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Os dois líderes conversaram nesta terça-feira (21) e o Kremlin deu algumas pistas dos assuntos que foram tratados; confira os detalhes
Menos de 24 horas depois da posse de Donald Trump como presidente dos EUA, os líderes de Rússia e China já estavam ao pé do ouvido. Em uma chamada que durou mais de uma hora e meia, Vladimir Putin e Xi Jinping discutiram possíveis abordagens em relação à nova Casa Branca.
Os bastidores dessa conversa dificilmente serão vazados, mas o Kremlin deu algumas pistas do que os presidentes dos países vistos por Trump como inimigos dos EUA conversaram.
Na chamada com Xi, Putin enfatizou que as relações Rússia-China se baseiam em interesses partilhados, igualdade e benefícios mútuos, observando que "não dependem de fatores políticos internos e do atual ambiente internacional".
"Apoiamos conjuntamente o desenvolvimento de uma ordem global multipolar mais justa e trabalhamos para garantir uma segurança indivisível na Eurásia e no mundo como um todo", disse Putin a Xi.
A declaração faz referência direta à nova ordem mundial proposta pela China e endossada pela Rússia. Há pelo menos dois anos, os dois líderes apresentavam ao mundo uma nova visão global, que favoreceria muito mais seus países e que não seria dominada pelo Ocidente.
Na ocasião, ambos divulgaram um comunicado conjunto de mais de 5 mil palavras na qual declaravam uma amizade sem limites e condenavam o posicionamento dos EUA e de aliados.
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"Os esforços conjuntos da Rússia e da China desempenham um importante papel estabilizador nos assuntos globais", acrescentou.
Xi também aproveitou a conversa com Putin para elogiar a estreita cooperação entre os dois países.
O líder chinês ainda reforçou a disponibilidade de trabalhar em conjunto com Putin para "levar as relações China-Rússia a um nível mais elevado, para lidar com a incerteza do ambiente externo" e para "salvaguardar a imparcialidade e a justiça internacionais".
Ele enfatizou que a Rússia e a China deveriam "continuar a aprofundar a cooperação estratégica, apoiar-se mutuamente e salvaguardar os interesses legítimos dos dois países".
Embora nenhum dos líderes tenha mencionado diretamente Trump nas declarações divulgadas oficialmente, o Kremlin disse que ambos abordaram possíveis contatos com a nova administração dos EUA.
Vale lembrar que o presidente chinês conversou por telefone na sexta-feira (17) com Trump e expressou esperança de laços positivos com os EUA.
Embora Trump tenha deixado a China de fora das pesadas tarifas prometidas pela campanha — o republicano sinalizou, até o momento, taxas de 25% sobre Canadá e México a partir de 1 de fevereiro — ele não esqueceu dos seus desafetos.
Trump mirou hoje em Moscou ao afirmar que Putin está "destruindo" a Rússia ao não fazer um acordo para encerrar a guerra com a Ucrânia.
Em declaração a repórteres, o novo chefe da Casa Branca disse que o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, sinalizou que quer fazer um acordo, mas que não sabe se Putin tem o mesmo desejo.
"Eu acho que a Rússia está em apuros. Você dá uma olhada na economia deles, você dá uma olhada na inflação deles. Eu me dei muito bem com [Putin], espero que ele queira fazer um acordo", acrescentou.
*Com informações da Associated Press
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