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Na visão de analistas, a contestação é positiva e pode trazer maior pressão por transparência na fusão entre os frigoríficos
Prestes a oficializar o casamento, a fusão da Marfrig (MRFG3) e da BRF (BRFS3) encontrou uma pedra no caminho. Um membro da família Fontana, herdeira do fundador da Sadia, manifestou-se contra os termos da operação.
Segundo Adriano Fontana, filho de Alex Fontana, que fez reclamação junto à CVM, a relação de troca proposta subavalia os papéis da BRF, implicando em um desconto de cerca de 16% em relação ao valor de mercado da companhia antes do anúncio.
Ao Pipeline, Fontana disse que representa um grupo familiar que detém 3% de participação na BRF e tem conversado com outros acionistas para fazer pressão na negociação.
Uma fonte próxima à empresa, no entanto, disse ao Seu Dinheiro que a família Fontana tem apenas 1,02% de participação na empresa e que o questionamento teria partido realmente apenas de Adriano e seu pai, que é o acionista de fato, com 0,11% de participação.
Vale lembrar que, atualmente, a fusão prevê o pagamento de R$ 2,20 por ação em dividendos e a entrega de 0,8521 ação da Marfrig por cada ação da BRF.
Adriano Fontana argumenta ainda que a operação favorece desproporcionalmente a Marfrig, que possui uma estrutura de capital mais alavancada. Além disso, também enxerga na proposta um possível abuso de poder por parte do acionista controlador.
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O anúncio vem após o processo ter sido encaminhado ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que vai analisar a fusão para dar o aval — ou não — para a união entre as duas empresas.
A operação precisa ser analisada por se tratar de uma incorporação de ações entre companhias que já fazem parte do mesmo grupo econômico, com aquisições previamente aprovadas pelo órgão.
Após o anúncio, as ações da Marfrig operam em queda. Por volta das 15h25, MRFG3 caía 0,59%, a R$ 25,23. Já BRFS3 vai na direção oposta, com alta de 0,83%, a R$ 20,67.
Na visão dos analistas da Ativa Investimentos, a contestação é marginalmente positiva. Isso porque as reivindicações do membro da família Fontana podem levar a uma relação de troca melhor por parte da BRF.
“A mobilização de acionistas minoritários também pode trazer maior pressão por transparência e equilíbrio nas negociações, favorecendo uma solução mais alinhada ao interesse dos acionistas”, afirmam.
Atualmente, a Ativa tem recomendação neutra para o frigorífico e preço-alvo de R$ 21 para as ações BRFS3, o que equivale a um potencial de alta de 2,69%.
A Marfrig e a BRF anunciaram a intenção de realizar uma fusão que envolve troca de ações ainda em maio. Segundo o comunicado, o nome da nova companhia será MBRF.
A incorporação prevê que os acionistas da BRF, exceto a Marfrig, receberão 0,8521 ação da Marfrig para cada ação da BRF, tornando a BRF uma subsidiária integral da Marfrig.
O direito de retirada será garantido aos acionistas que não concordarem com a operação, com valores fixos de reembolso de R$ 3,32 por ação para a Marfrig e R$ 9,43 por ação para a BRF.
No caso da BRF, os acionistas dissidentes ainda poderão optar por receber o valor patrimonial por ação de emissão da companhia, determinado em R$ 19,89 com base em laudo de avaliação.
As assembleias gerais extraordinárias (AGEs) para deliberar a operação estão marcadas para 18 de junho de 2025: às 9h para a BRF e às 11h para a Marfrig.
*Com informações do Money Times e do Pipeline
Matéria atualizada às 19h23 para correção da informação sobre os responsáveis pela contestação dos termos de troca e esclarecimento sobre as participações dos membros da família Fontana.
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