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Micaela Santos

Micaela Santos

É repórter do Seu Dinheiro. Formada pela Universidade São Judas Tadeu (USJT), já passou pela Época Negócios e Canal Meio.

GUERRA COMERCIAL

Tencent, dona de League of Legends, entra para “lista proibida” dos Estados Unidos por suposta ligação militar com Pequim 

Embora a decisão do Pentágono não implique em sanções diretas, as ações da Tencent caíram mais de 7% em Hong Kong

Micaela Santos
Micaela Santos
7 de janeiro de 2025
13:50
Tencent, dona de League of Legends, entra para “lista proibida” dos Estados Unidos.
Tencent, dona de League of Legends, entra para “lista proibida” dos Estados Unidos. - Imagem: iStock

Quando o assunto é a guerra comercial entre Estados Unidos e China, qualquer movimento pode atingir em cheio as ações de companhias das duas potências. Desta vez, um novo capítulo do conflito envolve a chinesa Tencent, conglomerado de mídia e controladora da Riot Games, dona de jogos como League of Legends. 

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Semanas antes de Donald Trump assumir a presidência, o governo americano incluiu a companhia em uma lista de empresas supostamente vinculadas ao exército chinês. Além da Tencent, a Contemporary Amperex Technology Limited, fabricante de baterias, também está na mesma página.

A inclusão na lista, feita com apoio do Pentágono, leva à acusação da Tencent de manter ligações com o Exército de Libertação Popular da China (ELP) e com a base industrial de defesa chinesa.

O governo dos Estados Unidos defendeu a decisão argumentando que as empresas chinesas listadas estariam sendo forçadas pelo governo da China a fornecerem dados relacionados à segurança nacional, o que gera desconfiança em Washington. 

Empresas negam envolvimento, mas ações caem

Tanto a Tencent quanto a CATL protestaram contra a inclusão na lista e classificaram a decisão como um "erro", ressaltando que não possuem vínculos com o exército da China. 

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A Tencent também declarou que a inclusão não deverá impactar diretamente suas operações. 

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Em comunicado, a CATL afirmou que não está envolvida em atividades relacionadas ao setor militar, e que foi fundada de forma privada, tendo se tornado pública em 2018.

Na bolsa de Hong Kong, as ações da Tencent fecharam com recuo de 7,28%, ao preço de 379,60 em dólares de Hong Kong (aproximadamente de R$ 295), registrando sua maior queda desde outubro do ano passado. Já as ações da CATL caíram cerca de 2,84%. 

Em Wall Street, os American Depositary Receipt (ADRs) da Tencent chegaram a cair mais de 8%. 

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Muito além do conflito

Embora a inclusão na lista não resulte em sanções diretas ou em restrições imediatas às atividades das empresas chinesas listadas que operam nos Estados Unidos, a ação desencoraja companhias americanas de negociarem com elas. Isso levanta preocupações sobre os efeitos da decisão na imagem global da Tencent e no setor mundial de videogames.

A Tencent, por exemplo, é uma das empresas mais valiosas da China e possui grandes investimentos e fortes vínculos com grandes desenvolvedoras americanas de jogos, entre elas a Epic Games, estúdio do Fortnite, e a Activision Blizzard, criadora do Overwatch. 

Já a CATL, fabricante chinesa de bateria e tecnologia, fornece equipamentos para algumas das maiores montadoras do mundo, incluindo a Tesla, a Stellantis NV e a Volkswagen AG. 

A lista negativa do governo americano

A inclusão da Tencent na lista de entidades militares representa um novo capítulo na competição econômica e tecnológica entre os Estados Unidos e a China. 

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Com 134 empresas chinesas já listadas, projeta-se que esse número aumente, gerando mais incertezas no mercado global.

Algumas empresas, como a Xiaomi, já recorreram judicialmente para contestar sua inclusão e conseguiram ser removidas da lista em 2021. No entanto, casos de companhias chinesas como a DJI e a Hesai Technologies mostraram que a exclusão nem sempre é possível. 

*Com informações da Bloomberg Línea

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