Raízen (RAIZ4) recebe mais uma baixa: S&P reduz nota de crédito para ‘BBB-‘, de olho na alavancagem
Os analistas da agência avaliam que a companhia enfrenta dificuldades para reduzir a alavancagem, em um cenário de dívida nominal considerável e queima de caixa

A meia de Natal da Raízen (RAIZ4) está sendo recheada por carvão em vez de presentes. Após a empresa virar penny stock e receber um chamado da B3, agora foi a vez de a agência classificadora de risco S&P Global colocar a companhia na lista dos malcriados, rebaixando a classificação de crédito (rating) da Raízen de ‘BBB‘ para ‘BBB-‘
Segundo a S&P Global, a mudança foi motivada pelo atraso nas perspectivas de desalavancagem. A perspectiva segue negativa para a distribuidora de combustíveis e processadora de cana-de-açúcar.
Vale lembrar que esse não é a primeira redução de rating que a Raízen vem experimentando nos últimos meses. Desde o fim de outubro, a empresa amargou downgrade da Moody’s, que reduziu a nota de crédito para Ba1, e da Fitch Ratings, que reduziu de de “BBB” para “BBB-“, com observação negativa.
Os motivos do rebaixamento pela S&P Global
Os analistas da agência avaliam que a companhia enfrenta dificuldades para reduzir a alavancagem, a relação entre dívidas e receitas, em um cenário de dívida nominal considerável e queima de caixa.
Medida pela relação dívida líquida/Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), a alavancagem da Raízen atingiu 5,2 vezes nos 12 meses encerrados em 30 de setembro de 2025, destaca a agência.
A expectativa da S&P é de que fique entre 4,5 e 5 vezes até o final dos anos fiscais de 2026 e 2027, caso não ocorram entradas de caixa não recorrentes significativas.
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Vale destacar que, geralmente, quanto maior o número de vezes do indicador, maior o risco de crédito da companhia.
“Embora a administração e os acionistas continuem a expressar publicamente seu objetivo de reduzir a dívida por meio de vendas de ativos e uma capitalização, o atraso na conclusão de transações maiores manterá a alavancagem sob pressão por mais tempo do que esperávamos inicialmente", diz a S&P. Ela também acrescenta que falta clareza sobre prazos e retornos desses desinvestimentos.
A perspectiva negativa reflete a possibilidade de outro rebaixamento na classificação nos próximos seis meses, caso um atraso adicional em uma injeção de capital e outras vendas de ativos impeçam a Raízen de cortar a alavancagem para perto de 3 vezes no ano fiscal de 2027 e abaixo disso nos anos seguintes.
B3 enquadra Raízen
Na última semana, a Raízen informou ao mercado que a B3 solicitou que a companhia divulgue os procedimentos e o cronograma das medidas que serão adotadas para o reenquadramento da cotação ao valor mínimo exigido, cuja regularização deverá ocorrer até 29 de maio de 2026.
As ações vêm sendo negociadas abaixo de R$ 1 desde 6 de outubro, sendo classificadas como penny stocks.
Segundo as regras da B3, uma ação só é considerada penny stock quando permanece abaixo de R$ 1 por ao menos 30 pregões seguidos. A condição pode levar a empresa a sofrer algumas sanções por parte da administradora da bolsa brasileira, como a retirada de índices dos quais faz parte – incluindo o Ibovespa.
Isso porque, no mercado de ações, as penny stocks são um incômodo recorrente. O preço muito baixo dos papéis costuma vir acompanhado de uma combinação indigesta para os investidores: volatilidade exagerada, baixa liquidez e um ambiente fértil para operações especulativas.
Em termos resumidos, papéis com valor muito baixo costumam apresentar:
- Alta volatilidade, com variações bruscas durante o pregão; e
- Baixa liquidez, dificultando entrada e saída do investidor.
Esses fatores afetam a dinâmica de negociação, elevam o risco para investidores e dificultam a precificação dos ativos na bolsa.
Por isso, a B3 estabelece mecanismos de proteção contra penny stocks. Quando uma ação flerta com a casa dos centavos por tempo demais, a bolsa intervém para forçar uma solução. E é exatamente o caso da Raízen.
Para evitar esse tipo de punição, empresas nessa situação podem optar por fazer um grupamento de ações, operação que reúne um grupo de ações para aumentar o preço unitário e tirá-las da faixa dos centavos.
Em documento divulgado, a Raízen informou que "está avaliando as alternativas e adotará as medidas necessárias para promover tal reenquadramento dentro do prazo estipulado, levando em consideração a evolução da execução do seu plano de negócios”, disse, em comunicado.
*Com informações do MoneyTimes.
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