“Trump vai demorar um pouco mais para entrar em pânico”, prevê gestor — mas isso não é motivo para se desiludir com a bolsa brasileira agora
Para André Lion, sócio e gestor da estratégia de renda variável da Ibiuna Investimentos, não é porque as bolsas globais caíram que Trump voltará atrás na guerra comercial

A guerra comercial de Donald Trump contra o resto do mundo drenou rios de dinheiro dos mercados financeiros globais nos últimos dias. Mas, na avaliação de um dos tubarões da Faria Lima, isso não é motivo para se desiludir com a bolsa brasileira agora.
Para André Lion, sócio e gestor da estratégia de renda variável da Ibiuna Investimentos, Trump deve demorar “um pouco mais” para se desesperar com as implicações da nova guerra comercial em curso ou mesmo cogitar voltar atrás de suas duras decisões.
Isso porque, independente da sangria dos índices de ações mundo afora ou do risco de perder amigos de peso como Elon Musk no processo, o republicano acredita que as tarifas são positivas e construtivas para o mercado.
“Não é porque a bolsa caiu que ele vai entrar em pânico”, disse Lion, durante conferência anual de investimentos promovida pelo Bradesco BBI.
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Vale lembrar que, depois de Xi Jinping reagir às sobretaxas norte-americanas, Trump retaliou em cima. Agora, as tarifas norte-americanas a produtos importados da China chegam a 104%. Elas entraram em vigor hoje, junto com todas as outras.
Segundo o gestor da Ibiuna — que administra mais de R$ 14 bilhões em ativos —, atualmente há movimentos de placas tectônicas muito relevantes e que ainda não permitem uma leitura certeira do eventual resultado.
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Mas, por enquanto, o Brasil está “relativamente melhor posicionado”.
“Somos uma economia mais fechada globalmente, caímos na faixa mais baixa de tarifas, então estamos melhor no relativo. Temos sorte. Nossa atividade interna ainda está muito forte, mesmo com o Banco Central elevando os juros. Mas precisamos tomar cuidado, porque se realmente você tiver um impacto muito grande em atividade norte-americana que impacte a atividade global, o Brasil vai ser arrastado junto”, afirmou o gestor.
Onde investir em ações na bolsa brasileira, então?
A estratégia da Ibiuna hoje é fundamentalista, em busca de boas oportunidades na bolsa — seja no viés comprado ou no vendido — para capitalizar o retorno ao longo do tempo.
Hoje, a carteira de ações da gestora conta com papéis mais defensivos à volatilidade do mercado, como empresas elétricas, de saneamento e de shoppings centers.
Contudo, como o mercado tem estado especialmente volátil nas últimas semanas, surgem na bolsa inúmeras oportunidades atraentes para comprar bons ativos a preços “muito interessantes”.
“Existem outros ativos surgindo em outros setores ligados ao ambiente doméstico, então precisamos ser muito sensíveis a essa oportunidade de entrada de preço”, ponderou Lion.
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Apesar de estarem com papéis bastante descontados na bolsa, segmentos domésticos como o varejo e o de saúde, no entanto, não animam a Ibiuna tanto assim.
De um lado, as varejistas brasileiras não só enfrentam problemas no e-commerce, como também sofrem com o aumento do custo de capital devido aos juros elevados e com a concorrência mais acirrada no país.
“Por causa dessa dúvida, temos tido exposição menor ao setor. Há algumas empresas que ainda estão mal precificadas, mas não vemos nenhuma enorme oportunidade hoje. Enquanto a discussão do custo de capital estiver no patamar atual, a empresa vai trabalhar para pagar o banco, e não o acionista”, avaliou.
Já a preocupação no segmento de saúde baseia-se em dois pilares: o aumento da judicialização no setor e a regulação mais intensa pela Agência Nacional de Saúde (ANS).
“O empresário precisa ter um retorno de capital estupidamente alto para conseguir remunerar todos esses encargos extras que não consegue projetar. É um setor bem desafiador.”
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