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O QUE VEM POR AÍ

O que vai mudar no seu bolso: o BTG Pactual faz as contas do Brasil para 2026 e prevê dólar a R$ 4,90

Banco atualizou as projeções para inflação, PIB e diz como a guerra no Oriente Médio pode mexer com o bolso do brasileiro

Guerra e mercado financeiro

Um conflito no Oriente Médio que já dura três meses, petróleo acima de US$ 100 o barril e bancos centrais ao redor do mundo repensando as estratégias de juros. Sob um cenário turbulento lá fora, o BTG Pactual refez as contas para maio — e a boa notícia é que o Brasil, ao contrário do que costuma acontecer em crises globais, está em posição relativamente confortável desta vez. Mas isso não significa que a vida vai ficar mais fácil no curto prazo. 

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Uma das principais revisões do relatório é a projeção do câmbio. O BTG reduziu a estimativa para o dólar ao fim de 2026: de R$ 5,20 para R$ 4,90. 

Por que o real está se saindo bem? O Brasil é um exportador líquido de petróleo — ou seja, vende mais do que compra. Com o barril disparando lá fora, o país arrecada mais dólares. 

Segundo o relatório, o Brasil é o único grande país emergente com saldo comercial positivo quando se somam energia e fertilizantes. Enquanto moedas de países como Índia, Chile e Turquia se desvalorizaram desde o início do conflito, o real se valorizou 4,1% frente ao dólar no mesmo período. 

Isso se reflete nas exportações: o BTG projeta um superávit comercial de US$ 90 bilhões em 2026, bem acima dos US$ 68 bilhões de 2025. A produção de petróleo no país bateu recorde histórico de 4,2 milhões de barris por dia em março de 2026. 

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Os juros vão cair — mas devagar, e com riscos 

Depois de subir a Selic até 15% ao ano no ciclo anterior, o Banco Central começou a cortar os juros, que atualmente está em 14,50%. 

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A projeção do BTG é que a Selic terminal, ao fim do ciclo, fique em 13% — uma redução, mas ainda em patamar bastante elevado. 

O Comitê de Política Monetária (Copom) deve continuar cortando a taxa básica em doses pequenas de 0,25 ponto percentual por reunião, segundo o banco. 

O problema é que o cenário inflacionário complicou, e os economistas do BTG reconhecem que a função de reação do BC ficou menos clara — ou seja, é mais difícil saber exatamente quando os juros vão parar de cair. 

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Se a inflação piorar mais do que o esperado, existe o risco de a Selic terminal ficar acima dos 13% projetados. Para quem tem dívidas — cartão de crédito, financiamento, crédito pessoal —, isso significa que o alívio nas prestações vai vir, mas de forma gradual e sem pressa. 

Brasil: inflação vai acelerar antes de perder força 

A inflação é o ponto que mais preocupa no curto prazo. O BTG revisou a projeção do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 4,7% para 4,9% em 2026 — acima da meta de 3% fixada pelo governo. Para 2027, a estimativa é de 4,2%. 

Vários fatores pressionam os preços ao mesmo tempo. A gasolina e o diesel estão defasados em cerca de 45% em relação ao preço internacional — o que significa que a Petrobras poderia reajustar, e o relatório projeta que isso deve acontecer. 

O governo sinalizou que pretende compensar parte desse reajuste com redução de impostos federais sobre combustíveis, o que limita o impacto no bolso, mas não elimina. 

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Além dos combustíveis, os alimentos também estão pressionados — efeito indireto da alta do diesel, que encarece o frete. Os serviços, que incluem desde salão de beleza até aluguel de apartamento, seguem resilientes, sem mostrar sinais de queda. 

Há ainda o risco de um El Niño forte no segundo semestre, que pode pressionar mais os preços dos alimentos. 

As expectativas de inflação dos agentes de mercado também pioraram nas últimas semanas, o que dificulta o trabalho do Banco Central. 

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A economia vai crescer, mas menos do que 2025 

Apesar dos juros altos e da inflação resistente, a atividade econômica surpreendeu positivamente no início de 2026. 

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O BTG revisou para cima a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 1,9% — acima dos 1,7% que projetava antes, ainda que bem abaixo dos 2,3% de 2025. 

O emprego está em níveis históricos de baixa: a taxa de desemprego bateu 5,35% em fevereiro — a menor desde que a série começou a ser medida. Os salários reais estão crescendo. 

E o governo segue despejando estímulos na economia: isenção de imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil, crédito consignado, programa para caminhoneiros, Minha Casa Minha Vida e uma série de outros programas que, segundo o BTG, somam cerca de R$ 140 bilhões em impulso sobre a demanda em 2026. 

O lado negativo é que o crédito está mais caro e mais escasso. Os dados de março mostraram queda nas concessões e aceleração da inadimplência. Quem tem dívida no cartão de crédito ou no cheque especial sente esse aperto na veia. 

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O que fica no radar para o Brasil

O relatório deixa claro que o balanço de riscos para a inflação no Brasil está assimétrico — ou seja, é mais fácil surpreender para cima do que para baixo. 

O petróleo é a grande incógnita: se o conflito se prolongar e os preços do barril ficarem elevados por mais tempo, a pressão sobre combustíveis, fretes e alimentos vai ser maior. 

Para o brasileiro, o resumo prático é: o dólar mais fraco é um alívio; os juros vão cair, mas devagar; a inflação ainda vai incomodar, especialmente na bomba de gasolina e no carrinho de supermercado. E o emprego — por enquanto — segue firme. 

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