Donald Trump: um breve balanço do caos
Donald Trump acaba de completar 100 dias desde seu retorno à Casa Branca, mas a impressão é de que foi bem mais que isso

Passaram-se apenas 100 dias desde que Donald Trump tomou posse para um segundo mandato não consecutivo como presidente dos Estados Unidos.
Para quem acompanha o noticiário da Casa Branca, porém, a impressão é de que foi muito mais do que isso: 100 semanas, 100 meses, 100 anos. Fica a critério de quem lê.
Guerra comercial, tarifas baseadas em uma matemática duvidosa, ameaças a rivais geopolíticos, pressão sobre a Ucrânia, apoio irrestrito às ações de Israel em Gaza e até uma inverossímil acusação de “racismo reverso” contra a África do Sul foram apenas alguns dos acontecimentos desses primeiros meses de governo.
De longe, a guerra comercial foi a principal notícia do período. Nem os pinguins e outros símbolos da fauna marinha foram poupados.
A cereja do bolo ficou por conta da retomada da hostilidade de Trump contra o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), Jerome Powell.
Essa percepção de que tudo acontece a uma velocidade mais acelerada deriva do ritmo que Trump decidiu imprimir a seu segundo mandato.
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O vai e volta nas decisões intensificou a sensação. Também abalou a credibilidade dos investidores em relação ao governo dos EUA.
- Você pode acompanhar a nossa cobertura completa dos primeiros 100 dias de Trump, dia após dia, aqui.
Nos mercados financeiros internacionais, trilhões de dólares evaporaram e recondensaram ao sabor das falas de Trump — o que levou congressistas de oposição a levantarem suspeitas de manipulação de preços em favor de aliados.
Trump voltou mais agressivo do que se esperava
O fato é que, de questões de fronteira a uma guerra comercial que pretende remodelar a economia global, ninguém pode alegar que foi por falta de aviso. Trump já falava sobre tudo isso e muito mais durante a campanha.
O estrategista global do Rabobank, Michael Every, estava longe de figurar entre os mais otimistas com a volta do republicano à Casa Branca. Mesmo assim, ele se declarou surpreso com a rapidez dos acontecimentos.
“Ele tem sido ainda mais agressivo e mais focado do que eu esperava”, disse Every em entrevista ao Seu Dinheiro.
“Não achei que ele fosse repetir 2016 ou 2017 [...], mas até eu fiquei surpreso com o fato de termos tarifas de 145% [sobre as importações chinesas] tão rapidamente”, afirmou. Na prática, isso é um embargo comercial, enfatiza o estrategista.
Seja em relação ao financiamento das universidades, à guerra comercial ou qualquer outro tema a seu alcance, o que Trump demonstrou nesses primeiros 100 dias é que está determinado a cumprir suas promessas, mas não vai agir de modo convencional nem "jogar dentro das quatro linhas" para alcançar seus objetivos, afirma Every.
Ele também advertiu que não há margem de manobra para ficar em cima do muro diante da tentativa de Trump de redesenhar a estrutura econômica global. E o alerta serve para o Brasil.
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