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Lucro em alta, rentabilidade de 23% e gestão previsível mantêm o Itaú no topo dos grandes bancos. Veja o que dizem os analistas sobre o balanço do 3T25
Mais uma vez, o Itaú Unibanco (ITUB4) entregou exatamente o que o mercado esperava. No terceiro trimestre de 2025, o maior banco privado do país apresentou lucro em alta, rentabilidade firme acima dos 20% e controle da inadimplência.
Nada de sobressaltos ou grandes reviravoltas: o "relógio suíço" do setor financeiro — e é justamente essa consistência que mantém o Itaú como um dos nomes mais atraentes do mercado, segundo os analistas.
Mesmo assim, houve um pequeno contraponto: um dos grandes bancos internacionais destacou leve frustração em uma linha específica do balanço.
As ações do Itaú iniciaram a sessão desta quarta-feira (5) em leve queda. Logo na abertura, ITUB4 caía 0,75%, cotada a R$ 39,66. Desde o início do ano, porém, a performance dos papéis ainda é bem positiva, com uma valorização acumulada de 42% desde janeiro.
| Indicador | Resultado 3T25 | Projeções | Variação (a/a) | Evolução (t/t) |
|---|---|---|---|---|
| Lucro líquido | R$ 11,587 bilhões | R$ 11,369 bilhões | +11,2% | +3,2% |
| ROAE | 23,3% | 23,1% | +0,6 p.p. | Estável |
| Margem financeira | R$ 31,38 bilhões | — | +10,1% | +0,7% |
| Carteira de crédito ampliada | R$ 1,4 trilhão | — | +6,4% | +0,9% |
Para a XP Investimentos, o Itaú entregou mais um trimestre sólido e “dentro do script”.
Segundo a corretora, o destaque positivo foi a revisão para cima da projeção de margem financeira de mercado para 2025, impulsionada por melhor resultado de tesouraria e gestão eficiente de ativos e passivos (ALM).
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“O trimestre destaca a resiliência estrutural do banco e a execução disciplinada do guidance”, avaliou a XP.
A corretora afirma que o Itaú segue como “um player diferenciado, entregando resultados consistentes mesmo em um ciclo de incerteza e dispersão no sistema financeiro nacional”.
Já o JP Morgan adotou um tom mais neutro. Para o banco norte-americano, a margem financeira veio um pouco abaixo das expectativas — ainda que tenha crescido 10% no comparativo anual, acima do avanço da carteira de crédito expandida.
A leve decepção veio da margem com clientes, pressionada pela redução dos spreads e pelo menor resultado em operações estruturadas no atacado.
Por outro lado, a margem financeira com o mercado superou as projeções e mais uma vez apresentou uma performance sólida, segundo os analistas.
“No geral, foi um trimestre neutro — o que é positivo, considerando a volatilidade no Brasil”, disse o banco norte-americano.
A Genial Investimentos foi na mesma linha, classificando o balanço como “sólido, consistente e sem surpresas”, com lucro líquido recorrente recorde.
Para os analistas, o quarto trimestre — sazonalmente mais forte — deve consolidar essa trajetória de crescimento de lucratividade, com alta de 13,6% no lucro anual.
O ROE de 23,3% manteve o Itaú isolado na liderança entre os grandes bancos brasileiros — o que, na visão da Genial, consolida o Itaú como o banco mais consistente ao longo dos ciclos.
Mas é preciso lembrar que o banco opera com excesso de capital, e parte desse volume deve ser distribuído aos acionistas no último trimestre de 2025.
De acordo com a Genial, se esse efeito for excluído, o ROE ajustado teria alcançado 25,4%, um dos maiores patamares da década.
A corretora também destacou o avanço estrutural na eficiência operacional. Para os analistas, a redução de footprint físico e de colaboradores deve ganhar relevância estratégica nos próximos trimestres, contribuindo para ganhos de eficiência estrutural.
O Itaú reduziu o número de colaboradores em 2,1 mil no trimestre e 3,2 mil em um ano, chegando a 93,6 mil pessoas. Vale destacar que o banco conduziu uma campanha de demissões no período, classificadas como não recorrentes, no montante de R$ 55 milhões.
Para o BTG Pactual, o Itaú vive um ponto de inflexão que deve permitir reduzir de forma relevante o custo de atendimento nos próximos anos, crescer mais rápido que os pares e entregar um crescimento de lucro por ação entre 10% e 15% — algo que ainda não está totalmente refletido no preço das ações, segundo os analistas.
“Acreditamos que o Itaú está em um ponto decisivo em sua agenda de eficiência, com metas ousadas para os próximos 3 a 5 anos”, disse o BTG.
Isso inclui migrar 100% para a nuvem, encerrar o que chama de “banco antigo” e melhorar o índice de custo sobre receita do varejo em cerca de 10 pontos percentuais, reduzindo significativamente seu custo de atendimento.
“Ao fazer isso, o Itaú deve 'aceitar' perder parte da receita e cortar preços em uma estratégia ofensiva para crescer acima do mercado — o que deve tornar a competição ainda mais difícil para outros bancos tradicionais”, acrescentaram os analistas.
O mercado continua otimista com o Itaú. De nove recomendações compiladas pela plataforma TradeMap, sete são de compra e duas, neutras.
O BTG manteve o Itaú como a única recomendação de compra entre os bancos incumbentes do Brasil. “O vencedor merece um valuation premium”, disseram os analistas.
Na avaliação da Genial, o Itaú segue negociando a múltiplos atrativos, abaixo da média histórica, e deve continuar entregando rentabilidade superior aos pares por um longo período.
A casa manteve recomendação de compra para ITUB4, com preço-alvo de R$ 46,80, o que implica um potencial de valorização de 17,1% frente ao último fechamento.
Além disso, para investidores com menos restrições de liquidez, a Genial vê oportunidade nas ações ordinárias ITUB3, que negociam com desconto relevante em relação às preferenciais, mas oferecem o mesmo payout de dividendos — resultando em um dividend yield superior.
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