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A recomendação para a carteira é aumentar o foco em empresas com produção nos EUA, com proteção contra a inflação e exportadoras; veja os papéis escolhidos pelos analistas

As novas tarifas recíprocas de Donald Trump desencadearam uma sangria generalizada nos mercados financeiros globais. No entanto, a XP Investimentos vê no meio desse caos todo uma oportunidade para o investidor brasileiro lucrar no mercado de ações.
Na avaliação da corretora, ainda que o Brasil tenha tomado uma “punição” de 10% no novo cenário tarifário dos Estados Unidos, há seis ações brasileiras que poderiam inclusive ganhar com as novas taxas.
A recomendação da corretora é ajustar as carteiras de investimento para um foco maior em ações de empresas com produção nos Estados Unidos, títulos que servem como proteção natural contra a inflação e companhias exportadoras.
A XP Investimentos destaca ações em quatro setores principais da bolsa brasileira: agronegócio, mineração e siderurgia, óleo e gás e transportes.
Para os analistas Fernando Ferreira, Felipe Veiga, Raphael Figueredo, Júlia Aquino e Lucas Rosa, os setores exportadores de commodities devem se beneficiar de uma eventual guerra comercial.
Dessa forma, a SLC Agrícola (SLCE3) e a BrasilAgro (AGRO3) poderiam surfar a migração da demanda chinesa por grãos dos EUA para o Brasil.
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A Rumo (RAIL3) também seria uma beneficiária direta da maior demanda chinesa por grãos brasileiros — neste caso, porém, atuando na parte logística.
Enquanto isso, a Gerdau (GGBR4) se beneficia de um preço do aço americano mais alto devido às tarifas, além de ter uma operação americana significativa que não tem exposição às taxas anunciadas pelos EUA.
Já a Aura Minerals (AURA33) é considerada uma boa proteção para os portfólios de investimentos, com o ouro servindo como hedge contra a inflação.
A Unipar (UNIP6), com receitas dolarizadas e apenas 1% da dívida atrelada à moeda norte-americana, também é recomendada pela XP para lucrar com o câmbio mais forte.
Para a XP, ações de setores exportadores de commodities podem se beneficiar de uma guerra comercial, já que os países atingidos pelas novas tarifas tendem a retaliar as medidas dos EUA.
Outro ponto positivo seria o maior foco da China em investimentos estratégicos em infraestrutura no Brasil e na América Latina.
A visão mais construtiva para a bolsa local também deve-se ao fato de que as tarifas impostas ao Brasil foram mais brandas do que as direcionadas a outros países.
“Isso pode posicionar o Brasil como menos exposto ao risco tarifário, beneficiando-se de uma contínua rotação de fluxos de capital para fora dos EUA”, avaliaram os analistas.
Apesar do otimismo com as ações brasileiras, a XP destaca riscos importantes, como a tarifa de base de 10% sobre todas as importações, que pode impactar produtos brasileiros estratégicos exportados para os EUA.
Além disso, barreiras comerciais poderiam surgir do fortalecimento dos laços estratégicos entre Brasil e China.
O prolongamento da guerra comercial poderia também desacelerar as economias americana e global, prejudicando ativos de risco devido à maior volatilidade, redução no apetite por risco e queda nos preços das commodities.
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