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DIÁRIO DOS 100 DIAS

Donald Trump: um breve balanço do caos

Donald Trump acaba de completar 100 dias desde seu retorno à Casa Branca, mas a impressão é de que foi bem mais que isso

Donald Trump segura uma tabela atrás de um púlpito com o símbolo da Casa Branca. Ele veste terno escuro e gravata vermelha. Atrás dele, a bandeira dos EUA.
Donald Trump apresentou os detalhes de seu tarifaço contra o mundo em 2 de abril de 2025. Imagem: Reprodução Youtube

Passaram-se apenas 100 dias desde que Donald Trump tomou posse para um segundo mandato não consecutivo como presidente dos Estados Unidos.

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Para quem acompanha o noticiário da Casa Branca, porém, a impressão é de que foi muito mais do que isso: 100 semanas, 100 meses, 100 anos. Fica a critério de quem lê.

Guerra comercial, tarifas baseadas em uma matemática duvidosa, ameaças a rivais geopolíticos, pressão sobre a Ucrânia, apoio irrestrito às ações de Israel em Gaza e até uma inverossímil acusação de “racismo reverso” contra a África do Sul foram apenas alguns dos acontecimentos desses primeiros meses de governo.

De longe, a guerra comercial foi a principal notícia do período. Nem os pinguins e outros símbolos da fauna marinha foram poupados.

A cereja do bolo ficou por conta da retomada da hostilidade de Trump contra o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), Jerome Powell.

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Essa percepção de que tudo acontece a uma velocidade mais acelerada deriva do ritmo que Trump decidiu imprimir a seu segundo mandato.

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O vai e volta nas decisões intensificou a sensação. Também abalou a credibilidade dos investidores em relação ao governo dos EUA.

Nos mercados financeiros internacionais, trilhões de dólares evaporaram e recondensaram ao sabor das falas de Trump — o que levou congressistas de oposição a levantarem suspeitas de manipulação de preços em favor de aliados.

Trump voltou mais agressivo do que se esperava

O fato é que, de questões de fronteira a uma guerra comercial que pretende remodelar a economia global, ninguém pode alegar que foi por falta de aviso. Trump já falava sobre tudo isso e muito mais durante a campanha.

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O estrategista global do Rabobank, Michael Every, estava longe de figurar entre os mais otimistas com a volta do republicano à Casa Branca. Mesmo assim, ele se declarou surpreso com a rapidez dos acontecimentos.

“Ele tem sido ainda mais agressivo e mais focado do que eu esperava”, disse Every em entrevista ao Seu Dinheiro.

“Não achei que ele fosse repetir 2016 ou 2017 [...], mas até eu fiquei surpreso com o fato de termos tarifas de 145% [sobre as importações chinesas] tão rapidamente”, afirmou. Na prática, isso é um embargo comercial, enfatiza o estrategista.

Seja em relação ao financiamento das universidades, à guerra comercial ou qualquer outro tema a seu alcance, o que Trump demonstrou nesses primeiros 100 dias é que está determinado a cumprir suas promessas, mas não vai agir de modo convencional nem "jogar dentro das quatro linhas" para alcançar seus objetivos, afirma Every.

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Em uma abrangente entrevista concedida com exclusividade ao Seu Dinheiro, o estrategista global do Rabobank afirmou que as ações de Trump são uma última tentativa de preservar a hegemonia global dos EUA em um momento de derrocada da ordem liberal como a conhecemos.

Ele também advertiu que não há margem de manobra para ficar em cima do muro diante da tentativa de Trump de redesenhar a estrutura econômica global. E o alerta serve para o Brasil.

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