Ouro vs. bitcoin: afinal, qual dos dois ativos é a melhor reserva de valor em momentos de turbulência econômica?
Ambos vêm renovando recordes nos últimos dois anos à medida que as incertezas no cenário econômico internacional crescem e o mercado busca uma maneira de se proteger

Nada mais humano do que procurar um porto-seguro em momentos de turbulências e incertezas, principalmente quando se trata de dinheiro. Atualmente, dois ativos disputam o título de melhor reserva de valor: o bitcoin (BTC) e o ouro.
Ambos trazem consigo momentos diferentes da história do mercado financeiro. O metal precioso foi motivo de guerras travadas por diferentes impérios e referência para o sistema monetário mundial. Já a moeda digital foi criada para ser uma alternativa de valor descentralizada e é considerada por alguns como o futuro na cena financeira.
Tanto o ouro quanto o bitcoin vêm renovando recordes nos últimos dois anos à medida que as incertezas internacionais crescem e indicadores econômicos causam movimentos entre os investidores, com governos tentando se blindar de desdobramentos da inflação global pós-pandemia.
- CONFIRA: Grandes especialistas revelam onde estão as melhores oportunidades do momento no podcast Touros e Ursos, do Seu Dinheiro; veja agora
Por exemplo, o famoso gestor Ray Dalio, em entrevista ao Financial Times, afirmou que o avanço da dívida pública de vários países, incluindo os Estados Unidos, tem ameaçado a atratividade das moedas de reserva como forma de armazenar riqueza.
Esse cenário, segundo o fundador da Bridgewater Associates, reforça a demanda por ouro e abre espaço para as criptomoedas.
O bitcoin atingiu sua máxima histórica de US$ 124.457,12 em 14 de agosto. Nesta segunda-feira (15), operava na casa dos US$ 114.600.
Leia Também
Já o ouro (preço spot) encerrou a última sexta-feira (12) a US$ 3.686,40 por onça-troy, um marco histórico para o metal precioso. Na terça-feira passada (9), superou, durante a máxima do dia, a marca de US$ 3.700 pela primeira vez na história.
Ray Dalio alertou, ainda, que a maioria das moedas fiduciárias, sobretudo aquelas associadas a países altamente endividados, deve enfrentar dificuldades para preservar valor frente a esses ativos.
Mas, afinal, qual a melhor reserva de valor para quem procura um investimento de proteção? Se você não sabe bem o que é uma reserva de valor, explicamos tudo a respeito nesta outra matéria. Se já sabe, continue nesta matéria para entender qual ativo — ouro ou bitcoin — merece o título no curto prazo, e se o cenário deve mudar em breve.
Parecidos, mas diferentes
O ouro e o bitcoin têm muito em comum: ambos os ativos são não locais, são úteis para a proteção contra questões cambiais e inflacionárias, e escassos em relação às suas respectivas obtenções. Mas uma característica importante separa ambos: a volatilidade.
Marcello Cestari, especialista da Empiricus Asset, explica que o BTC tem saltos de valorização muito grandes por causa da escassez da criptomoeda mais valiosa do mundo.
Entre janeiro de 2023 e agosto deste ano, o bitcoin saiu dos US$ 16.521,233, um salto de 555% até o final do último mês, quando encerrou cotado a US$ 108.236.
Em contraste, o ouro tem uma valorização contínua e lenta. No mesmo período, o metal dourado avançou 79,19%, indo de US$ 1.962,20, no final de janeiro de 2023, para US$ 3.654,92, no final de agosto de 2025.
Para Paulo Cunha, CEO da assessoria iHUB Investimentos, a valorização de ambos os ativos ganhou força após a pandemia, quando os governos realizaram múltiplos estímulos fiscais e monetários nas economias.
“O excesso de liquidez e o avanço da inflação global reforçaram o papel do ouro como ativo anti-inflacionário. O bitcoin também surfou nessa onda, devido às suas características semelhantes às do ouro, mas sua trajetória foi potencializada por fatores adicionais, como a euforia em torno da adoção global, a simpatia de políticos como Donald Trump e o avanço de regulamentações favoráveis nos EUA, que deram força às cotações”, afirma.
Em julho, o presidente dos EUA sancionou o Genius Act, lei que estabelece as regras para o mercado de stablecoins no país. Para especialistas, a medida trouxe clareza regulatória e segurança jurídica, o que deve acelerar a entrada de investidores institucionais no setor cripto.
Um bitcoin por um quilo de ouro
Para Cestari, a melhor forma de entender a paridade entre os ativos é imaginar que um quilo de ouro equivale a cerca de um bitcoin. Com isso, a commodity ficaria precificada em US$ 117.478,65.
O especialista da Empiricus Asset explica que a volatilidade é um fator a ser levado em consideração, mas que, devido à natureza da criptomoeda, tende a se reduzir.
“O bitcoin é um ativo com 15 anos de vida e tem sua estrutura programada para a emissão diminuir pela metade a cada quatro anos — o chamado halving. A inflação da criptomoeda já é menor que a do ouro e tende a diminuir ainda mais.”
- SAIBA MAIS: Fique por dentro das principais notícias do mercado. Cadastre-se no clube de investidores do Seu Dinheiro e fique atualizado sobre economia diariamente
A “inflação”, neste caso, é a taxa de novas unidades da criptomoeda “emitidas”, atualmente em 0,85%. No próximo halving, programado para abril de 2028, a mineração do bitcoin será reduzida de 450 BTC/dia para 225 BTC/dia, o que colocaria a taxa em 0,42%.
O ouro não possui um mecanismo de controle de oferta ou produção e mantém um ritmo constante. A taxa de crescimento por tonelada da commodity é estimada em 4,75% para 2025 e 6,78% para 2030, de acordo com a Mordor Intelligence.
No entanto, Mauriciano Cavalcante, diretor de ouro da Ourominas, ressalta que o metal precioso não perde seu valor intrínseco, assegurando o capital mesmo com desvalorização.
Para ele, conflitos como a guerra entre Rússia e Ucrânia aumentam a projeção de demanda pelo ativo, enquanto medidas como o tarifaço de Trump dão fôlego extra à cotação da commodity.
O Citi também projeta que a alta do ouro deve continuar no curto prazo, com a expectativa de que avance até US$ 3.750 a onça-troy em dezembro.
Qual a melhor reserva de valor para o investidor?
Não há uma resposta única e simples, já que o ouro e o bitcoin dividem opiniões entre especialistas.
Para Cestari, o metal dourado tem a desvantagem de ser confiscável, enquanto a criptomoeda é o oposto, além de permitir transações globais pela blockchain, usando apenas celular e internet.
Cavalcante, da Ourominas, por sua vez, aponta para o valor tangível do ouro. Segundo ele, o investidor sabe exatamente onde aplica seu capital, amparado por legislação que garante segurança.
A grande fragilidade do bitcoin, afirma, está na ausência de regras claras no Brasil: sem legislação específica, não há garantias de ressarcimento caso uma corretora quebre.
De um lado está o metal, historicamente reconhecido como proteção de riqueza. Do outro, a criptomoeda, ainda em “fase de testes”, mas vista como alternativa global diante das incertezas do sistema financeiro. Para Cunha, da iHub, a disputa não tem um fim à vista.
“O ouro mantém a tradição milenar e a confiança de governos, enquanto o bitcoin, com aura especulativa e alcance digital, busca provar que pode ser o ‘novo ouro’ no sistema financeiro internacional”, afirma.
Cada um com seu nicho
O mundo tenta entender se a criptomoeda terá uso em larga escala em trocas comerciais ou até na emissão de dívidas por países e empresas, de acordo com o CEO da iHUB Investimentos.
Um exemplo é a Strategy (antiga MicroStrategy), que segue como a maior detentora corporativa de bitcoin no mundo. A companhia acumula 638.460 BTC, avaliados em cerca de US$ 71 bilhões.
O movimento começou em 2020, quando a empresa adotou o criptoativo como estratégia de tesouraria. A decisão, liderada pelo fundador e chairman Michael Saylor, foi feita para ser um “porto seguro” contra a inflação e a perda de valor das moedas fiduciárias.
No Brasil, o Méliuz também entrou nesse caminho. Em março, a empresa anunciou que passaria a usar o bitcoin como principal ativo estratégico da tesouraria. A companhia já soma 604,69 BTC, adquiridos a um preço médio de US$ 103.323.
Já os bancos centrais são mais fãs do ativo dourado do que do digital.
Nos últimos três anos, mais de mil toneladas do metal entraram nos cofres das autarquias sob a justificativa do desempenho da commodity em crises, de acordo com o World Gold Council. Atualmente, a entidade estima que a reserva global do metal dourado seja de 60.370 toneladas.
O levantamento revela que 95% das autarquias monetárias acreditam que as reservas globais do metal dourado aumentarão nos próximos 12 meses. Somente em julho, bancos centrais pelo mundo adicionaram 10 toneladas do metal às reservas globais, segundo o mesmo World Gold Council.
Diversidade dos ativos
Mas o mercado de criptomoedas e metais é diverso, o que dá uma vantagem para o ouro.
Mesmo não sendo o metal mais raro da Terra, o ouro continua mantendo um patamar acima de pares mais escassos, devido ao seu valor histórico.
- CONFIRA: Monte sua estratégia de investimentos ideal em minutos: Acesse o simulador do Seu Dinheiro e descubra como diversificar sua carteira
Para se ter uma ideia, os contratos futuros da platina para dezembro, também negociados na Nymex, encerraram o pregão na última sexta-feira, cotados a US$ 1.386,7, valor 62% menor do que o ouro na mesma data.
Já o bitcoin segue no centro do radar do mercado financeiro, com análises que vão de projeções otimistas a alertas de risco.
O BTG Pactual apontou que, em agosto, a criptomoeda mais valiosa do mundo teve uma rotação relevante, com a migração de capital para o ethereum (ETH) e, depois, para outras altcoins. Com isso, a dominância do BTC caiu 3,63% no mês — maior retração desde maio de 2021.
Já o Itaú BBA mantém um tom cauteloso e considera que o bitcoin segue em tendência indefinida no médio prazo, com resistência técnica para superar a máxima histórica.
MAIS INCERTEZA COM 'ONDA AZUL'
A guerra no Irã vai acabar? O que as eleições nos EUA podem mudar no preço do petróleo
5 de novembro de 2026 - 19:37DA FESTA AO ENTERRO
‘Onda azul’ na urna, ‘onda vermelha’ na bolsa: o fantasma que derrubou Wall Street após a vitória democrata
5 de novembro de 2026 - 19:09PROMOÇÃO?
Fundos imobiliários vivem maior desconto da história. Pechincha ou armadilha?
5 de novembro de 2026 - 18:01AÇÃO DO MÊS
É hora de ser defensivo: veja a ação mais recomendada para proteger a sua carteira no pós-eleição
5 de novembro de 2026 - 11:57REFORÇO NO CAIXA
Fundo imobiliário pode embolsar R$ 160 milhões com venda de fatias de shoppings; veja ganho por cota
5 de novembro de 2026 - 9:15REAÇÃO AO RESULTADO
Nem todo mundo quer comprar Itaú: por que ITUB4 ainda não convenceu todos os analistas após o 3T26
4 de novembro de 2026 - 16:23VIRADA HISTÓRICA
‘Onda azul’ faz Wall Street disparar, mas vitória democrata pode trazer nova dor de cabeça para Trump
4 de novembro de 2026 - 14:01VISÃO DO GESTOR
O mercado desistiu do Brasil? Gestores reduzem apostas em bolsa e reforçam dólar antes do Copom
4 de novembro de 2026 - 13:15CHAVES NA MÃO
Fundo imobiliário BTLG11 embolsa R$ 56 milhões com venda de fatia de galpão; veja lucro por cota e detalhes da operação
4 de novembro de 2026 - 9:56BOLSA SOB PRESSÃO
Depois de tombo de 10%, XP fica mais cautelosa com a bolsa brasileira, mas aponta 10 ações para investir
3 de novembro de 2026 - 14:02SD ENTREVISTA
Dólar dispara, bolsa cai e Itaú muda a estratégia: chefe de recomendações do banco diz onde investir após as eleições
3 de novembro de 2026 - 13:29REDUÇÃO DA ALAVANCAGEM
Alívio na dívida? CSN (CSNA3) sobe 4% com avanço na venda da divisão de cimentos — mas ainda há desafios no radar
3 de novembro de 2026 - 12:49EX-PACMAN DOS FIIS?
Após onda de compras, ‘Pacman dos FIIs’ coloca imóveis à venda por R$ 530 milhões; veja lucro por cota
3 de novembro de 2026 - 9:39FIM DA GUERRA?
Petróleo fecha em queda de mais de 7% com expectativa de acordo para encerrar guerra no Oriente Médio
2 de novembro de 2026 - 16:19TOUROS E URSOS
Como será o amanhã? As perspectivas para seus investimentos após a eleição e a sangria dos mercados
2 de novembro de 2026 - 13:05CONFIRA
Atenção, investidor: B3 amplia horário de negociação a partir de terça-feira (3)
31 de outubro de 2026 - 18:07ENTENDA O CENÁRIO
JP Morgan faz alerta sobre o Banco do Brasil (BBAS3) e aponta desafio para o próximo trimestre
31 de outubro de 2026 - 13:15ENTRE MORTOS E FERIDOS
Sangria na bolsa deixa varejo e construção civil entre os setores mais castigados, mostra EQI
31 de outubro de 2026 - 9:15SANGRIA NOS MERCADOS
Ibovespa tem pior semana desde março de 2020 e arrasta desempenho mensal para vermelho, com um feito inesperado
30 de outubro de 2026 - 18:23ZERO A ZERO?