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Maria Carolina Abe

Maria Carolina Abe

É jornalista formada pela ECA-USP, com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais para Jornalistas pela B3. Tem mais de 25 anos de experiência e passagem pelas principais redações do país - entre elas, Estadão, Folha, UOL e CNN Brasil. Atualmente, é editora de Empresas no Seu Dinheiro.

MARÉ POSITIVA

Ações da Cosan (CSAN3) saltam 8% e emendam sexto dia de alta; afinal, o que está animando tanto o mercado?

Segundo relatório da Empiricus, três notícias recentes foram positivas para a companhia ou seu setor de atuação

Maria Carolina Abe
Maria Carolina Abe
3 de setembro de 2025
17:36 - atualizado às 22:45
Imagem: SD com ChatGPT

Que semana têm tido as ações da Cosan (CSAN3)! Os papéis emendaram a sexta alta seguida nesta quarta-feira (3), liderando os ganhos do Ibovespa no dia. Hoje, os papéis fecharam em alta de 8%, a R$ 6,75. Desde terça-feira passada (26), CSAN3 acumula valorização de 24,77%.

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Afinal, o que deixou os investidores tão otimistas com a companhia? Trata-se de uma combinação de boas notícias envolvendo a empresa e seu setor nos últimos dias, segundo um relatório enviado hoje pela Empiricus aos seus assinantes.

Agora, vamos por partes:

1. Operação Carbono Oculto ajuda o setor

    Em primeiro lugar, houve o lançamento da Operação Carbono Oculto, de combate à lavagem de dinheiro no setor de combustíveis, na semana passada.

    O combate às operações ilícitas no mercado de combustíveis era um pedido antigo das distribuidoras regulares, que vinham perdendo participação de mercado para os postos de bandeira branca.

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    As empresas investigadas na megaoperação representaram cerca de 3% do mercado de distribuição de combustíveis em 2024, sendo 1% no diesel, 3% na gasolina e 10% no etanol. 

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    Por isso, um dos efeitos potenciais é melhorar o ambiente competitivo de maneira significativa para as distribuidoras com operação lícita, como a Raízen (joint venture entre Cosan e Shell), na avaliação da Empiricus.

    “Agora, o ambiente competitivo fica estruturalmente mais saudável, permitindo que as distribuidoras lícitas voltem a ganhar participação de mercado e se beneficiem de margens melhores, com menos concorrência a preços artificiais”, escreveu a Empiricus. 

    2. Raízen levanta R$ 1,5 bilhão com mais vendas de usinas

      Na sexta-feira, a Raízen (RAIZ4) anunciou a venda das usinas Rio Brilhante e Passa Tempo, localizadas no Mato Grosso do Sul, com capacidade de 6 milhões de toneladas de cana por safra. A venda foi feita por R$ 1,5 bilhão. 

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      Esse foi o desinvestimento mais relevante feito pela empresa até agora. Com ele, as vendas anunciadas já somam R$ 4,4 bilhões – mas a companhia pretende levantar entre R$ 10 bilhões e R$ 15 bilhões, portanto, há mais pela frente.

      “Vemos o movimento como positivo, por estar na direção correta de desalavancagem, foco nos ativos rentáveis e racionalização do portfólio. Seguiremos acompanhando a reciclagem de portfólio nos próximos meses – ainda são necessárias mais vendas, e maiores”, escreveu a Empiricus em seu relatório. 

      “Nesse sentido, o maior ativo é a operação na Argentina, que poderia levantar entre R$ 5 bilhões e R$ 10 bilhões nas nossas estimativas, mas que depende, na nossa visão, de um resultado favorável da eleição legislativa no país vizinho, marcada para o final de outubro.”

      3. Novo potencial interessado na Raízen

        A Raízen, um dos ativos problemáticos da Cosan (você pode saber mais aqui), estaria na mira da japonesa Mitsubishi para um aumento de capital, segundo apuração da agência de notícias Bloomberg.

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        A Raízen emitiu comunicado afirmando que não há nenhum acordo vinculante por enquanto, o que torna a notícia especulativa, mas, ainda assim, sinaliza que há players estratégicos de fato interessados no ativo. 

        “Em havendo a capitalização, especialmente nos valores veiculados [R$ 10 bilhões], consideramos a notícia positiva para a Cosan – ainda que esta seja diluída”, escreveu a Empiricus.

        Cabe lembrar que a Raízen vem passando por um processo severo de desalavancagem diante da dívida colossal da empresa, que chegou a quase R$ 50 bilhões no primeiro trimestre de 2025 do ano safra (de abril a junho), com alavancagem de 4,5 vezes dívida líquida sobre Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização).

        Teve também relatório do BofA

        Ontem, o Bank of America (BofA) também divulgou um relatório sobre Cosan no qual afirma que se trata de uma história única de reestruturação e desalavancagem na América Latina, e reitera a recomendação de compra para o papel.

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        De acordo com o time de análise, a companhia vem atuando para reduzir a alavancagem, com a gestão de passivos e a venda da participação na Vale (VALE3). 

        A companhia também está focada em aprimorar suas operações, especialmente na subsidiária Raízen (RAIZ4), que passou por mudanças na gestão e venda de ativos.

        Para saber mais sobre o relatório do BofA, clique aqui.

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