Hora de vender MOTV3? Motiva fecha venda de 20 aeroportos por R$ 11,5 bilhões, mas ação não decola
O valor da operação representa quase um terço dos R$ 32 bilhões de valor de mercado da empresa na bolsa. Analistas do BTG e Safra avaliam a transação

Após meses de especulações no mercado, a Motiva (MOTV3) finalmente tirou do papel a venda de sua subsidiária aeroportuária. Na noite de terça-feira (18), a antiga CCR anunciou a transferência da operação, que inclui 17 aeroportos no Brasil e três na América Latina, para a empresa mexicana ASUR, o Grupo Aeroportuario del Sureste.
O valor da operação foi de R$ 11,5 bilhões — o que representa quase um terço dos R$ 32 bilhões de valor de mercado da Motiva na bolsa. O montante total da venda ainda inclui dívida líquida de R$ 6,5 bilhões.
O pagamento pela ASUR será realizado integralmente em dinheiro no momento do fechamento.
Segundo o anúncio, a expectativa é que a transação seja concluída em 2026, já que depende do cumprimento de condições suspensivas usuais para esse tipo de operação, incluindo aprovações de autoridades governamentais e regulatórias no Brasil — como a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) — e no exterior, além do aval de órgãos concorrenciais internacionais.
A imprensa já havia antecipado a operação ao mercado. Ainda assim, após o anúncio, a reação não foi positiva. Os papéis da concessionária, antiga CCR, chegaram a cair quase 3% nas primeiras horas do pregão.
Porém, ao longo da sessão, passaram a operar próximos da estabilidade. Por volta de 16h (horário de Brasília), MOTV3 subia 0,51%, a R$ 15,95. Já o Ibovespa caía 0,61%, aos 155.570 pontos.
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Não agradou? Por que o mercado torce o nariz
Para o BTG Pactual a operação já estava precificada pelo mercado, considerando meses de especulações sobre o desinvestimento da Motiva — o que justifica a alta moderada nas ações.
“As condições finais não diferem do que o mercado já conhecia: o equity da operação aérea da Motiva é de R$ 5 bilhões, correspondente à participação da empresa nos aeroportos”, escreveram os analistas do banco.
Segundo o relatório, a transação saiu a 8,5 vezes o EV/Ebitda, ficando acima do múltiplo atual da Motiva, que é de 6,1x. O banco avalia que a venda está alinhado com a média de negociação do setor.
Durante conferência com analistas, a empresa destacou que o desinvestimento nos aeroportos está ancorado em cinco alavancas estratégicas principais:
- Destravamento de valor, já que o negócio foi fechado em múltiplos superiores aos negociados pela Motiva;
- Simplificação do portfólio;
- Flexibilidade Estratégica, uma vez que a desalavancagem da holding proporciona "poder de fogo" adicional para o crescimento das plataformas rodoviárias e urbanas;
- Redução de endividamento, o que deve gerar uma diminuição da taxa efetiva de impostos da empresa; e
- redução do custo de capital ao se desfazer de uma tipologia de ativo considerada de maior risco.
Na avaliação do BTG Pactual, o impacto da venda nas ações deve ser neutro.
Hora de comprar MOTV3?
Porém, na visão da equipe do banco, o acordo “encerra um capítulo importante de otimização do portfólio, permitindo uma empresa mais enxuta e menos alavancada”.
O BTG não está sozinho em sua avaliação. O Safra também considera que o desinvestimento está alinhado às prioridades estratégicas da Motiva de simplificar sua estrutura corporativa e destravar valor para o acionista.
“O reposicionamento melhora a flexibilidade financeira da companhia e permite que ela se concentre em oportunidades seletivas de crescimento de alto retorno em seus segmentos centrais de infraestrutura — rodovias e ferrovias — no Brasil”, afirmaram os analistas do Safra.
Ambos os bancos reiteraram a recomendação de compra para as ações.
Para a equipe do BTG, a Motiva deve voltar suas energias para: oportunidades de reforço contratual nas concessões existentes, especialmente no estado de São Paulo; novos projetos greenfield em leilões como Fernão Dias e Renovias; continuidade do plano de reciclagem de capital, avançando para mobilidade urbana e desinvestimentos seletivos em concessões.
Além disso, a companhia deve concentrar os esforços na redução de alavancagem, com a empresa passando de 37 para 17 ativos, somente no Brasil, “abrindo espaço para melhora de margens e redução do custo fiscal”.
Os analistas do banco também esperam a manutenção do payout atual. “Não esperamos aumento de dividendos no curtíssimo prazo diante das diversas oportunidades de crescimento”, afirmaram.
O BTG Pactual tem preço-alvo de R$ 17 — o que implica em uma alta de 6,9% sobre o preço de fechamento de ontem (18), quando o papel encerrou cotado a R$ 15,90.
Já o Safra projeta a ação a R$ 18,80 no final de 2026, o que representa um potencial de valorização de 18% sobre o preço do último fechamento.
*Com informações do Money Times.
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