstico mais pressionado. Veja as maiores quedas da semana:
| CÓDIGO | NOME | VARIAÇÃO SEMANAL |
| BEEF3 | Minerva ON | -15,74% |
| MGLU3 | Magazine Luiza ON | -10,71% |
| BRKM5 | Braskem PN | -10,13% |
| VAMO3 | Vamos ON | -9,63% |
| MRVE3 | MRV ON | -6,77% |
| CYRE4 | Cyrela PN | -6,63% |
| ENGI11 | Energisa units | -6,54% |
| SUZB3 | Suzano ON | -6,03% |
| CSAN3 | Cosan ON | -5,90% |
| CYRE3 | Cury ON | -5,76% |
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