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Monique Lima

Monique Lima

Monique Lima é jornalista com atuação em renda fixa, finanças pessoais, investimentos e economia, com passagem por veículos como VOCÊ S/A, Forbes, InfoMoney e Suno Notícias. Formada em Jornalismo em 2020, atualmente, integra a equipe do Seu Dinheiro como repórter, produzindo conteúdos sobre renda fixa, crédito privado, Tesouro Direto, previdência privada e movimentos relevantes do mercado de capitais.

PRÊMIO PELO RISCO

Liquidação no mercado secundário dispara retorno de CDBs do Banco Master: de IPCA + 30% a 175% do CDI

Sem a venda para o BRB, mercado exige prêmio maior para o risco aumentado das dívidas do banco e investidores aceitam vender com descontos de até 40% no preço

Monique Lima
Monique Lima
5 de setembro de 2025
16:20 - atualizado às 16:07
Escritório do Banco Master em uma montagem com um gráfico vermelho em primeiro plano
Imagem: Seu Dinheiro Foto: Divulgação/ Master

O prêmio de risco para comprar dívidas do Banco Master aumentou: de IPCA + 19% verificado na véspera (4), os Certificados de Depósito Bancário (CDBs) do banco apresentam nesta sexta-feira (5) retornos de até IPCA + 31,75%. 

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De queridinhos do mercado pela alta rentabilidade, os CDBs do Master agora são ‘non gratos’. Investidores não querem esperar um mês sequer para se desfazer dos papéis. Títulos com vencimento para outubro de 2025 aparecem com retornos de 177,5% do CDI, 30,75% ao ano ou IPCA + 26% na plataforma da XP. 

A tentativa de venda acontece no mercado secundário, onde investidores negociam entre si a compra e venda de ativos. 

Mas esses prêmios não são sem razão. As taxas dos CDBs do Banco Master e suas subsidiárias, como Will Bank e Banco Master de Investimentos, dispararam em uma nova onda de resgates antecipados — similar a que houve em abril deste ano

Investidores estão se desfazendo dos seus papéis após a notícia de que o Banco Central indeferiu a compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). Sem a aquisição, a percepção de risco sobre a dívida do banco aumentou. 

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A expectativa do mercado era que, com a compra pelo BRB, a liquidez do Master melhoraria, assim como o perfil de risco do banco. Sem o negócio, os problemas de caixa de curto prazo da instituição de Daniel Vorcaro voltam a preocupar. 

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Na quinta-feira (4), o levantamento do Seu Dinheiro registrou mais de 230 ofertas de CDBs do Banco Master nas prateleiras da XP e BTG. Um dia depois, a quantidade de títulos mais do que dobrou, chegando a quase 600 ofertas. E cada uma delas ainda tem uma quantidade em estoque desses papéis. 

Comprar ou vender os CDBs do Master? 

O principal motivo da tentativa de venda de uma fatia do Banco Master para o BRB é justamente a dificuldade de liquidez do banco. Grande parte do dinheiro do Master está travado em ativos de baixa liquidez, de modo que a instituição ficou sem caixa para arcar com os compromissos de curto prazo. 

“O indeferimento reforça que algo está fora da linha. O Banco Central recusou o acordo, e a CVM apontou possíveis irregularidades financeiras. Investir agora em CDBs do Master, mesmo com taxas altas, é aceitar exposição a risco elevado. O risco de crédito, de o banco não honrar os compromissos, está turbinado”, diz Jeff Patzlaff, planejador financeiro e especialista em investimentos. 

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O BRB deve insistir na compra. Em fato relevante, o banco estatal do Distrito Federal afirma que apresentou solicitação de acesso à íntegra da decisão do BC, “com o objetivo de avaliar seus fundamentos e examinar as alternativas cabíveis”. Ou seja, por hora, o negócio está encerrado, sem garantia em relação ao futuro. 

Se comprar os ativos significa lidar com um grande risco, vender não necessariamente é a melhor opção também. 

“Vender no mercado secundário agora significa aceitar um desconto alto, porque o mercado vai exigir um prêmio maior para financiar o Master”, diz Enrico Gazola, economista e sócio-fundador da Nero Consultoria.

É justamente essa exigência de prêmio maior que fez as taxas dispararem nos últimos dois dias. As taxas têm uma correlação negativa com os preços dos CDBs. Quanto maior a taxa, menor é o preço. E é neste deságio de preço que os investidores estão absorvendo prejuízos que podem chegar a 40% do valor inicial do papel.

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