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Para os analistas, apesar dos intensos esforços para gerir passivos e reestruturar a dívida, a alavancagem financeira da Azul permaneceu alta, agravada pela volatilidade cambial e pelo aumento das taxas de juros
Após a Azul (AZUL4) entrar com um pedido de recuperação judicial (Chapter 11) nos Estados Unidos, analistas dos principais bancos e corretoras ao redor do mundo acenderam o alerta vermelho. Nesta quinta-feira (29) foi a vez do BTG Pactual e da XP Investimentos colocarem a ação da companhia em revisão.
Na quarta-feira (28), dia do anúncio, as ações chegaram a cair mais de 12% durante o pregão, mas fecharam em baixa de “apenas” 3,74%, cotadas a R$ 1,03. Já nesta quinta-feira (29), por volta das 12h07, registravam uma nova queda de 2,91%, sendo negociadas a R$ 1,00 na bolsa brasileira.
Com esse desempenho, a desvalorização acumulada da empresa em 2025 ultrapassa os 70%, sendo que 42% desse tombo ocorreu apenas no último mês.
Completando o cenário de crise, as ações da Azul deixarão de compor todos os índices da B3 após o fechamento desta quinta-feira (29), ou seja, a partir de 30 de abril, conforme regras da Bolsa brasileira para empresas em recuperação judicial.
Além do Ibovespa, a Azul terá seus papéis excluídos dos índices IGCX, IBXX, IGCT, IBRA, IVBX, ISEE, ITAG, SMLL, IBXL, IDVR, IBHB, IBBR, IBEP, IBEW, IBBE e IBBC.
Apesar da saída nos índices, as ações AZUL4 seguem negociadas na B3.
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A equipe do BTG, liderada por Lucas Marquiori, pondera que, mesmo com intensos esforços em gestão de passivos e reestruturação da dívida, a alavancagem financeira se manteve elevada para a Azul, especialmente diante da recente volatilidade cambial e do aumento das taxas de juros no Brasil.
Os analistas ainda destacam que, apesar de a aérea ter superado a crise sanitária que agravou a situação do setor aéreo, a empresa enfrentou problemas na cadeia de suprimentos da aviação e um cenário macroeconômico desafiador.
“Diante do processo de recuperação judicial em curso, revisaremos nosso modelo para refletir a nova estrutura de capital da empresa”, diz o BTG.
Tendo em vista que a companhia garantiu um financiamento DIP (Debtor in Possession) de US$ 1,6 bilhão e possui um plano definido para uma captação de capital via equity de US$ 650 milhões na saída — podendo chegar a US$ 950 milhões caso United e American Airlines participem —, a equipe de analistas da XP, liderada por Pedro Bruno, avalia que as negociações devem ser aceleradas.
A expectativa da casa é de conclusão do processo até o primeiro trimestre de 2026. “A empresa pretende usar esses recursos para reestruturar suas obrigações financeiras e fortalecer sua estrutura de capital para sustentabilidade de longo prazo. Estamos colocando a recomendação da Azul sob revisão”, dizem.
A reestruturação da Azul já teve impacto direto na recomendação dos papéis por outras instituições financeiras. Bradesco BBI e Ágora Investimentos, também nesta quinta-feira, rebaixaram a classificação das ações AZUL4 para “venda” após a confirmação do pedido de Chapter 11.
Sobre a fusão com a Gol (GOLL4), a Azul afirmou que ela deixou de ser imprescindível neste momento, destaca o BTG.
“Foi mencionado que primeiro é necessário resolver as questões do balanço, concentrando-se em fortalecer a estrutura de capital, antes de avançar com o negócio”, dizem os analistas.
A XP acrescenta que o processo dependia parcialmente da conclusão das renegociações da estrutura de capital de ambas. Com a entrada da Azul no Chapter 11, as negociações podem sofrer atraso.
* Com informações do Money Times
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