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A petroleira adotou no momento uma postura mais cautelosa, mas especialistas dizem o que pode acontecer com a companhia caso a taxa de 50% dos EUA entre em vigor em 1 de agosto

As petroleiras estão na linha de frente dos efeitos da tarifa anunciada por Donald Trump sobre os produtos brasileiros — e a maior delas, a Petrobras (PETR4), adotou um tom de cautela com relação ao anúncio desta quarta-feira (9) feito pelo presidente norte-americano.
Diante da incerteza sobre a aplicação da taxa de 50%, que passa a valer em 1 de agosto e ainda pode ser negociada pelo governo brasileiro, a estatal disse que vai seguir buscando o que for melhor para os negócios, seja qual for o cenário.
“O posicionamento comercial e a atuação global da Petrobras permitem monitorar permanentemente os movimentos do mercado internacional e observar as opções mais econômicas”, diz a nota.
Ainda assim, a petroleira sentiu imediatamente os efeitos da tarifa de Trump. O anúncio do presidente norte-americano foi feito na quarta-feira (9), depois que os mercados já haviam fechado no Brasil, mas nem por isso os papéis da Petrobras deixaram de ser castigados.
Em Nova York, os ADRs da companhia estiveram entre as maiores perdas no after hours ontem e seguem operando em queda nesta quinta-feira (10).
Por aqui, as ações da estatal também operam no vermelho, embora tenham reduzido bastante as perdas vistas na abertura do pregão. Por volta de 12h50, PETR4 recuava 0,12%, a R$ 32,29, enquanto PETR3 subia 0,54%, a R$ 35,47.
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No mesmo horário, o Ibovespa tinha queda de 0,66%, a 136.570,90 pontos. Você pode conferir o comportamento dos mercados aqui.
A Petrobras está na linha de frente das empresas brasileiras afetadas pela tarifa de 50% anunciada por Trump. Segundo a XP, cerca de 4% da receita da estatal vem da exportação de petróleo bruto e refinado para os EUA.
Já o BTG Pactual aponta que, apesar de os combustíveis da petroleira representarem 37% do total exportado ao mercado norte-americano, os volumes são pequenos e podem ser facilmente redirecionados.
Apesar da baixa exposição da Petrobras ao mercado norte-americano, ainda há dúvidas no ar. Segundo os analistas Vicente Falanga e Ricardo França, do Bradesco BBI/Ágora Investimentos, não está claro se o petróleo será isento da nova tarifa de 50% imposta por Trump.
“O petróleo não foi incluído no recente anúncio do ‘Liberation Day’. Caso o petróleo não seja isento, existe a possibilidade de redirecionamento das exportações para outros mercados, possivelmente com algum desconto adicional no preço”, afirmaram os analistas.
A tarifação, se entrar em vigor como foi anunciada, também pode levar a uma mudança no perfil de compradores de petróleo, com uma maior participação de países asiáticos em detrimento dos Estados Unidos, na avaliação da StoneX.
No pior cenário, a consultoria afirma que “impactos de curto prazo podem envolver um recuo nas exportações de petróleo enquanto essas alterações se concretizam”.
Os EUA são o segundo maior parceiro comercial do Brasil tanto em exportações quanto em importações, com maior concentração em commodities.
Cerca de 18,8% dos embarques brasileiros para o mercado norte-americano são de petróleo bruto e refinado.
Em 2024, o Brasil exportou US$ 7,6 bilhões em petróleo e combustíveis para os EUA, representando 18,8% dos embarques nacionais para o país e 13,4% das exportações totais de óleo e combustíveis do Brasil.
*Com informações do Money Times
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