Mercado Livre (MELI34) pode desbloquear novo potencial catalisador no Brasil, afirma XP — e acende sinal de alerta para um setor na B3
Potencial aquisição de uma farmácia em São Paulo é vista pela XP como o primeiro passo para expandir a presença do gigante do e-commerce em um setor estratégico

O Mercado Livre (MELI34) está prestes a dar um passo ousado além do e-commerce tradicional. Depois de ajudar a transformar o varejo brasileiro digital, a empresa pode estar de olho em um novo território: o mercado farmacêutico.
Segundo informações d’O Globo, a estratégia do Meli começa com a aquisição de uma farmácia em São Paulo, por meio da sua subsidiária de logística, a Kangu.
A documentação já teria sido protocolada no Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), que deve aprovar o negócio, dado que a empresa ainda não atua no segmento e o mercado segue altamente fragmentado.
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Na visão de analistas da XP, a movimentação tem potencial para se tornar um catalisador importante para o Meli e, ao mesmo tempo, movimentar toda a dinâmica de um setor já consolidado no Brasil.
“Em nossa opinião, a medida seria positiva para o Mercado Livre, adicionando uma categoria nova, relevante e recorrente”, diz a corretora, em relatório.
A nova incursão do Mercado Livre
Se confirmada, a estratégia do Mercado Livre no setor de farmácias seria tão inteligente quanto pragmática, segundo os analistas.
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Isso porque a regulamentação brasileira exige que medicamentos só possam ser enviados a partir de farmácias licenciadas, com farmacêutico disponível no momento da venda, e proíbe a comercialização online de remédios controlados.
Ao comprar uma farmácia física, o Mercado Livre potencialmente criaria um “mini-centro de distribuição”, contornando essas barreiras regulatórias e testando o mercado antes de expandir para outras regiões do país.
“É como se a empresa estivesse colocando o pé na porta, iniciando um projeto piloto que poderá se transformar em uma rede nacional”, avaliou a XP.
Essa abordagem permite ao Mercado Livre explorar uma categoria altamente recorrente, estimada em mais de R$ 200 bilhões, incluindo produtos de saúde, higiene e cuidados pessoais (HPC), enquanto se mantém em linha com as regras da Anvisa.
A primeira farmácia funcionaria como laboratório para entender o comportamento dos consumidores e a operação logística, segundo os analistas.
Caso os resultados sejam positivos, a XP acredita que o Meli poderia replicar o modelo em outras localidades, ampliando sua presença no setor.
“Se confirmada, vemos isso como o primeiro passo do Mercado Livre para construir uma presença no mercado farmacêutico. A empresa poderia usar essa farmácia como um projeto piloto e, em seguida, adquirir lojas estrategicamente localizadas em todo o país para expandir a categoria”, disse a XP.
Baixa resistência e oportunidades estratégicas
Segundo a XP, o Mercado Livre deve enfrentar pouca resistência para encontrar farmácias dispostas a vender seus produtos, devido às altas taxas de juros, à crescente concorrência e ao acesso limitado a medicamentos GLP-1 — as famosas “canetas do emagrecimento”, como o Ozempic.
Os analistas também lembram que o caso da Amazon nos Estados Unidos oferece pistas do que pode acontecer no Brasil.
Lá, a gigante do varejo online já oferece entrega no mesmo dia em diversas cidades e utiliza programas de fidelidade para gerar engajamento contínuo.
Para o investidor, a movimentação representa um potencial catalisador para o Mercado Livre, afirma a XP.
Segundo os analistas, a entrada em um novo mercado endereçável, com alta recorrência e espaço para inovação logística, tem capacidade de agregar valor às ações.
Um alerta para o setor farmacêutico
Para as farmácias tradicionais, a movimentação do Mercado Livre é, segundo a XP, um sinal de alerta.
A chegada de um gigante do e-commerce pode acelerar transformações no setor e alterar a dinâmica competitiva, afirmaram os analistas.
“Isso representa um risco relevante para as empresas farmacêuticas, já que o Mercado Livre poderia eventualmente causar uma mudança na categoria assim que construísse uma rede capilar”, disse a corretora.
Ainda assim, as farmácias mantêm pontos fortes que podem equilibrar o jogo, segundo os analistas.
Entre elas, a XP cita a entrega ultrarrápida e a experiência de atendimento personalizada das lojas físicas, um diferencial que ainda agrega valor aos consumidores.
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