Fred Trajano ‘banca’ decisão que desacelerou vendas: “Magalu nunca foi de crescer dando prejuízo, não tem quem nos salve se der errado”
A companhia divulgou os resultados do segundo trimestre ontem (6), com queda nas vendas puxada pela desaceleração intencional das vendas no marketplace; entenda a estratégia do CEO do Magazine Luiza

O Magazine Luiza (MGLU3) está ‘bancando’ a decisão de não se envolver na guerra dos marketplaces, mesmo que isso cause uma desaceleração significativa nas vendas, como foi reportado no balanço do terceiro trimestre, divulgado na noite de ontem (6) pela companhia.
“O nosso resultado é no Brasil, nosso custo também. Se dermos algum resultado muito negativo, não tem matriz estrangeira que mande o dinheiro para pagar as contas no fim do ano”, disse Fred Trajano, CEO da varejista, em teleconferência com o mercado nesta sexta-feira (7).
A referência é à disputa que tem sido travada por players internacionais — como Mercado Livre, Amazon e Shopee — no âmbito do e-commerce 3P, quando a empresa apenas funciona como intermediária para a compra, sem usar estoque próprio.
Esses concorrentes estão em franca guerra para aumentar sua fatia no mercado brasileiro, apelando para políticas de frete grátis cada vez mais acessíveis e brigando por preços. Essencialmente, estão dispostos a sacrificar seu lucro para proteger e aumentar seus reinos no Brasil. Você pode entender detalhes nesta reportagem.
Acontece que o Magalu não tem o mesmo poder de fogo que esses players — e nem quer ter. “A gente nunca foi empresa de crescer dando prejuízo”, afirmou Trajano.
No terceiro trimestre, o Magazine Luiza reportou R$ 15,1 bilhões em vendas totais, queda de 2,6% ante o mesmo intervalo de 2024.
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E, embora as lojas físicas tenham avançado diante de uma base já forte de comparação, o que pesou para as vendas foi a desaceleração de quase 12% justamente no e-commerce (3P) — algo que não agradou nem um pouco os analistas de mercado e foi o principal foco do balanço do terceiro trimestre.
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O Magalu não vai comprar a briga do Mercado Livre e outras gigantes de fora
O Magalu vem deixando claro nos últimos trimestres que não pretende se envolver nessa competição O foco são produtos com margem positiva, sem entrar em categorias que exijam que a empresa perca dinheiro. Ou seja: foco em rentabilidade.
“No passado, houve essa discussão sobre o 1P, com Americanas e vários e-commerces financiados por fundos de Venture Capital. A gente não entrou nisso mesmo naquela época, não abrimos mão de crescimento para comprar uma guerra irracional. Agora vemos essa dinâmica no 3P… com excesso de subsídios e frete grátis, por exemplo”, afirmou o CEO do Magalu.
- O e-commerce 1P é quando a empresa vende produtos do próprio estoque, enquanto o 3P engloba produtos de vendedores terceiros.
O que dizem os analistas sobre o balanço do Magazine Luiza
Segundo o BTG Pactual, os números foram fracos. O banco deu ênfase justamente na queda das vendas e na desaceleração nas lojas físicas — que enfrentaram uma comparação bem forte com o terceiro trimestre do ano passado.
No entanto, as tendências para o longo prazo são positivas, de acordo com o banco.
“Reconhecemos que os juros mais altos nos próximos trimestres, combinados com um ambiente cada vez mais competitivo no e-commerce, devem pressionar tanto a receita quanto o lucro da companhia. Ainda assim, os últimos trimestres mostraram tendências saudáveis de rentabilidade (e de fluxo de caixa livre), o que sustenta nossa recomendação de compra”, diz o time de análise do banco em relatório.
O preço-alvo é R$ 12, o que representa um potencial de 50% de alta em relação ao fechamento da última quinta-feira.
Cabe lembrar que o lucro líquido ajustado da companhia caiu quase 70% frente ao mesmo intervalo de 2024, para R$ 21 milhões — mas ainda assim veio acima das expectativas do mercado.
Em entrevista ao Seu Dinheiro, Roberto Belíssimo, CFO da empresa, culpou a Selic, que está no maior patamar em décadas, a 15% ao ano. Você pode conferir a entrevista e os detalhes sobre o balanço nesta matéria.
Na visão do JP Morgan, o Magalu apresentou tendências operacionais fracas no trimestre que se encerrou em setembro.
“A dinâmica de receita veio mais fraca do que o esperado, com as vendas líquidas ficando 6% abaixo das expectativas da casa e 2% abaixo do consenso. Por outro lado, o forte controle de despesas e a estabilidade da margem bruta sustentaram uma margem Ebitda praticamente estável, já que o foco segue voltado para geração de caixa”, diz o relatório do banco.
O JP tem recomendação Underweight para os papéis MGLU3. Isso significa que a expectativa é de que a ação terá um desempenho inferior ao de seu setor ou índice de referência (benchmark).
Segundo o Goldman Sachs, os resultados continuaram a ilustrar um cenário complicado para o crescimento da receita, mas mostram um foco bem-sucedido em lucratividade e geração de caixa.
“Embora o endividamento e as taxas de juros gerais continuem elevadas, o Magalu provavelmente não estará em posição de retomar, no curto prazo, um foco mais agressivo em crescimento de receita — especialmente no canal digital. No entanto, com isenções fiscais para famílias de baixa renda, possíveis cortes de juros no horizonte e a Copa do Mundo em junho, acreditamos que a administração pode buscar algumas oportunidades equilibradas de crescimento”, diz o time de analistas..
Por volta das 12h, as ações subiam 1,5% na bolsa de valores, negociadas a R$ 8,11. Logo na abertura dos mercados, os papéis chegaram a liderar os ganhos do Ibovespa, subindo mais de 5%.
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