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Shigeru Ishiba renunciou ao cargo às vésperas de completar um ano na posição de chefe de governo do Japão
O mandato de um primeiro-ministro no Japão tem quatro anos de duração legal. Muito parecido com a maior parte das democracias eleitorais. O ocupante da função também pode se perpetuar no cargo indefinidamente, sem limite de tempo nem de reeleições. O problema é conseguir a façanha. Na média, da Segunda Guerra Mundial até hoje, um primeiro-ministro dura dois anos e oito meses no cargo. Em grande medida, porém, essa conta é distorcida por Shinzo Abe. Contando todos os mandatos para os quais foi eleito, o ex-chefe de governo conservador assassinado em 2022 somou quase nove anos na função.
O fato é que, entra governo, sai governo, e o grande desafio de qualquer primeiro-ministro japonês é completar um ano no cargo. O último mandato de Shinzo Abe terminou em setembro de 2020, em meio à pandemia. Depois dele, Yoshihide Suga passou raspando da marca de um ano. Fumio Kishida se segurou por quase três anos antes de cair. Agora, Shigeru Ishiba ajudou a puxar a média para um pouco mais perto da realidade ao anunciar sua renúncia às vésperas de seu primeiro aniversário à frente do governo.
Depois de duas retumbantes derrotas eleitorais recentes, Ishiba agiu para evitar a terceira. Sua renúncia ocorre um dia antes de seu Partido Liberal Democrata (PLD) realizar uma eleição interna que lhe poderia custar a liderança — da agremiação e do governo.
Salvo alguns breves hiatos, o PLD governa o Japão há quase sete décadas. Sob Ishiba, entretanto, o partido perdeu a maioria na câmara baixa do Parlamento pela primeira vez em 15 anos e depois a câmara alta.
Agora a quarta maior economia do mundo enfrenta um período de incerteza política em meio à constante tensão com a China e outros vizinhos no âmbito regional.
"Agora que se chegou a uma conclusão nas negociações sobre as medidas tarifárias dos Estados Unidos, acredito que este é precisamente o momento adequado", disse Ishiba.
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Hoje,o político de 68 anos disse que dará continuidade a suas responsabilidades "para com o povo" até que um novo primeiro-ministro seja escolhido.
Ishiba assumiu o governo japonês em outubro do ano passado com a promessa de combater a inflação.
A expectativa de analistas políticos japoneses é de que o sucessor de Ishiba à frente do PLD assuma o cargo e logo convoque eleições antecipadas.
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