Ações da Ambipar (AMBP3) valorizam 21% por causa de outra empresa — e ela é capaz de evitar uma recuperação judicial; saiba qual é
Na semana passada, ações da empresa de soluções ambientais caíram quase 50% por causa de medidas contra credores

Entre as maiores altas desta segunda-feira (29) na bolsa de valores, a cor verde se destaca: são as ações da Ambipar (AMBP3). Com valorização de 21,47%, os papéis da companhia fecharam o pregão negociados a R$ 10,75. O preço de abertura foi R$ 8,69.
Esse avanço forte tem motivos: segundo fontes da agência de notícias Reuters, a companhia de gestão de resíduos está próxima de contratar a boutique de assessoria Seneca Evercore.
Se o acordo for realmente realizado, a consultoria é capaz de ajudar a Ambipar na reestruturação de dívidas. Um grupo de detentores de títulos da empresa também estaria se preparando para negociações.
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Semana sombria para a Ambipar
A semana passada foi sombria para a Ambipar. Depois da saída do seu diretor financeiro e um desempenho ruim dos green bonds (títulos de dívida verdes emitidos no mercado internacional) no exterior, a empresa de soluções ambientais decidiu se antecipar e obteve uma liminar que garante proteção judicial contra exigências de credores.
Com isso, cláusulas que poderiam levar ao vencimento antecipado de dívidas foram suspensas. Na prática, isso quer dizer que a companhia e suas subsidiárias estão com dificuldades de pagar suas dívidas. A medida costuma anteceder um pedido de recuperação judicial.
Essa notícia derrubou as ações da empresa, que chegaram a cair 50% na B3. O que levou a empresa ao chão foram as preocupações sobre dificuldades de pagamento ligadas a operações com derivativos atrelados a green bonds.
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Como consequência, a agência de risco S&P Global rebaixou a nota de crédito (rating) da Ambipar de ‘BB-‘ para ‘D’, classificação que equivale a um calote da dívida (default).
A medida adotada pela empresa, segundo a agência, é “equivalente a uma reestruturação geral da dívida”, o que justifica a classificação ‘D’.
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A proteção contra a exigência de credores tem validade de 30 dias, com possibilidade de prorrogação por mais 30 dias.
ESG sem o G
A Ambipar carregava dívida líquida de cerca de US$ 6,1 bilhões no final de 2024 e uma projeção de dívida líquida/Ebitda de 3,2x para 2025, segundo cálculos do UBS BB.
Já ao fim do segundo trimestre, o endividamento líquido da empresa somava quase R$ 6 bilhões, com uma alavancagem de 2,56x o Ebitda anualizado do período.
Esse cenário fez o UBS BB colocar a ação em observação. Em relatório, a instituição afirmou que a companhia de soluções ESG (sigla em inglês para práticas socioambientais e de governança) passa por uma ruptura focada na capacidade de gerenciar liquidez e governança.
Esse fator tem impacto direto no valor de mercado.
“Após anos de expansão por meio de mais de 70 fusões e aquisições e crescente complexidade financeira, eventos recentes expuseram fragilidades na governança e na solidez do balanço patrimonial”.
UBS BB
Outros problemas cercam a Ambipar
Recentemente, a empresa também sofreu uma debandada no seu alto escalão. O diretor financeiro (CFO), João Arruda, deixou o cargo após pouco mais de um ano, enquanto Pedro Borges Petersen renunciou à posição de diretor de RI.
Essas mudanças na diretoria ocorreram ao mesmo tempo em que a companhia enfrenta um processo administrativo sancionador da CVM. O órgão investiga uma suposta irregularidade na recompra de ações da Ambipar.
A origem da acusação é uma disparada nas ações da companhia em 2024. Os papéis saíram de R$ 8 em maio para o pico de R$ 268 em dezembro. O mercado viu isso com desconfiança de uma manipulação de mercado.
O "short squeeze" nas ações AMBP3 foi impulsionado por aquisições do controlador, Tércio Borlenghi Junior, programas de recompra e a entrada de fundos ligados ao empresário Nelson Tanure e ao Banco Master.
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