Você deveria estar se preparando para o pior no conflito entre Israel e Irã. Como proteger seu patrimônio desde já?
O Seu Dinheiro conversou com especialistas para entender por que você não deve esperar a situação se agravar para começar a pensar no melhor para os seus investimentos

O ataque de Israel contra o Irã na madrugada desta sexta-feira (13) acendeu o alerta vermelho global e fez o petróleo Brent disparar 7%, beirando os US$ 75 o barril — mas o que isso significa para os seus investimentos?
A primeira coisa a se saber é que este é o maior confronto entre os dois países desde 1980. Não à toa, o temor de uma escalada ainda maior entre os dois países gerou apreensão nos mercados financeiros: as bolsas globais enfrentaram uma queda generalizada, enquanto o dólar e o ouro — considerados refúgios em tempos de incerteza — ganharam força.
O temor é de que o conflito se intensifique. Vale lembrar que no início desta tarde, o Irã iniciou as retaliações contra Israel com o lançamento de mísseis balísticos, que atingiram mais de 200 alvos, de acordo com a mídia local.
É consenso entre os especialistas que se os ataques escalarem, o impacto na economia global será significativo, fazendo a inflação acelerar e os juros subirem ao redor do mundo.
Diante de uma guerra em potencial entre dois inimigos no Oriente Médio, como o investidor brasileiro comum deve se posicionar para enfrentar um cenário de volatilidade e o que você deve fazer para proteger o seu patrimônio?
Para responder essas e outras perguntas, o Seu Dinheiro conversou com Matheus Spiess, analista da Empiricus, e Lucas Carvalho, head do departamento de análise da Toro Investimentos.
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Israel vs. Irã: Você já deveria estar se preparando para o pior
Ainda é cedo para prever onde esse embate vai parar. No entanto, os especialistas alertam que o cenário mais crítico incluiria a paralisação do tráfego no estreito de Ormuz — detalhamos melhor essa questão nesta reportagem —, a intervenção de outros países e até a declaração formal de guerra.
O consenso, no entanto, é de que independentemente dos próximos capítulos, você já deveria estar preparando sua carteira para o pior cenário — mesmo que ele não se concretize.
“A recomendação que a gente dá é sempre ter proteção, tem que ser feito antes [do pior acontecer]”, diz Spiess.
O analista da Empiricus destaca o kit geopolítico que a casa preparou para enfrentar o cenário de forte instabilidade global.
Esses investimentos contemplam caixa. Ou seja, manter uma parte do portfólio em ativos como títulos públicos, que rendem dois dígitos no Brasil. Spiess também cita posição em moedas fortes, como o próprio dólar — mas não só.
“Você vê os investidores indo para outras moedas para se refugiar, vai para o franco suíço, vai para o euro, vai para o iene e não necessariamente para o dólar”, diz.
O ouro também é essencial para esse pacote de proteção. “É óbvio que o metal entra como um ativo muito importante. Já recomendamos há anos, é o grande ativo de 2025 até agora. O investidor pode buscar via BDRs [Brazilian Depositary Receipts] ou ETFs [fundos de índice], por exemplo”, explica Carvalho, da Toro.
As criptomoedas, apesar de não serem consideradas porto seguros tradicionais, também podem ajudar nesse momento.
“Se porventura desaguar em uma crise financeira, criptoativos voltam para a mesma discussão como alternativa ao sistema financeiro tradicional. Mas só em um cenário muito radical de crise”, ressalta Spiess.
Ele também cita exposição ao petróleo, olhando para o caso de valorizações bruscas como vimos hoje. “Pode ser por meio de petroleiras tanto daqui como do exterior ou até ETFs de petróleo, por exemplo”, afirma o analista da Empiricus.
De acordo com David Fyfe, economista chefe da Argus, os preços da commodity devem permanecer elevados diante das tensões, “enquanto persistir a incerteza acerca da resposta militar do Irã e de qualquer retaliação subsequente por parte de Israel ou dos EUA”.
Ele acredita que o barril do Brent — a referência para o mercado internacional, inclusive para a Petrobras (PETR4) deve ficar entre US$ 75 e US$ 85.
O dólar no pior dos cenários
Em cenários de crise, o dólar costuma ser visto como um porto seguro para onde os investidores correm da incerteza, mas as coisas têm mudado.
A moeda norte-americana vem atravessando um cenário de desvalorização no mundo inteiro, dadas as preocupações sobre o futuro da economia norte-americana e a escalada da guerra comercial de Donald Trump.
Na visão de Spiess, a divisa tem contrariado aquela tendência do “dólar smile”.
Essa teoria sugere que o valor do dólar tende a se comportar de forma em "sorriso", com uma valorização mais forte tanto em momentos de grandes crises econômicas quanto em períodos de crescimento econômico sólido, mas com uma desvalorização no meio desses dois extremos.
“O dólar continua sendo a principal moeda do mundo, mas talvez não se fortaleça como antes, como seria o esperado em momentos como esse. Isso por causa da série de ruídos institucionais que estamos vendo nos Estados Unidos”, explica o analista da Empiricus.
E a bolsa brasileira?
Na visão de Carvalho, da Toro, no pior dos casos é esperada uma queda do Ibovespa, em um movimento de fuga do risco — com saída de capital da bolsa brasileira tanto por parte dos investidores gringos, quanto dos locais.
Mas esse movimento de saída de capital gringo não seria exclusivo do nosso país.
“O fluxo estrangeiro que entrou aqui no Brasil foi um volume de recursos que veio para emergentes no geral, como forma de alternativa às bolsas de Nova York. Então, no caso de uma aversão a risco generalizada, é possível que as bolsas emergentes no geral saiam perdendo”, explica Carvalho.
Nesta sexta-feira (13), o Ibovespa encerrou o dia com queda de 0,43%, aos 137.212,63 pontos.
Mas Carvalho também afirma que a Petrobras (PETR4) poderia segurar uma queda forte do Ibovespa nesse cenário, já que a ação é um dos pesos-pesados da bolsa e sai ganhando com o petróleo em alta.
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