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Patrick Fuentes

Patrick Fuentes

Jornalista formado pela ECA-USP, foi repórter de Economia na Folha de S.Paulo e na CNN Brasil. Atualmente, atua na cobertura de empresas no Seu Dinheiro.

SEM FIADOR

Grupo Pão de Açúcar (PCAR3) não tem mais garantias prestadas pelo Casino após decisão da justiça francesa

Na prática, o Grupo Pão de Açúcar não tem como garantir sua posição junto às autoridades tributárias durante processo sobre recolhimento de imposto de renda

Patrick Fuentes
Patrick Fuentes
14 de abril de 2025
18:05 - atualizado às 17:51
Fachada da sede do Grupo Pão de Açúcar
A carta da varejista francesa não impactou negativamente os ações da GPA, que fechou em alta de 3,94%, sendo negociada a R$ 3,96 - Imagem: Divulgação

A semana não começou bem para o Grupo Pão de Açúcar (PCAR3), após a varejista francesa Casino informar que não oferecerá mais garantia jurídica à rede de supermercados brasileira.

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As garantias estavam relacionadas a processos de recolhimento de imposto de renda dos anos-calendário de 2007 e 2013. A disputa judicial acontece devido à suposta dedução indevida de amortizações de ágio por parte do GPA.

Nesse fogo cruzado entre a Receita Federal e o GPA, o Casino acabou assumindo o papel de “fiador” judicial da empresa brasileira — isso até a Justiça francesa aprovar a saída estratégica por meio do processo de reestruturação do Casino.

Na prática, o PCAR3 não tem como garantir sua posição junto às autoridades tributárias e vai ter que procurar uma solução rápida para o problema.

Mas o GPA não desistirá sem uma briga. Rafael Sirotsky, vice-presidente de Finanças e diretor de Relações com Investidores, afirma em comunicado aos acionistas que tomará as medidas necessárias na defesa dos seus interesses.

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Mesmo com a cisão entre as varejistas, o GPA pontua que, no momento, não há pagamento devido ou impacto à liquidez da empresa pela retirada da garantia e ainda destaca que o ágio foi constituído regularmente, com decisão favorável sobre a legislação fiscal.

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A carta da varejista francesa não impactou negativamente as ações da GPA, que fechou em alta de 3,94%, sendo negociada a R$ 3,96.

Distanciamento entre GPA e Casino só aumenta

Em abril de 2023, o Casino deixou de ser acionista controlador da rede de supermercados, e a expectativa é de “se livrar” do GPA no Brasil o mais rápido possível para focar na operação da companhia na França.

O interesse em desinvestir na América Latina foi anunciado pelo grupo francês em junho do ano passado.

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O anúncio veio acompanhado de um processo de reestruturação da companhia que tirou Jean-Charles Naouri do controle e tornou o bilionário tcheco Daniel Kretinsky o acionista majoritário.

Nos últimos anos, o GPA vem passando por mudanças em sua estrutura. Em 2021, a dona do Pão de Açúcar concluiu o processo de cisão do Assaí Atacadista – atacarejo do qual o Casino também deixou o controle no ano passado, com a venda de uma fatia de 11,7%.

Em janeiro deste ano, o GPA também vendeu sua participação de 13,31% no Grupo Éxito por US$ 156,4 milhões (aproximadamente R$ 915 milhões, na cotação atual).

A estratégia, de acordo com o GPA, fazia parte do “plano de venda de ativos não core com o objetivo de não apenas reduzir a alavancagem financeira, mas também melhorar a eficiência na alocação de capital”.

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