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Dani Alvarenga

Repórter de fundos imobiliários e finanças pessoais no Seu Dinheiro. Estudante de Jornalismo pela Universidade de São Paulo (ECA-USP).

FII EXPERIENCE 2025

Fiagro multiestratégia e FoFs de infraestrutura: as inovações no horizonte dos dois setores segundo a Suno Asset e a Sparta

Gestores ainda fazem um alerta para um erro comum dos investidores de fundos imobiliários que queiram alocar recursos em Fiagros e FI-Infras

Dani Alvarenga
23 de outubro de 2025
11:00 - atualizado às 9:45
Imagem: iStock

Se o mercado de fundos imobiliários ainda está em plena fase de desenvolvimento, os Fundos de Investimento em Cadeias Agroindústrias (Fiagros) e fundos de investimento em infraestrutura (FI-Infra) têm estradas ainda mais longas para percorrer. 

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Porém, segundo Ulisses Nehmi, CEO da Sparta — dona dos dois maiores FI-Infras do mercado — e Vitor Duarte, diretor de investimentos da Suno Asset, os dois setores se beneficiaram da evolução dos FIIs e estão na via expressa para o crescimento.

Para Duarte, o Fiagro pode se tornar ainda maior do que os fundos imobiliários. “O potencial do setor é muito grande. O Fiagro só tem três anos, então é uma indústria super nova. Eu avalio que tem potencial para se tornar maior do que o setor imobiliário, porque ainda tem muito para crescer, como, por exemplo, para o mercado de terras, que é trilionário”, afirmou durante o evento FII Experience.

Já os FI-Infras devem seguir em direção ao aumento da escala, segundo Nehmi. “O mercado deve passar a ter FI-Infras grandes. Assim, talvez até exista um número menor de fundos do setor em comparação ao que existe hoje em FIIs, mas, com o tempo, os FI-Infras devem ser bem maiores do que os fundos imobiliários e os Fiagros”, opina o CEO.

Porém, embora ainda tenham espaço para evolução, os fundos de infraestrutura enfrentam obstáculos, na avaliação de Duarte. “Boa parte do investidor de fundos de investimento em infraestrutura tem perfil mais conservador, ou seja, é aquele investidor de fundo de renda fixa, que fica mais confortável no ativo em que ele pode pedir o resgate”, avaliou.

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Vale lembrar que os fundos de infraestrutura têm as debêntures incentivadas — que são títulos de renda fixa emitidos por empresas para financiar projetos de infraestrutura — como principal ativo de alocação.

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Além disso, o tempo de existência dos produtos também pesa na expansão do setor. “FI-Infra aberto [que permite que o investidor aplique e resgate cotas diretamente com a gestora, a qualquer momento] existe há muito tempo, já os fundos de infraestrutura listados em bolsa são recentes”, afirmou o diretor de investimentos da Suno Asset.

Estes últimos são fechados, não permitindo aplicações ou resgates. Para entrar e sair do investimento, o investidor precisa comprar e vender cotas na bolsa de valores.

Fiagro na rota dos fundos multiestratégia

Enquanto o mercado imobiliário inova com ativos que cobrem nichos específicos — como os FIIs voltados exclusivamente para shoppings e galpões logísticos —, a indústria de Fiagros deve priorizar a multiestratégia em vez da segmentação por produto.

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“Embora os Fiagros tenham nascido na era de juros altos, focados em empréstimos atrelados ao CDI, o setor tende a ir para esse caminho de ativos mais multiestratégia, até para diversificar melhor o dinheiro do investidor”, avaliou.

“Os fundos imobiliários também estão caminhando para fundos multiestratégia, que têm uma caixa de ferramenta completa e que conseguem aproveitar as melhores oportunidades”, completou.

Ainda assim, o executivo avalia que podem surgir nichos no segmento, apesar de não enxergar um aumento significativo no volume de investimentos em setores específicos.

“Eu não acredito em fundo para uma cultura, como para laranja ou soja, mas vejo, sim, a possibilidade de fundos para uma uma utilidade, como um ativo só para irrigação ou armazenagem, que são uma grandes dores do setor”.

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FI-Infra de olho na segmentação e em… FoFs?

Já os fundos de investimento em infraestrutura devem ir na direção da segmentação, segundo Ulisses Nehmi. 

“O setor elétrico, por exemplo, é gigante, complexo e conta com uma regulamentação madura”, afirmou o executivo, que ainda destacou o fundo Suno Energias Limpas (SNEL11), que, apesar de ter um regulamento imobiliário, possui um time de gestores voltados para infraestrutura.

Com esse movimento, Nehmi enxerga espaço para o surgimento de Fundos de Fundos (FoFs) de infraestrutura. “Ainda tem poucos FI-Infras listados, então não existe a categoria de FoFs no setor, mas eu avalio que a classe vai começar a existir em algum momento”, opinou.

Além disso, Nehmi também vê uma quebra no modelo de indexação dos ativos do setor. Isso porque o ciclo de alta das taxas de juros vem ampliando o retorno dos ativos pós-fixados.

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“Inicialmente, os primeiros fundos de infraestrutura eram predominantemente atrelados ao IPCA, por conta das debêntures incentivadas. Atualmente, a gente tem observado o surgimento de fundos pós-fixados, que seguem o CDI”, disse.

De olho nos riscos para o investidor

Para os investidores do mercado de FIIs que queiram migrar para Fiagro ou FI-Infra, os gestores fazem um alerta para um erro comum: começar a análise pelo yield (taxa de retorno).

“A análise de investimento deve começar do início, ou seja, precisa entender o modelo de negócio”, afirmou Duarte. O executivo ainda recomenda que, para o setor do agronegócio, os investidores fujam da “armadilha do high yield”, ou seja, dos investimentos com altos retornos, mas com riscos igualmente elevados.

Fiagros de terra são destaque positivo

“A melhor oportunidade de Fiagros é investir no high grade [investimentos com menores retornos e com riscos reduzidos], e adicionar Fiagros de fazenda. O carrego é baixo, o yield é baixo, mas é a classe de ativos que mais se valorizou e, quando, em dezembro do ano passado, o mercado sacudiu, nenhum dos quatro Fiagros de terra caiu”, indicou. 

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Já para investimentos de crédito, Nehmi alerta que o prêmio em relação ao indexador não deve ser visto como um retorno garantido, mas sim como uma métrica de risco. “Se tem taxa [elevada], tem risco necessariamente. Um ativo com retorno de CDI+ 5%, por exemplo, tem risco muito alto e, às vezes, o investidor não vai ganhar nem o CDI”, disse o CEO.

Para ilustrar como a taxa é muito mais uma métrica de risco, Nehmi relata que, um mês antes de a empresa Agrogalaxy entrar em crise, o Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA) ligado à companhia indicava uma taxa de CDI + 20%.

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