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Dividendos extraordinários pelo caminho? A nova recomendação de Santander e BofA para as ações da Petrobras (PETR4)

Os dois bancos dizem o que os acionistas devem fazer com o papel da estatal diante de um horizonte de preços mais baixos do petróleo

Fachada de prédio da Petrobras (PETR4)
Fachada de prédio da Petrobras (PETR4) - Imagem: iStock

As ações da Petrobras (PETR4) acumulam queda de 15% no ano em um sinal dos tropeços da estatal e, segundo grandes bancos, o horizonte para a petroleira não será tão promissor. 

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Prova disso é que Santander e Bank of America deixaram de recomendar a compra das ações da Petrobras e passaram a adotar uma indicação neutra. 

No caso do BofA, o preço-alvo também mudou: passou de R$ 42 para R$ 34 para os papéis negociados na B3 e de US$ 15,50 para US$ 12,50 para os ADRs. Já o Santander tem preço-alvo de R$ 38 para as ações negociadas na B3 e de US$ 13 para os ADRs.

Por volta de 16h30, as ações PETR4 operavam em queda de 0,84%, cotadas a R$ 29,38, enquanto PETR3 recuava 0,44%, a R$ 31,43. Em Nova York, os ADRs da estatal recuavam 0,79%, a US$ 10,54. 

Embora a Petrobras possa se beneficiar de descobertas na margem Equatorial, que podem aumentar significativamente as reservas, e as eleições presidenciais de 2026 também possam proporcionar uma melhor percepção da ação, o Santander estima que esses fatores podem ser apenas impulsionadores da ação em 2026. 

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“Rebaixamos a Petrobras para neutra, enquanto aguardamos mais esclarecimentos sobre o programa de austeridade e a estrutura de capital antes de avaliar a capacidade de dividendos para os próximos anos”, disseram os analistas Rodrigo Almeida e Eduardo Muniz, em relatório.

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Segundo o Santander, a administração está trabalhando em diversas iniciativas internas para melhorar o perfil de fluxo de caixa, incluindo ganhos de eficiência e racionalização de capex/opex, o que deve ter mais detalhes no Plano de Negócios 2026-30 que será divulgado no quarto trimestre deste ano.

Para a dupla de analistas, há pouco espaço para reduções significativas de capex no curto prazo com a maioria dos ganhos de eficiência provavelmente impactando o fluxo de caixa no segundo semestre de 2026. 

“Dado esse contexto, preferimos permanecer à margem, pois acreditamos que a margem Equatorial e eleições podem potencialmente movimentar as ações apenas em 2026 e aguardamos mais detalhes sobre o programa de austeridade e a direção estratégica da empresa”, afirmam. 

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Já o BofA justifica as  mudanças de recomendação e de preço-alvo com a perspectiva macroeconômica mais desafiadora e a elevação de riscos regulatórios.

Os analistas Caio Ribeiro, Leonardo Marcondes e Nicolas Barros citam a nova orientação da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e aliados — grupo conhecido como Opep+ — de elevar a produção para recuperar participação de mercado mesmo em um ambiente de preços baixos no cenário internacional. 

Eles também chamam atenção para as tarifas de importação adotadas pelo presidente norte-americano, Donald Trump, que devem pesar nas expectativas de crescimento econômico global. 

Segundo o trio, a guerra de tarifas e a nova orientação da Opep+ devem exercer pressões baixistas sobre o preço do petróleo, afetando diretamente a Petrobras. 

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Petrobras: dividendos no radar?

Para o Santander, a Petrobras pode ter um ambiente mais difícil no restante deste ano e em 2026 com impactos no caixa. 

"Com os preços do Brent em cerca de US$ 65 o barril para 2025 e 2026, projetamos uma variação média de 10% para o período — considerando apenas dividendos ordinários, já que não esperamos que a administração alavanque a empresa para pagar dividendos extraordinários", disseram os analistas.

A quantidade significativa de projetos colocados em operação nos últimos trimestres, combinada com o descompasso entre a política de dividendos e a geração de caixa real, levou o Santander estimar a alavancagem da Petrobras bem acima da maioria dos pares globais, em cerca de 1,6 vezes a dívida líquida/Ebitda no final de 2025. O indicador dos concorrentes está abaixo de 1,0 vez.

“Esperamos que a Petrobras pague aproximadamente US$ 7,3 bilhões em dividendos ordinários em 2025, o que se traduz em um ganho de cerca de 10%, um nível pouco atraente quando comparado ao seu próprio histórico e aos pares, ou seja, majors globais com um rendimento de acionistas de 9% a10% para 2025-2026”, disseram Rodrigo Almeida e Eduardo Muniz.

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Na mesma linha, o BofA projeta que os dividendos da Petrobras devem continuar em dois dígitos em 2025 e em 2026, mas sem um diferencial competitivo amplo em relação a outras petrolíferas. 

Os cálculos do banco norte-americano apontam para um dividend yield de 12,2% neste ano e de 12,3% no ano que vem, sob as premissas de um preço do barril de petróleo em US$ 67 e US$ 63 para 2025 e 2026, respectivamente, com geração de fluxo de caixa livre de 9,8% e 11,1%.

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