Renda fixa em junho: Tesouro IPCA+ e debênture da Sabesp são destaques; indicações incluem títulos isentos como CRIs, LCAs e a nova LCD
Veja o que BB Investimentos, BTG Pactual, Itaú BBA e XP recomendam comprar na renda fixa em junho

Maio foi um mês tranquilo para os títulos de renda fixa, segundo os principais bancos e corretoras que fazem carteiras recomendadas para a classe de ativos. Entretanto, junho deve ser o oposto.
Títulos isentos, como Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) e do Agronegócio (LCAs), Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e do Agronegócio (CRAs), além das debêntures incentivadas, estão em vias de perder seus benefícios tributários.
O governo federal e o Congresso Nacional cogitam criar uma alíquota menor de Imposto de Renda para esses investimentos de renda fixa, de 5%.
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Não há nada definido até o momento. A Medida Provisória ainda será entregue aos parlamentares e debatida em Plenário.
Caso seja aprovada, a tributação valerá para as emissões posteriores à publicação do texto. Isso significa uma grande oportunidade para os títulos que já estão no mercado e vão manter a sua isenção.
Segundo o Itaú BBA, BB Investimentos, BTG Pactual e XP, as expectativas de inflação melhoraram ao longo do último mês e, neste cenário, ativos atrelados ao indicador IPCA+ (principal índice de inflação do Brasil) são recomendados para proteção da carteira e valorização no preço diante da desinflação esperada.
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Crédito privado, por meio de debêntures incentivadas, CRIs e CRAs, com bons ratings e médio prazo, é visto como uma alternativa atrativa para renda fixa, negociando com prêmios interessantes.
No mais, a taxa básica de juros (taxa Selic) continua em níveis elevados, com a possibilidade de subir ainda mais, para 15% ao ano, na reunião da próxima semana. As carteiras recomendadas indicam títulos de curto prazo atrelados ao CDI para capturar esses ganhos, como Tesouro Selic e CDBs.
Debêntures incentivadas, CRIs e CRAs: Sabesp e PRIO são os emissores em destaque
Entre as carteiras recomendadas de renda fixa de bancos e corretoras, duas empresas foram destaques no mês de junho: Sabesp (SBSP3) e PRIO (PRIO3).
A empresa de saneamento apareceu nas recomendações do Itaú BBA e da XP Investimentos, com a debênture incentivada de vencimento em janeiro de 2035 (SBSPE3). Com retorno entre 6,5% e 6,7% ao ano + IPCA, o ativo é para investidores qualificados, isto é, aqueles com mais de R$ 1 milhão em aplicações financeiras.
No relatório, o BBA destaca que o perfil de crédito da Sabesp é robusto e tem uma perspectiva positiva, sustentada pela consistente geração de caixa operacional, demanda resiliente e incentivos de eficiência operacional.
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Já a PRIO foi uma escolha em comum para o BTG Pactual e o Itaú BBA.
No caso do BTG, os analistas do banco recomendaram dois ativos da empresa, as debêntures PEJA11 e PEJA22, com vencimento em 2032 e 2034, respectivamente. Ambos os títulos são atrelados ao IPCA, com juro real de 7,30% para o vencimento mais curto e de 7,22% para o vencimento de 2034.
O relatório aponta três motivos para essa recomendação: liderança no setor de óleo e gás entre os produtores independentes; alavancagem baixa comparada aos concorrentes e maior diversificação do portfólio.
O BBA, por sua vez, selecionou apenas a debênture PEJA22 para sua carteira de renda fixa, destacando que a alta rentabilidade da PRIO, quando comparada aos pares, lhe confere maior resiliência de fluxos de caixa para navegar o mercado naturalmente volátil de óleo e gás.
Assim como as debêntures da Sabesp, os títulos da PRIO também são para investidores qualificados
Títulos bancários: XP recomenda renda fixa LCD e LCA
A novidade entre as recomendações de títulos bancários é a Letra de Crédito de Desenvolvimento (LCD) que entrou na seleção da XP.
Lançada ao final de 2024, a LCD financia projetos de desenvolvimento pelo país e são isentas de Imposto de Renda — até o momento.
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A XP recomendou em junho a LCD do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE). O título rende 94% do CDI e tem vencimento em maio de 2029. Aberto para o público geral, o papel conta com a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Já a LCA escolhida em junho é figurinha carimbada na carteira da XP nos últimos meses. Trata-se da LCA do Sicoob. O título vence em 2028 e paga 91% do CDI, sem IR.
- Lembrando que essas são as remunerações que estão disponíveis na plataforma da XP, podendo variar a depender da instituição financeira por meio da qual se adquire o papel.
Títulos públicos para junho: Tesouro IPCA+ com uma pitada de Selic
Os títulos públicos indexados à inflação continuam sendo a preferência dos analistas para prazos médios e longos. Segundo o Itaú BBA, seguem como a principal alternativa para capturar o processo de desinflação previsto para os próximos anos, sem abrir mão de proteção contra surpresas inflacionárias.
As taxas, ainda na faixa de 7% ao ano, além da correção da inflação, são apontadas como atrativas para fixar esse retorno e carregar até o vencimento. O Itaú BBA gosta de um dos títulos mais longos: o Tesouro IPCA+ 2040.
O título está disponível no Tesouro Direto, com um retorno de 7,02% ao ano na última segunda-feira (9), no caso de o investidor carregar o papel até o vencimento.
Além de Tesouro IPCA+, o banco também recomenda Tesouro Selic 2028 e Tesouro Prefixado 2028.
No caso do Tesouro Selic 2028, o BBA destaca que o retorno nominal dos juros está muito alto, na faixa dos 14,75% — podendo chegar a 15% —, e deve continuar assim até meados de 2026. Essa rentabilidade somada à baixa volatilidade é vista como muito atrativa.
Já o Tesouro Prefixado 2028 é recomendado para os casos de investimento com horizonte curto, não superior a dois anos.
Ambos os papéis estão disponíveis no Tesouro Direto, com retornos de Selic (14,75%) + 0,06% ao ano e prefixado em 13,75% ao ano, na última segunda (9).
Na seleção da XP Investimentos, o Tesouro Selic também aparece, mas são os títulos públicos atrelados à inflação que se destacam, com três recomendações: IPCA+ 2028, IPCA+ 2033 e uma NTN-C, com vencimento em 2031 e atrelada ao IGP-M.
O título atrelado ao IGP-M é uma novidade. Trata-se de uma papel que o governo não emite há mais de 20 anos, de modo que sua liquidez no mercado é muito baixa, e ele só é negociado no mercado secundário — entre investidores.
O relatório da XP classifica o ativo como uma diversificação interessante dentro do escopo de títulos de inflação. O IGP-M é o índice de preços que baliza o mercado imobiliário, principalmente.
Os títulos de inflação indicados pela XP, inclusive os IPCA+, não estão disponíveis na plataforma do Tesouro Direto, sendo necessário investir neles via secundário, diretamente por meio da mesa de operações da corretora. Eles remuneram entre 6,7% e 7,3%.
Veja a carteira de renda fixa de cada instituição:
BTG Pactual
| Título | Data de vencimento | Retorno | Rating local |
|---|---|---|---|
| Debênture Prio (PEJA11) | 15/08/2032 | IPCA+ 7,30% | AA+ |
| Debênture Prio (PEJA22) | 15/02/2034 | IPCA+ 7,22% | AA+ |
| Debênture Rota das Bandeiras (CBAN12) | 15/07/2034 | IPCA+ 7,55% | AAA |
| Debênture Rota das Bandeiras (CBAN32) | 15/07/2034 | IPCA+ 7,51% | AAA |
| Debênture Hélio Valgas (HVSP11) | 15/06/2038 | ND | AAA |
| Debênture Linhas de Taubaté Transmissora (LTTE15) | 15/10/2038 | IPCA+ 7,24% | AAA |
| Debênture Itapoá (ITPO14) | 15/11/2036 | IPCA+ 7,38% | AA- |
| Debênture Itapoá (ITPO15) | 15/05/2040 | ND | AA- |
| Debênture Iguá Rio de Janeiro (IRJS15) | 15/02/2044 | IPCA+ 8,58% | AAA |
| CRA Madero (CRA02300MZT) | 29/10/2029 | CDI+ 2,50% | A |
Retorno verificado no dia 09 de junho de 2024.
Fonte: BTG Pactual.
Itaú BBA
| Título | Data de vencimento | Retorno | Rating local |
|---|---|---|---|
| CRI GrupoMateus (22C1362141)* | 17/07/2034 | IPCA+8,1% | AAA |
| Debênture Prio (PEJA22)* | 15/02/2034 | IPCA+7,1% | AAA |
| Debênture Sabesp (SBSPE3)* | 15/01/2035 | IPCA+6,7% | AAA |
| CRA Atacadão(CRA022008SZ) | 16/08/2027 | IPCA + 7,7% | AAA |
| CRI YDUQS (23J1142506) | 15/10/2030 | IPCA + 7,5% | AAA |
| Debêntures Taesa (TAEEC4) | 15/09/2038 | IPCA+6,6% | AAA |
| Tesouro Selic 2028 | 01/03/2028 | Selic + 0,0578% | - |
| Tesouro Prefixado2028 | 01/01/2028 | 13,75% | - |
| Tesouro IPCA+2040 | 15/08/2040 | IPCA + 7,02% | - |
Retorno verificado no dia 09 de junho de 2024.
Fonte: Itaú BBA.
BB Investimentos
| Título | Data de vencimento |
|---|---|
| Debênture Equatorial Goiás (CGOS16)* | 15/03/2036 |
| Debênture Equatorial Goiás (CGOS28)* | 15/09/2036 |
| Debênture Eletrobras (ELET14) | 15/09/2031 |
| Debênture Eneva (ENEV15)* | 15/06/2030 |
| Debênture Isa Energia Brasil (TRPLA4) | 15/10/2033 |
| CRA BRF (CRA020002H1)* | 15/07/2030 |
| CRA Boa Safra (CRA02500001)* | 15/01/2030 |
| CRA Marfrig (CRA024009Q4) | 16/10/2034 |
Fonte: BB Investimentos
XP Investimentos
| Título | Data de vencimento | Retorno | Rating local |
|---|---|---|---|
| Tesouro Selic 2028 | 01/03/2028 | Selic + 0,1% | - |
| Tesouro IPCA+ 2028 | 15/08/2028 | IPCA + 7,3% | - |
| Tesouro IPCA+ 2033 | 15/05/2033 | IPCA + 6,9% | - |
| NTN-C 2031 | 01/01/2031 | IGP-M + 6,7% | - |
| LCA Sicoob | 07/05/2028 | 90% do CDI | AAA |
| LCD BRDE | 25/05/2029 | 94% do CDI | AA- |
| Debênture Rumo (RUMOA4) | 15/04/2030 | IPCA + 6,9% | AAA |
| CRI Cyrela (25D0012203) | 15/04/2030 | 95% do CDI | AAA |
| CRA Mineva (CRA025002S3) | 15/04/2030 | 14,2% | AA+ |
| Debênture Sabesp (SBSPE3)* | 15/01/2035 | IPCA + 6,5% | AAA |
Retorno indicado pela XP em relatório.
Fonte: XP Investimentos
Conteúdo Empiricus
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