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Patrick Fuentes

Patrick Fuentes

Jornalista formado pela ECA-USP, foi repórter de Economia na Folha de S.Paulo e na CNN Brasil. Atualmente, atua na cobertura de empresas no Seu Dinheiro.

RESSACA DA BRAVA

Ambev (ABEV3) paga dividendos bilionários, mas queda no volume de vendas preocupa BTG e Itaú BBA

A cervejaria enfrenta dificuldades com queda nas vendas e elasticidade dos preços para reagir no curto prazo, afirmam analistas

Patrick Fuentes
Patrick Fuentes
31 de julho de 2025
14:15 - atualizado às 17:51

A Ambev (ABEV3) está às voltas com uma certa ressaca após a divulgação do balanço do segundo trimestre deste ano. Os resultados ficaram dentro das expectativas, mas a queda nas vendas preocupa os bancos BTG Pactual e Itaú BBA.

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A cervejaria reportou lucro líquido de R$ 2,79 bilhões no período. Trata-se de um crescimento de 13,8% em relação aos R$ 2,45 bilhões do mesmo período de 2024.

O resultado foi impulsionado pelo aumento do Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) e pela queda na despesa com imposto de renda. Essas linhas compensaram o recuo nos volumes e o aumento da despesa financeira líquida.

Só que a queda no volume de vendas e a baixa elasticidade de preços indicam que a cervejaria precisará de mais do que apenas reajustar o preço de seus produtos para sustentar seu crescimento no Brasil.

Nas visões do BTG Pactual e do Itaú BBA, a Ambev enfrenta uma competição crescente, especialmente da Heineken, que atualmente foca em ter mais volume de vendas e expansão da produção doméstica — e nem mesmo o pagamento de dividendos bilionários parece ajudar a cervejaria.

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Por volta das 13h50, o papel da cervejaria registrava queda de 4,49%, a R$ 12,56. No mesmo horário, o Ibovespa (IBOV) recuava 0,38%, aos 133.474,72 pontos.

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Preço e vendas afetam a Ambev

Os volumes totais caíram 4,5%, para 39,57 milhões de hectolitros, pressionados por uma indústria mais fraca no Brasil e na América Central e Caribe, queda parcialmente compensada pelo crescimento na América Latina e Sul e no Canadá.

Apesar disso, a Ambev espera que os preços possam continuar subindo, mas isso vai depender de sua capacidade de controlar o volume de vendas.

Para os analistas do Itaú BBA, a principal preocupação está na elasticidade de preço das cervejas no Brasil, dado o desempenho fraco das vendas, que não compensaram a inflação acelerada dos custos.

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“A Ambev conseguiu um aumento de 6% na receita por hectolitro, o que foi melhor do que o esperado. Porém, isso se deve em parte à mudança no mix de produtos, com as marcas premium e super-premium ganhando mais participação, enquanto as marcas mais populares perderam mercado.”

O recuo no volume de vendas foi maior do que o esperado, uma diminuição de 8,9% ano a ano, quando o mercado esperava uma redução de 2% a 4%.

A elasticidade de preço das cervejas no Brasil será um tema importante nas discussões dos investidores, dado o impacto que isso pode ter na capacidade da Ambev de manter seus preços sem prejudicar as vendas.

A Ambev atribui isso ao clima, com junho sendo o principal responsável pela queda nas vendas. No entanto, na visão do BTG, a cervejaria tomou iniciativas de preços incomuns para o 2T25, o que ajudou a aumentar a receita por hectolitro.

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“Esse aumento de preço é visto como uma estratégia para proteger as margens, mas isso levanta a questão sobre o impacto do aumento de preços no volume de vendas, dado o ambiente mais competitivo”, afirma o BTG em relatório.

Para o banco, a pressão competitiva, junto com um ambiente de consumo mais fraco, sugere que a Ambev enfrentará dificuldades para manter suas margens sem prejudicar ainda mais suas vendas.

Com isso, o Itaú BBA e o BTG mantiveram a recomendação neutra para as ações da Ambev, com preço-alvo para dezembro de R$ 15. Isso representa um potencial de valorização de 12% em relação ao fechamento da véspera.

A avaliação de ambos os bancos é de cautela e de que a empresa precisa de sinais de aumento na distribuição para atrair novos investidores.

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Dividendos bilionários não devem ajudar

Mesmo com resultados que preocuparam o mercado, a Ambev aproveitou a data para divulgar a distribuição de R$ 2 bilhões em dividendos para seus acionistas com base nos lucros do primeiro semestre deste ano.

O total equivale a R$ 0,179347034195 por ação ordinária. O provento está programado para cair na conta dos acionistas em 6 de outubro.

Terão direito a receber os proventos os acionistas com posição na Ambev no fechamento de 7 de agosto. A partir de 8 de agosto, as ações passarão a ser negociadas "ex-direitos".

Assim, o investidor pode optar por comprar o papel agora, garantindo o direito ao dividendo, ou esperar pela data de corte para adquirir o ativo por um valor menor, mas sem direito ao provento.

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Na visão do Itaú BBA, o anúncio representa um passo positivo para a Ambev, mas o pagamento foi modesto pode não ser suficiente para atrair os investidores, a menos que haja sinais de aumento nas distribuições.

Já os analistas do BTG consideram que, para os investidores ficarem mais animados, seria necessário que a cervejaria aumentasse ainda mais os dividendos ou realizasse recompras de ações.

*Com informações do Money Times

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