O que esperar dos mercados em 2026: juros, eleições e outros pilares vão mexer com o bolso do investidor nos próximos meses, aponta economista-chefe da Lifetime
Enquanto o cenário global se estabiliza em ritmo lento, o país surge como refúgio — mas só se esses dois fatores não saírem do trilho

Enquanto o mundo observa um cenário global de acomodação econômica, o Brasil desponta como refúgio potencial, desde que consiga manter a estabilidade fiscal. A análise é de Marcela Kawauti, economista-chefe da Lifetime, gestora de patrimônio com R$ 25 bilhões sob gestão.
Em encontro com jornalistas, a especialista traçou para 2026 panorama de “equilíbrio pior” global, mas com surpresas positivas para o país, especialmente se a política fiscal interna seguir o rumo.
Kawauti também indicou cinco pilares que devem guiar o mercado e mexer com o bolso do investidor no ano que vem. Confira a seguir.
- LEIA TAMBÉM: Os leitores do Seu Dinheiro recebem todos os dias as notícias mais quentes do mercado. Quer receber também? Cadastre-se aqui
1. O tarifaço de Trump e o peso da incerteza
O primeiro grande risco para os mercados globais, segundo Kawauti, não é uma notícia ruim isolada, mas a incerteza em geral. As tarifas dos Estados Unidos, amplamente associadas à política externa de Donald Trump, ainda são um ponto de interrogação.
“É difícil dizer quando as incertezas vão ficar para trás. Será que teremos um momento em que Trump pare de divulgar tarifas e possamos ficar mais tranquilos? Ou vamos ver uma escalada de tensão?”, questiona Kawauti.
Segundo a economista, os anúncios erráticos de Trump elevaram o nível das tarifas a patamares próximos aos de 1930, tornando produtos estrangeiros muito mais caros e pressionando as empresas a anteciparem aumentos de preços.
Leia Também
O efeito disso é uma piora nas expectativas de inflação, desaceleração da atividade global e retração do comércio internacional.
Porém, a economista da Lifetime destaca que, embora esse cenário global seja pior, ele não é tão caótico assim.
“A projeção do PIB global veio para baixo, o que indica menor crescimento no mundo, mas não será uma queda brusca. Estamos falando de um equilíbrio pior, mas não disruptivo. Longe de uma recessão mundial”.
Entre os mais afetados devem estar os Estados Unidos e países muito expostos a eles, como o México.
2. A “bússola americana”, os juros nos EUA e o dólar
Outro driver central é o comportamento da economia norte-americana. Além das incertezas tarifárias, há questões fiscais e monetárias que impactam o país.
A dívida pública dos EUA está em níveis equivalentes aos do fim da Segunda Guerra, e a política fiscal ainda não endereçou esse cenário, afirmou a economista.
No campo monetário, o Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano) enfrenta um dilema: desacelerar a economia sem comprometer preços, ou segurar a inflação sem frear demais o crescimento — o chamado “duplo mandato”. Kawauti avalia que, diante disso, o Fed privilegiou cortes graduais de juros, o que é positivo para o Brasil.
“Uma queda da atividade nos EUA teria impacto negativo maior sobre o Brasil do que um aumento da inflação por lá. A decisão de cortar juros é boa para nós”, afirma Kawauti, lembrando que o mandato do presidente do Fed, Jerome Powell, se encerra em maio, e a sucessão pode influenciar a continuidade da política monetária. Ela projeta juros americanos em torno de 3,5% ao ano no fim de 2026.
“Por enquanto, o presidente do Fed segue firme, dando boas justificativas para não baixar os juros 'na canetada', como quer o presidente americano. Mas, em maio, o mandato de Powell se encerra, e quem será o novo presidente do Banco Central americano? Isso é bem importante para enxergar, talvez, um fim dessa maré de incertezas."
3. O real ganhando força: o Brasil como refúgio
Outro fator é o câmbio. O dólar em sua pior performance frente a outras divisas desde 2000 favorece o real, que se destaca entre moedas emergentes.
Para a economista, a incerteza e o menor rendimento das aplicações nos EUA levam investidores estrangeiros a diversificar geograficamente.
Segundo Kawauti, quatro fatores ajudam o Brasil a se beneficiar:
- Blindagem geopolítica: o país está distante dos principais conflitos globais;
- Juros elevados: a Selic alta atrai capital;
- Credibilidade do Banco Central: política monetária técnica e baseada em modelos tem assegurado maior credibilidade ao BC brasileiro;
- Economia forte: apesar da política monetária restritiva, o crescimento brasileiro tem surpreendido os analistas e está acima dos emergentes.
Apesar da valorização da moeda brasileira, dois limitadores importantes ainda preocupam: a incerteza fiscal e o Custo Brasil.
O risco de que o quadro fiscal pressione o dólar para voltar a se apreciar existe, diz Kawauti: “O fiscal está silenciosamente fazendo preço sobre os juros. Em algum momento, o dólar vai ser represado pelo fiscal, não é sustentável esse patamar de R$ 5,30.”
Nas contas da economista, é possível que o câmbio retorne ao patamar de R$ 5,50 se o problema fiscal não for endereçado.
4. Juros no Brasil
Para 2026, a Lifetime projeta uma redução da Selic, mas de forma “pequena e faseada”. O BC seguirá conservador para não repetir erros do passado, quando cortes abruptos descontrolaram a inflação, avalia a especialista.
Porém, a desarmonia entre as políticas fiscal e monetária preocupam a economista. Enquanto o BC tenta "esfriar" a economia com juros altos, o governo continua impulsionando os gastos.
“Se a política fiscal está bamba, a política monetária precisa fazer muito mais força para segurar a estabilidade da economia”, afirmou.
5. Política fiscal: a âncora do próximo governo
Por fim, a economista destaca que a eleição presidencial de 2026 será crucial não apenas pelos nomes. Ela definirá se o país terá uma regra fiscal sólida, que funcionará como uma âncora para as expectativas.
A nova gestão terá de consolidar o arcabouço fiscal e abrir espaço para reformas estruturantes, como a previdenciária de 2029, para manter o crescimento das despesas obrigatórias sob controle.
“Teremos uma janela importante para a discussão de reformas estruturantes fiscais que dão a base para a nossa regra. Isso tem um impacto econômico muito grande no longo prazo — e é por isso que a próxima eleição é tão relevante”, disse Kawauti.
TRADE ELEITORAL
Flávio Bolsonaro pode levar o Ibovespa aos 250 mil pontos? Morgan Stanley indica quais ações investir em cada cenário de 2º turno
5 de outubro de 2026 - 19:20DO NEUTRO À COMPRA
O efeito Flávio Bolsonaro na bolsa: JP Morgan vira a mão com Brasil após 1º turno das eleições — e vê alta de até 20%
5 de outubro de 2026 - 15:21ELEIÇÕES 2026
Flávio Bolsonaro à frente de Lula deve gerar alta de até 45% no Ibovespa e beneficiar estas ações, segundo BTG e Citi
5 de outubro de 2026 - 14:39MERCADOS
Ibovespa dispara 7,7% e supera 206 mil pontos na máxima histórica após vantagem de Flávio Bolsonaro sobre Lula
5 de outubro de 2026 - 10:39NOVO RECORDE
Petrobras (PETR4) supera R$ 700 bilhões em valor de mercado, o maior da história. O que impulsionou a ação?
3 de outubro de 2026 - 15:15BOM HUMOR NA BOLSA
Às vésperas das eleições, só 8 ações do Ibovespa caíram na semana. Hapvida (HAPV3) e outras 6 têm alta de dois dígitos
3 de outubro de 2026 - 11:45MAIS OTIMISMO COM O PAPEL
Bank of America vê potencial de alta de 64% para a JBS (JBSS32) e calcula a renda extra para o investidor
2 de outubro de 2026 - 19:32TOUROS E URSOS #290
Ibovespa a 200 mil pontos? Gestor diz o que pode acontecer com seus investimentos se Lula ou Flávio vencerem
2 de outubro de 2026 - 18:30FECHAMENTO DOS MERCADOS
No último pregão antes das eleições, Ibovespa dispara, chega nos 192 mil pontos e sobe 2,63%
2 de outubro de 2026 - 17:36POR QUE É TÃO IMPORTANTE?
Mais petróleo na Margem Equatorial: Petrobras (PETR4) anuncia nova descoberta e confirma boa qualidade do óleo encontrado em agosto
2 de outubro de 2026 - 10:50Conteúdo BTG Pactual
Fundo multimercado que já rendeu CDI + 4,36% desde sua criação segue na ‘contramão’ das tendências; conheça
1 de outubro de 2026 - 14:00PODCAST TOUROS E URSOS
Eleições podem levar o Ibovespa acima de 200 mil pontos? A visão de Rodrigo Glatt, sócio da gestora GTI
1 de outubro de 2026 - 11:32BALANÇO DO MÊS
Tesouro Direto dispara em setembro com retorno de mais de 5% — mas outro investimento toma a dianteira e fica no topo do ranking
30 de setembro de 2026 - 19:16FECHAMENTO DOS MERCADOS
O vento a favor que fez o Ibovespa decolar 4 mil pontos, inverter o sinal e fechar setembro no azul
30 de setembro de 2026 - 17:49MESMO QUE 'DÊ RUIM'
Faça chuva ou faça sol nas urnas: JP Morgan seleciona ações que podem ganhar com o melhor ou o pior resultado eleitoral
30 de setembro de 2026 - 13:05TAG SUMMIT
Não tem tempo ruim para a infraestrutura: as empresas preferidas da Perfin para atravessar crises e juros altos
29 de setembro de 2026 - 17:53PRÊMIO DE RISCO
Dólar a R$ 4,80? As pistas que as últimas eleições na América Latina dão para o desempenho do real
28 de setembro de 2026 - 18:45VISÃO DO GESTOR
“Não se ganha dinheiro comprando o que é popular”: onde a Inter Asset está vendo pechinchas na bolsa brasileira
27 de setembro de 2026 - 12:01INTER INVEST SUMMIT
Ações “órfãs” na bolsa, juros altos e uma armadilha no crédito: onde investir em 2027, segundo especialistas
26 de setembro de 2026 - 18:08RALI NA B3