IPCA volta a assombrar enquanto o mundo para para ver o aperto de mãos de Xi e Trump; confira o que pode mexer com a bolsa
A semana que começa será carregada de eventos, tanto no Brasil como no exterior, capazes de mexer com o bolso — e os nervos — dos investidores

Quando o investidor desligou o computador na sexta-feira (8), deixou um cenário de contrastes na bolsa: de um lado, o Ibovespa tentou lamber as feridas e subiu 0,49%, aos 184.108 pontos, impulsionado pela recuperação de bancos e da Vale. Do outro, o saldo dos cinco ainda foi negativo em 1,71%.
No câmbio, o real deu sinais de resiliência: o dólar à vista caiu 0,60%, encerrando a R$ 4,8939 — a menor cotação em mais de dois anos. O combustível para essa valorização veio de fora: o petróleo Brent acima dos US$ 100 e um otimismo cauteloso com a geopolítica no Oriente Médio.
Mas não se engane com a calmaria momentânea. A agenda que se inicia promete colocar essa estabilidade à prova com uma bateria de dados de inflação e atividade que podem mudar o rumo dos juros globais.
Brasil: O termômetro do IPCA e o pulso do consumo
Por aqui, o cardápio está cheio de dados que podem mexer com a bolsa na semana que começa. O prato principal será servido na terça-feira (12), quando o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de abril.
A expectativa é de uma pancada: alta de 0,69% no mês, o que levaria o acumulado em 12 meses para os 4,4%, encostando no teto da meta, segundo projeções do Bradesco.
O mercado deve dissecar o índice para entender quanto dessa pressão vem do Oriente Médio e quanto é inércia interna.
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Na quarta-feira (13) é dia de conferir as vendas no varejo. O Bradesco projeta um crescimento tímido de 0,1% no restrito e 0,2% no ampliado. O mercado provavelmente vai tentar entender se o brasileiro ainda tem fôlego para gastar com o crédito caro.
Na sexta-feira (15), a semana acaba com a divulgação da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS). A projeção do Bradesco é de alta de 0,2%, confirmando se o setor, que é o coração do Produto Interno Bruto (PIB), continua batendo no ritmo esperado.
Selic em queda, dólar abaixo de R$ 5 e petróleo em alta: o que fazer com o seu dinheiro em maio
EUA: inflação, geopolítica e o efeito Trump na bolsa
Se o Brasil está agitado, Pequim pode se tornar o epicentro dos terremotos na bolsa.
O mercado de trabalho norte-americano (payroll) mostrou força — 115 mil vagas e desemprego em 4,3% —, o que praticamente enterrou as chances de corte de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) até 2027. Agora, o foco volta para os preços.
Na terça (12) e quarta (13) saem o CPI (índice de preços ao consumidor) e o PPI (índice de preços ao produtor). Juntos, esses dados darão uma pista ao índice de preços para gastos pessoais (PCE), a métrica favorita do Fed para a inflação nos EUA.
Na quinta-feira (14), um evento que pode travar as telas: o encontro entre os presidentes dos EUA, Donald Trump, e da China, Xi Jinping, em Pequim. Qualquer frase fora do lugar pode reacender a guerra comercial que assombra os mercados.
Na sexta-feira (15), as vendas no varejo de abril dirão se o consumidor norte-americano está sentindo o peso dos juros na faixa de 3,50% a 3,75%.
América Latina: gasolina nas alturas e olhos no México
Para fechar o mapa dos indicadores globais, nossos vizinhos terão uma agenda mais leve, porém estratégica.
No México, os holofotes se dividem entre os dados de emprego formal e o ruído político envolvendo a denúncia contra o governador de Sinaloa, Rubén Rocha.
Já no Chile, o Banco Central divulga a pesquisa de expectativas na terça-feira. O ponto de atenção é a gasolina, que disparou 40% desde o início da guerra.
Por enquanto, as expectativas de inflação para dois anos seguem ancoradas em 3,0%, mas o mercado vigia se a âncora vai aguentar o tranco.
DANÇA DAS CADEIRAS
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