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O partido de Milei, o La Libertad Avanza (LLA), busca conquistar ao menos um terço dos assentos na Câmara de Deputados e no Senado
Buenos Aires foi atingida por uma forte tempestade na véspera das eleições legislativas, que renovará as cadeiras do Congresso argentino. Para os místicos, o dilúvio pode ser uma premonição sobre o que virá para o governo de Javier Milei, que precisa aumentar o número de assentos para dar andamento ao seu projeto econômico no país, mas que também vem enfrentando queda na popularidade em meio a escândalos de corrupção envolvendo aliados — incluindo sua irmã própria irmã Karina Milei.
Os sinais nas cartas de tarot, na bola de cristal e inclusive nas urnas ainda não dão indícios dos resultados, que devem ser confirmados entre às 19h30 e 22h30 deste domingo (26). Porém, às 12h (horário de Brasília), a Câmara Nacional Eleitoral do país (CNE) informou que apenas 23% do eleitorado havia comparecido para registrar o voto.
Assim como no Brasil, o voto na Argentina é obrigatório para cidadão entre 18 a 70 anos, o que leva a altas taxas de comparecimento. Caso o eleitor não consiga participar das eleições argentinas, ele precisa justificar a ausência para evitar sanções.
A alta taxa de ausência nas eleições de hoje podem indicar que a vida do presidente argentino até o fim do mandato, em 2027, será mais difícil.
Isso porque, caso não consiga ampliar o número de cadeiras no Congresso, Milei não contará com apoio político necessário para a aprovação de suas reformas econômicas, que são, em boa parte, impopulares já que reduzem o poder de compra da população. Além disso, Milei também passará a enfrentar o risco de que seus decretos sejam derrubados pelos parlamentares.
O partido de Milei, o La Libertad Avanza (LLA), busca conquistar ao menos um terço dos assentos na Câmara de Deputados e no Senado. Neste ano, serão eleitos 127 representantes na Câmara e 24 senadores.
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Atualmente, o partido do presidente tem apenas 36 dos 257 assentos existentes na Câmara, enquanto a coalizão de apoio a Milei tem 79 membros. Já no Senado, o La Libertad Avanza tem sete senadores, de um total de 72 assentos, enquanto o bloco governista conta com 14 cadeiras. Assim, com o número reduzido de assentos que apoiam o governo, Milei é dependente do apoio de outros partidos para aprovar pautas.
O LLA possui um acordo com o partido do ex-presidente Mauricio Macri, o Proposta Republicana (PRO), enquanto o kirchnerismo vai às urnas com a coligação Fuerza Patria (Força da Pátria).
Porém, a tarefa do governo de alcançar um terço dos assentos será árdua: no início de setembro, o governo sofreu uma dura derrota durante as eleições legislativas locais em Buenos Aires, onde o peronismo saiu na frente. Embora seja considerada um reduto da centro-esquerda, a província concentra cerca de 40% de todo o eleitorado do país.
Sem o apoio necessário, Milei poderá ver o restante de seu mandato comprometido e, embora possa negociar com outros partidos, ele terá que moderar seus discursos, segundo Sergio Berensztein, analista político.
"Se (Milei) não tiver esse terço dos votos sozinho, ele poderá negociar com aliados que tenham ideias semelhantes no Congresso. A grande questão é se ele estará disposto a moderar suas posições, que foram muito controversas nesses dois primeiros anos, sempre foram agressivas", opinou o especialista à BBC News.
Não é apenas o avanço das reformas econômicas que preocupa Milei. Em meio a novas turbulências econômicas, o governo argentino vem recebendo ajuda de Donald Trump, que já demonstrou seu apoio ao presidente abertamente.
Porém, o republicano disse que, caso Milei não ganhe as eleições deste domingo, os acordos financeiros entre os países seriam descontinuados. "Estamos aqui para dar a você o apoio que precisa para as próximas eleições. Se a Argentina for bem, outros países seguirão seu exemplo. Mas se [o governo de Milei] não ganhar, não contará conosco. Se perder, não seremos generosos com a Argentina", disse Trump durante visita do presidente argentino à Casa Branca.
Vale lembrar que, no início deste mês, com o dólar em disparada na Argentina, os Estados Unidos fechou um acordo para uma linha de swap de US$ 20 bilhões com o país. Além disso, no último domingo (19), Trump afirmou que o governo norte-americano avalia comprar carne bovina da Argentina.
*Com informações do Clarín, Página 12, La Nación e BBC News.
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