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DESSA VEZ É DIFERENTE

Com ou sem Trump, por que o último dado de inflação dos EUA não importa agora

A métrica preferida do banco central norte-americano foi divulgada nesta sexta-feira (31) e veio em linha com as projeções

Montagem mostrando uma nota de dólar rasgada ao centro, com a palavra "inflation" grifada; representa a luta do Federal Reserve (Fed, o BC dos EUA) para controlar a inflação do país
Imagem: Shutterstock

A divulgação do índice de preços para gastos pessoais (PCE, na sigla em inglês) é um evento para as bolsas e não é por acaso — essa é a métrica preferida, embora não seja a única, do Federal Reserve (Fed) para a inflação nos EUA. Nesta sexta-feira (31), o mercado conheceu o dado de dezembro. Só que dessa vez, não importa.

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Em dezembro, o PCE subiu 2,6% em base anual, 0,2 ponto percentual (pp) acima da leitura de novembro e em linha com as projeções. O núcleo do índice, que exclui alimentos e energia, avançou 2,8%, também atendendo às expectativas e o mesmo patamar do mês anterior. 

Na comparação mensal, o PCE subiu 0,3%, enquanto o núcleo aumentou 0,2% — ambos em linha com as previsões também.

  • Embora o Fed considere as duas leituras, historicamente as autoridades têm visto o núcleo como o melhor indicador de inflação de longo prazo. A meta de inflação do BC dos EUA é 2%, um nível não alcançado desde fevereiro de 2021.

Wall Street abriu as negociações em alta. Além dos dados de inflação em linha com as projeções, as bolsas de Nova York pegam carona na Apple — as ações começaram o dia com alta de mais de 2% depois que os resultados trimestrais superaram a previsão de analistas, com a forte receita de serviços compensando as vendas mais fracas de iPhone

Com isso, o Dow Jones opera perto da estabiliade, enquanto o S&P 500 e o Nasdaq sobem 0,69% e 1,28%, respectivamente, perto de 13h30.

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Por aqui, o Ibovespa opera com pouca tração apesar dos ganhos em Nova York.

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O principal índice da bolsa brasileira recebe influência maior de dados do mercado de trabalho, depois que a taxa de desemprego no trimestre até dezembro no teto das projeções (6,2%) atrai atenção em meio aos sinais de desaquecimento da economia — que podem impedir a Selic de permanecer em nível elevado por mais tempo. 

Por volta de 13h30, o Ibovespa subia 0,23%, aos 127.199,11 pontos. 

No mercado de câmbio, o dólar à vista recua 0,47%, a R$ 5,8253. Na mínima, a moeda norte-americana chegou a R$ 5,8121 com o aumento do fluxo estrangeiro. 

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Mas, hoje, essa reação importa pouco. 

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Quem responde é Michelle Bowman, uma das diretoras do Fed. 

Em comentários feitos nesta manhã de sexta-feira, ela disse esperar que a inflação desacelere ao longo de 2025 nos EUA, mas acredita que, ainda assim, o banco central norte-americano vai se manter em espera até que haja sinais claros desse esfriamento dos preços. 

“Ainda há mais trabalho a ser feito para trazer a inflação para mais perto de nossa meta de 2%. Gostaria de ver o progresso na redução da inflação antes de fazermos mais ajustes nos juros”, disse Bowman. 

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O comentário acontece dois dias depois que os membros do comitê de política monetária (Fomc, na sigla em inglês) votou por unanimidade para manter a taxa de juros na faixa entre 4,25% e 4,50% — dando uma pausa após três cortes consecutivos, que totalizaram um ponto percentual.

Em outras palavras, o Fed já tomou sua decisão sobre os juros — pelo menos no curto prazo. 

LEIA MAIS: Alta da Selic abre oportunidade para buscar rendimentos acima de 19% ao ano, aponta corretora; entenda

“Essa leitura [do PCE de hoje] não importa, pelo menos não no futuro previsível, com o Fed dizendo que está em modo de espera por um tempo”, afirmam os analistas dos Scotiabank em relatório. 

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James Knightley, economista-chefe internacional do ING, pontua que a inflação continua no caminho certo para 2%, com o deflator do PCE e o índice de custo de emprego oferecendo mais sinais de encorajamento. 

No entanto, Knightley diz que as ameaças tarifárias de Donald Trump pesam muito sobre a perspectiva da política monetária norte-americano. 

“Os dados atuais dos EUA sugerem que a inflação continua no caminho para [a meta de] 2%, mas com a enorme incerteza sobre a política regulatória, tarifária, fiscal e de imigração, o Fed não pode deixar nada ao acaso e manterá a política monetária inalterada até junho”, afirma. 

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