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Monique Lima

Monique Lima

Monique Lima é jornalista com atuação em renda fixa, finanças pessoais, investimentos e economia, com passagem por veículos como VOCÊ S/A, Forbes, InfoMoney e Suno Notícias. Formada em Jornalismo em 2020, atualmente, integra a equipe do Seu Dinheiro como repórter, produzindo conteúdos sobre renda fixa, crédito privado, Tesouro Direto, previdência privada e movimentos relevantes do mercado de capitais.

CARTEIRA RECOMENDADA

Renda fixa em junho: Tesouro IPCA+ e debênture da Sabesp são destaques; indicações incluem títulos isentos como CRIs, LCAs e a nova LCD

Veja o que BB Investimentos, BTG Pactual, Itaú BBA e XP recomendam comprar na renda fixa em junho

Monique Lima
Monique Lima
10 de junho de 2025
7:00 - atualizado às 19:09
Calculadora e cédulas de real
Valor do novo salário mínimo altera contribuição para MEI. - Imagem: iStock

Maio foi um mês tranquilo para os títulos de renda fixa, segundo os principais bancos e corretoras que fazem carteiras recomendadas para a classe de ativos. Entretanto, junho deve ser o oposto. 

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Títulos isentos, como Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) e do Agronegócio (LCAs), Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e do Agronegócio (CRAs), além das debêntures incentivadas, estão em vias de perder seus benefícios tributários

O governo federal e o Congresso Nacional cogitam criar uma alíquota menor de Imposto de Renda para esses investimentos de renda fixa, de 5%. 

Não há nada definido até o momento. A Medida Provisória ainda será entregue aos parlamentares e debatida em Plenário. 

Caso seja aprovada, a tributação valerá para as emissões posteriores à publicação do texto. Isso significa uma grande oportunidade para os títulos que já estão no mercado e vão manter a sua isenção. 

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Segundo o Itaú BBA, BB Investimentos, BTG Pactual e XP, as expectativas de inflação melhoraram ao longo do último mês e, neste cenário, ativos atrelados ao indicador IPCA+ (principal índice de inflação do Brasil) são recomendados para proteção da carteira e valorização no preço diante da desinflação esperada. 

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Crédito privado, por meio de debêntures incentivadas, CRIs e CRAs, com bons ratings e médio prazo, é visto como uma alternativa atrativa para renda fixa, negociando com prêmios interessantes. 

No mais, a taxa básica de juros (taxa Selic) continua em níveis elevados, com a possibilidade de subir ainda mais, para 15% ao ano, na reunião da próxima semana. As carteiras recomendadas indicam títulos de curto prazo atrelados ao CDI para capturar esses ganhos, como Tesouro Selic e CDBs. 

Debêntures incentivadas, CRIs e CRAs: Sabesp e PRIO são os emissores em destaque 

Entre as carteiras recomendadas de renda fixa de bancos e corretoras, duas empresas foram destaques no mês de junho: Sabesp (SBSP3) e PRIO (PRIO3)

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A empresa de saneamento apareceu nas recomendações do Itaú BBA e da XP Investimentos, com a debênture incentivada de vencimento em janeiro de 2035 (SBSPE3). Com retorno entre 6,5% e 6,7% ao ano + IPCA, o ativo é para investidores qualificados, isto é, aqueles com mais de R$ 1 milhão em aplicações financeiras. 

No relatório, o BBA destaca que o perfil de crédito da Sabesp é robusto e tem uma perspectiva positiva, sustentada pela consistente geração de caixa operacional, demanda resiliente e incentivos de eficiência operacional.

Já a PRIO foi uma escolha em comum para o BTG Pactual e o Itaú BBA

No caso do BTG, os analistas do banco recomendaram dois ativos da empresa, as debêntures PEJA11 e PEJA22, com vencimento em 2032 e 2034, respectivamente. Ambos os títulos são atrelados ao IPCA, com juro real de 7,30% para o vencimento mais curto e de 7,22% para o vencimento de 2034. 

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O relatório aponta três motivos para essa recomendação: liderança no setor de óleo e gás entre os produtores independentes; alavancagem baixa comparada aos concorrentes e maior diversificação do portfólio. 

O BBA, por sua vez, selecionou apenas a debênture PEJA22 para sua carteira de renda fixa, destacando que a alta rentabilidade da PRIO, quando comparada aos pares, lhe confere maior resiliência de fluxos de caixa para navegar o mercado naturalmente volátil de óleo e gás. 

Assim como as debêntures da Sabesp, os títulos da PRIO também são para investidores qualificados

Títulos bancários: XP recomenda renda fixa LCD e LCA

A novidade entre as recomendações de títulos bancários é a Letra de Crédito de Desenvolvimento (LCD) que entrou na seleção da XP. 

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Lançada ao final de 2024, a LCD financia projetos de desenvolvimento pelo país e são isentas de Imposto de Renda — até o momento. 

A XP recomendou em junho a LCD do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE). O título rende 94% do CDI e tem vencimento em maio de 2029. Aberto para o público geral, o papel conta com a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). 

Já a LCA escolhida em junho é figurinha carimbada na carteira da XP nos últimos meses. Trata-se da LCA do Sicoob. O título vence em 2028 e paga 91% do CDI, sem IR.

  • Lembrando que essas são as remunerações que estão disponíveis na plataforma da XP, podendo variar a depender da instituição financeira por meio da qual se adquire o papel.

Títulos públicos para junho: Tesouro IPCA+ com uma pitada de Selic

Os títulos públicos indexados à inflação continuam sendo a preferência dos analistas para prazos médios e longos. Segundo o Itaú BBA, seguem como a principal alternativa para capturar o processo de desinflação previsto para os próximos anos, sem abrir mão de proteção contra surpresas inflacionárias.

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As taxas, ainda na faixa de 7% ao ano, além da correção da inflação, são apontadas como atrativas para fixar esse retorno e carregar até o vencimento. O Itaú BBA gosta de um dos títulos mais longos: o Tesouro IPCA+ 2040

O título está disponível no Tesouro Direto, com um retorno de 7,02% ao ano na última segunda-feira (9), no caso de o investidor carregar o papel até o vencimento. 

Além de Tesouro IPCA+, o banco também recomenda Tesouro Selic 2028 e Tesouro Prefixado 2028

No caso do Tesouro Selic 2028, o BBA destaca que o retorno nominal dos juros está muito alto, na faixa dos 14,75% — podendo chegar a 15% —, e deve continuar assim até meados de 2026. Essa rentabilidade somada à baixa volatilidade é vista como muito atrativa. 

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Já o Tesouro Prefixado 2028 é recomendado para os casos de investimento com horizonte curto, não superior a dois anos. 

Ambos os papéis estão disponíveis no Tesouro Direto, com retornos de Selic (14,75%) + 0,06% ao ano e prefixado em 13,75% ao ano, na última segunda (9). 

Na seleção da XP Investimentos, o Tesouro Selic também aparece, mas são os títulos públicos atrelados à inflação que se destacam, com três recomendações: IPCA+ 2028, IPCA+ 2033 e uma NTN-C, com vencimento em 2031 e atrelada ao IGP-M. 

O título atrelado ao IGP-M é uma novidade. Trata-se de uma papel que o governo não emite há mais de 20 anos, de modo que sua liquidez no mercado é muito baixa, e ele só é negociado no mercado secundário — entre investidores.  

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O relatório da XP classifica o ativo como uma diversificação interessante dentro do escopo de títulos de inflação. O IGP-M é o índice de preços que baliza o mercado imobiliário, principalmente. 

Os títulos de inflação indicados pela XP, inclusive os IPCA+, não estão disponíveis na plataforma do Tesouro Direto, sendo necessário investir neles via secundário, diretamente por meio da mesa de operações da corretora. Eles remuneram entre 6,7% e 7,3%.

Veja a carteira de renda fixa de cada instituição: 

BTG Pactual

TítuloData de vencimentoRetornoRating local
Debênture Prio (PEJA11)15/08/2032IPCA+ 7,30%AA+
Debênture Prio (PEJA22)15/02/2034IPCA+ 7,22%AA+
Debênture Rota das Bandeiras (CBAN12)15/07/2034IPCA+ 7,55%AAA
Debênture Rota das Bandeiras (CBAN32)15/07/2034IPCA+ 7,51%AAA
Debênture Hélio Valgas (HVSP11)15/06/2038NDAAA
Debênture Linhas de Taubaté Transmissora (LTTE15)15/10/2038IPCA+ 7,24%AAA
Debênture Itapoá (ITPO14)15/11/2036IPCA+ 7,38%AA-
Debênture Itapoá (ITPO15)15/05/2040NDAA-
Debênture Iguá Rio de Janeiro (IRJS15)15/02/2044IPCA+ 8,58%AAA
CRA Madero (CRA02300MZT)29/10/2029CDI+ 2,50%A
(ND): título para investidores profissionais, sem indicação de remuneração no aplicativo. 
Retorno verificado no dia 09 de junho de 2024. 
Fonte: BTG Pactual.

Itaú BBA 

TítuloData de vencimentoRetornoRating local
CRI GrupoMateus (22C1362141)*17/07/2034IPCA+8,1%AAA
Debênture Prio (PEJA22)*15/02/2034IPCA+7,1%AAA
Debênture Sabesp (SBSPE3)*15/01/2035IPCA+6,7%AAA
CRA Atacadão(CRA022008SZ)16/08/2027IPCA + 7,7%AAA
CRI YDUQS (23J1142506)15/10/2030IPCA + 7,5%AAA
Debêntures Taesa (TAEEC4)15/09/2038IPCA+6,6%AAA
Tesouro Selic 202801/03/2028Selic + 0,0578%-
Tesouro Prefixado2028 01/01/202813,75%-
Tesouro IPCA+204015/08/2040IPCA + 7,02%-
*Título para investidor qualificado
Retorno verificado no dia 09 de junho de 2024. 
Fonte: Itaú BBA.

 BB Investimentos 

TítuloData de vencimento
Debênture Equatorial Goiás (CGOS16)*15/03/2036
Debênture Equatorial Goiás (CGOS28)*15/09/2036
Debênture Eletrobras (ELET14)15/09/2031
Debênture Eneva (ENEV15)*15/06/2030
Debênture Isa Energia Brasil (TRPLA4)15/10/2033
CRA BRF (CRA020002H1)*15/07/2030
CRA Boa Safra (CRA02500001)*15/01/2030
CRA Marfrig (CRA024009Q4)16/10/2034
*Título para investidor qualificado
Fonte: BB Investimentos

XP Investimentos 

TítuloData de vencimentoRetornoRating local
Tesouro Selic 202801/03/2028Selic + 0,1% -
Tesouro IPCA+ 202815/08/2028IPCA + 7,3%-
Tesouro IPCA+ 203315/05/2033IPCA + 6,9%-
NTN-C 203101/01/2031IGP-M + 6,7%-
LCA Sicoob07/05/202890% do CDI AAA
LCD BRDE25/05/202994% do CDIAA-
Debênture Rumo (RUMOA4)15/04/2030IPCA + 6,9%AAA
CRI Cyrela (25D0012203)15/04/2030 95% do CDIAAA
CRA Mineva (CRA025002S3)15/04/203014,2%AA+ 
Debênture Sabesp (SBSPE3)*15/01/2035IPCA + 6,5%AAA
*Título para investidor qualificado
Retorno indicado pela XP em relatório. 
Fonte: XP Investimentos

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