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Uma reflexão sobre mattering, pertencimento e o impacto emocional da inteligência artificial no trabalho
Trabalho em uma empresa em que tenho o privilégio de conviver diariamente com diferentes soluções de inteligência artificial (IA). Entre elas, um universo agêntico que transforma a forma como penso, produzo, organizo ideias e executo o trabalho.
Na prática, isso significa passar alguns períodos trabalhando de forma mais solitária. Ou melhor: relativamente sozinho. Porque existe interação, troca e provocação intelectual. Mas elas acontecem mediadas por agentes, prompts, automações e sistemas que respondem rápido, aprendem rápido e, muitas vezes, acompanham o meu raciocínio com mais velocidade do que boa parte das relações humanas conseguiria acompanhar hoje.
Tenho observado que o avanço da inteligência artificial não está gerando apenas discussões sobre eficiência, performance ou substituição de funções. Ele também começa a despertar emoções difíceis de explicar. Sensações mais subjetivas. Quase existenciais.
Foi tentando entender esse incômodo que me deparei com o conceito de mattering — uma ideia estudada pela psicologia e pelas ciências sociais que fala sobre a necessidade humana de sentir que importa para alguém, para um grupo ou para o mundo ao redor.
Não se trata apenas de reconhecimento. É algo mais profundo. É a percepção de que nossa presença faz diferença. De que somos vistos. Considerados. Necessários.
E talvez uma das grandes contradições da era da inteligência artificial seja justamente esta: nunca fomos tão produtivos e, ao mesmo tempo, tão expostos ao risco de nos sentirmos emocionalmente irrelevantes.
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Uma IA pode acelerar entregas, estruturar apresentações, resumir dados, revisar textos e até simular conversas complexas. Mas ela não elimina uma necessidade profundamente humana: a de sentir que existimos na experiência do outro.
Talvez seja por isso que algumas pessoas relatem uma sensação curiosa após longos períodos de interação intensa com sistemas inteligentes. Não exatamente solidão. Mas uma espécie de vazio silencioso. Como se tudo estivesse eficiente demais para gerar vínculo.
Existe uma ironia nisso tudo: quanto mais autônomos os sistemas ficam, menos o trabalho exige necessariamente a presença de outras pessoas para acontecer. Só que o ser humano não foi treinado emocionalmente para viver apenas de eficiência.
Durante décadas, parte importante da nossa identidade foi construída nas reuniões, nos conflitos, nos pedidos de ajuda, nas trocas improvisadas e até nos ruídos do trabalho coletivo.
O trabalho nunca foi apenas produção. Ele também sempre foi uma forma de confirmação da nossa própria existência social.
Talvez este papo ainda pareça distante para quem não está imerso em um ambiente profundamente embebido por IA. Mas essas novas formas de trabalho começam a provocar reflexões que colocam em xeque muito do que aprendemos até aqui sobre o significado do trabalho.
Em um artigo que li esta semana sobre o case da Block, os autores traziam uma reflexão interessante: “em uma empresa tradicional, a inteligência está espalhada pelas pessoas e pela hierarquia que faz o roteamento dela. No novo modelo organizacional, a inteligência vive no sistema e as pessoas ficam na borda — onde está a ação, onde a inteligência tecnológica faz contato com a realidade.”
Confesso que esse ângulo me trouxe algum acalento.
Minha interpretação — e também o que tenho observado na prática — é que passamos cada vez mais tempo estruturando raciocínios, processando dados e construindo soluções a partir de prompts, agentes e códigos, para então voltarmos à cena humana: a interface entre tecnologia e realidade.
E talvez seja justamente aí que o mattering sobreviva.
Porque, no fim, ainda são as pessoas que atribuem significado ao trabalho umas das outras. Não é o sistema que faz alguém se sentir relevante em uma reunião difícil. Não é a automação que gera pertencimento em um time.
Quanto mais avanço nesse universo, mais tenho a sensação de que o valor humano começa a migrar para territórios menos operacionais e mais subjetivos. Não necessariamente para aquilo que sabemos fazer. Mas para aquilo que conseguimos perceber.
Contexto, intenção, sensibilidade, confiança, discernimento ético e leitura emocional. Elementos difíceis de transformar em prompt ou automação — e que talvez se tornem ainda mais valiosos justamente porque não escalam com facilidade.
É nessa ideia que decidi me apegar.
Até a próxima,
Thiago Veras
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