Unidos contra Trump: China reage com tarifas sobre produtos dos EUA, enquanto União Europeia e Brasil prometem retaliações
As tarifas da China contra produtos americanos entraram em vigor no domingo, em resposta à cobrança de 10% dos EUA a importações chinesas

A guerra comercial de Donald Trump tem levado diversos países a responderem com retaliações. No último domingo (9), a China colocou em vigor suas tarifas retaliatórias, em resposta à cobrança de 10% dos Estados Unidos sobre as importações chinesas.
Havia expectativa por negociações entre as duas maiores economias do planeta, semelhante às discussões que culminaram na suspensão por um mês das tarifas dos EUA ao México e ao Canadá.
A Casa Branca chegou a confirmar que Trump conversaria com o presidente da China, Xi Jinping na quarta-feira. Mas pouco depois o republicano disse que não haveria telefonema.
A embaixada chinesa em Washington disse que as tarifas entraram em vigor à 0h01 desta segunda-feira, pelo horário de Pequim (13h01 de ontem em Brasília), de acordo com o Financial Times.
Segundo o Ministério do Comércio da China, o gás liquefeito e o carvão serão taxados em 15%, enquanto petróleo, máquinas agrícolas e veículos de grande potência serão alvos de tarifa de 10%.
Mas a China não é a única a se rebelar contra o “tarifaço” de Trump. Ainda no domingo, a União Europeia (UE) afirmou estar pronta para reagir às tarifas dos EUA.
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A declaração veio após Trump afirmar que introduzirá novas tarifas de 25% sobre todas as importações de aço e alumínio para os EUA. Espera-se que as novas tarifas sejam anunciadas pelo presidente americano nesta segunda-feira.
União Europeia prepara retaliação a Trump
Em debate eleitoral com o líder da União Democrata Cristã (CDU), Friedrich Merz, o chanceler da Alemanha, Olaf Scholz, foi questionado se o bloco teria um plano para reagir a medidas tarifárias do presidente dos EUA, Donald Trump.
"Sim, da forma mais cautelosa e diplomática possível", respondeu. "É por isso que insisto que sigamos com as regras comuns da UE", acrescentou ele, que reconheceu que a Alemanha seria um dos países mais prejudicados por tarifas.
Segundo Scholz, a União Europeia está preparada para reagir imediatamente a eventuais tarifas dos EUA a produtos europeus.
Já a Comissão Europeia, braço executivo da UE, disse que não recebeu notificação oficial sobre a imposição de tarifas adicionais dos EUA sobre bens europeus e que não vê "justificativa" para a medida:
"Não vamos responder a anúncios generalizados sem detalhes ou esclarecimento escrito", afirmou o órgão executivo, em comunicado divulgado no último domingo.
A comissão argumentou que a imposição de tarifas seria "ilegal e economicamente contraproducente" por afetar as cadeias bilaterais de produção.
"Ao impor tarifas, os EUA estariam taxando seus próprios cidadãos, aumentando custos para empresas e acelerando a inflação. Além disso, tarifas ampliam a incerteza econômica e interrompem a eficiência e integração dos mercados globais", acrescentou.
A Comissão Europeia prometeu "reagir para proteger os interesses das empresas, trabalhadores e consumidores europeus", caso as tarifas sejam efetivadas.
LEIA MAIS: Brasil na mira das tarifas de Trump? Entenda os impactos dessa medida
Brasil também está na mira
A taxação de 25% sobre as importações de aço e alumínio ainda traz sérias implicações para o Brasil, dado que os EUA consomem cerca de 60% da produção siderúrgica brasileira.
Hoje, o país é o segundo maior exportador de aço para os EUA, atrás apenas do Canadá.
O governo brasileiro ainda não se manifestou, mas o presidente Lula afirmou anteriormente que manterá uma relação de "reciprocidade" e taxará as importações americanas, caso Trump decida por taxar os produtos brasileiros no país.
"É muito simples, se ele taxar os produtos brasileiros, haverá reciprocidade do Brasil em taxar os produtos que são exportados para os Estados Unidos. Simples", disse Lula no início de fevereiro.
O aço e o alumínio já estiveram no alvo de Trump em seu primeiro mandato, quando ele impôs tarifas de 25% sobre o primeiro, e 10% sobre o segundo produto.
No entanto, acabou concedendo cotas isentas de impostos a vários parceiros comerciais, o Brasil entre eles, além de Canadá e México.
*Com informações de Estadão Conteúdo e BBC News
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