Ações do Banco do Brasil (BBAS3) somam R$ 5 bi em posições vendidas e XP projeta menos lucros e dividendos a partir de agora
Analistas da XP sinalizam problemas persistentes na qualidade de crédito do setor agrícola do banco estatal e mantém cautela para os próximos trimestres

Dizer que o segundo trimestre do Banco do Brasil (BBAS3) será “desafiador” é chover no molhado a essa altura do campeonato. Ainda assim, a XP revisou as projeções de resultados da estatal para o período de abril a junho e para 2025 e chegou à conclusão de que o BB está em apuros.
Em relatório desta segunda-feira (7), Bernardo Guttmann e Matheus Guimarães escrevem que as projeções de lucros estão significativamente menores e o cenário de crédito segue em deterioração, especialmente no agronegócio.
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A principal revisão de números dos analistas se deu no ajuste para refletir a piora na inadimplência acima de 90 dias, subindo a previsão para 4,5% no ano, ante 4% anteriormente. Além disso, a XP espera um crescimento mais lento dos empréstimos, diminuindo a projeção de 9% para 6,6%.
O setor agrícola, um motor chave para o Banco do Brasil nos últimos anos, continua a ser o principal ponto de preocupação, impactando negativamente os indicadores de inadimplência e elevando a necessidade de provisões do banco estatal, segundo o relatório.
Embora a carteira de crédito total ainda aponte para um crescimento anual entre 5,5% e 9,5%, conforme guidance válido, o segundo trimestre deve apresentar uma desaceleração na comparação trimestral, ficando praticamente estável em relação a janeiro a março.
BB: bem menos lucro, bem menos dividendos
Com isso, a estimativa de lucro líquido para o segundo trimestre foi cortada para R$ 5,4 bilhões, uma redução de 15,62% em comparação com os R$ 6,4 bilhões previstos em maio. Este valor representa uma queda de 43,5% em relação ao ano anterior e 27,0% em comparação com o trimestre anterior.
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Consequentemente, o Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROAE) esperado também é menor, de 12%, uma baixa de 470 pontos-base na comparação trimestral.
Com base neste cenário, a XP também revisou sua previsão de lucro para o ano de 2025, projetando uma queda de 8% na comparação anual, para R$ 26 bilhões.
A suspensão do guidance pelo banco e os dados de crédito piores do que as declarações da administração durante a teleconferência de resultados do primeiro trimestre contribuem para uma visão desfavorável da dinâmica de curto prazo do banco, segundo o relatório.
Apesar das revisões para baixo, o preço-alvo para o fim de 2026 foi mantido em R$ 32,00 por ação, refletindo as premissas mais conservadoras de qualidade de ativos e menores pagamentos de dividendos pelo banco para preservar capital.
O valor representa um potencial de valorização de 45% em relação ao preço atual de R$ 22 por ação. Porém, a recomendação da XP para as ações BBAS3 é neutra.
A taxa de payout (distribuição de dividendos) foi ajustada para os próximos anos: em 2025 deve ser de 36% e 2026, 2027 e 2028 ficar na faixa dos 35%. No ano passado, o payout foi de 40%.
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Aumento de posições short: BBAS3 é ação vendida
Guttmann e Guimarães avaliam que o desempenho do Banco do Brasil tem sido pressionado por um aumento recente nas posições vendidas das ações BBAS3 na bolsa.
Entre os grandes bancos brasileiros, o BB se destaca com o maior percentual de "short interest", atingindo 8,30% do total de ações, com um prazo de dias para recompra que chega a 7,08 dias. Em volume financeiro, as posições “short” em BBAS3 somam R$ 5,18 bilhões.
Concorrentes da estatal como Bradesco e Itaú também tem fortes posições vendidas, mas que ficam atrás do BB. O relatório mostra um "short interest" de 5,30% para BBDC4 e de 4,90% para ITUB4. Santander (SANB11) tem 4,30% e BTG Pactual (BPAC11) tem 4,10%.
No entanto, os analistas da XP observam que uma melhora operacional em relação ao crédito agrícola, fatores eleitorais ou o restabelecimento do guidance poderiam desencadear uma recuperação no sentimento dos investidores e impulsionar uma valorização das ações do Banco do Brasil.
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