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Rodolfo Amstalden: E olha que ele nem estava lá, imagina se estivesse…

Entre choques externos e incertezas eleitorais, o pregão de 5 de dezembro revelou que os preços já carregavam mais política do que os investidores admitiam — e que a Bolsa pode reagir tanto a fatores invisíveis quanto a surpresas ainda por vir

Bolsa Ibovespa Ações
Queda da bolsa em maio é menos preocupante do que parece - Imagem: iStock.com/simoncarter

Não restam dúvidas de que o pregão de 5 de dezembro pode ser considerado traumático em muitos aspectos — como o Felipe falou, uma espécie de Joesley Day.

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No entanto, o que mais me impressionou na reação do mercado foi o quanto o trade eleitoral já estava embutido nos preços, ainda que em fração ínfima sobre o que pode ainda vir a ser.

Quando acompanhamos os ativos financeiros em tempo real, podemos apenas suspeitar daquilo que é tecnicamente chamado de “decomposição de fatores”.

Diante das imposições da rotina diária, não há como calcular exatamente quanto do retorno observado se deve à causa A, B ou C.

Então, o melhor que podemos fazer é trabalhar com ordens de grandeza de cunho qualitativo; transmitidas socialmente por meio dos deals que se tornam públicos e da expressão deliberada dos formadores de opinião.

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É justamente daí que veio a minha surpresa.

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Houvéssemos perguntado a 100 investidores antes do Flávio Day, 90 deles diriam que não estavam posicionados em Kit Brasil visando um rali eleitoral, pois o tempo era vasto e as incertezas gritantes.

Bolsa e a Trumponomics

A Bolsa brasileira havia subido +37% no ano até então, principalmente, por graça oblíqua da Trumponomics, que jogou o dólar para baixo e redirecionou algum excesso de gordura dos EUA para os emergentes.

E se quiséssemos dar um tempero nacional a essa dádiva exógena, poderíamos considerar, mais recentemente, o acúmulo de indicadores macro sustentando uma virada monetária do Copom.

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Então, era isso: Trump em primeiro lugar, Copom começando a ganhar força, e o trade eleitoral visto como uma pequena opcionalidade, ainda muito fora do dinheiro.

Em tese, se isso fosse mesmo verdade, se era essa a decomposição fatorial, a Bolsa brasileira poderia ter caído -1% ou -2% na sexta-feira passada, e vida que segue.

Mas agora sabemos que não era o caso. Como explicar?

O que dizem versus o que fazem

Bem, a explicação mais óbvia, cuidadosamente amparada em achados da economia comportamental, é a de que aquilo que as pessoas dizem não casa necessariamente com o que elas fazem, e muito menos com as distribuições probabilísticas em nível agregado.

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Mas não acho que isso seja simplesmente uma farsa, ou um tipo de voto enrustido.

Frequentemente, os fatores se misturam em uma massa homogênea.

Ligamos a TV para ver um ator brilhante, e acabamos nos apaixonando pelo filme.

Vamos ao estádio para ver um jogador genial, e acabamos torcendo pelo time.

Você não ama uma pessoa porque ela tem o nariz bonito, entende? Mas pode até amá-la com um nariz feio.

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Bom, se a Bolsa caiu por conta de um motivo que nem estava lá, ela também pode subir por conta de outro motivo, que ainda nem apareceu.

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