Dólar cai na semana e fecha a R$ 5,52; gatilhos de alta e queda se confrontam no curto prazo
Alta dos juros pelo Copom ensaiou favorecer o real na semana, mas confronto geopolítico mundial limitou os ganhos e ajudou o dólar

A sexta-feira (20) começou como esperado: o dólar à vista abriu em queda firme, com mínima nos primeiros negócios do dia, de R$ 5,4696.
Essa desvalorização da moeda estrangeira era esperada depois do aumento da taxa básica de juros do país, a taxa Selic. Na quarta-feira (18), véspera do feriado de Corpus Christi, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central elevou a Selic para 15% ao ano.
Com isso, a tendência era de que o real ganhasse força frente ao dólar devido ao diferencial de juros entre os países, Brasil e Estados Unidos.
- SAIBA MAIS: O Seu Dinheiro disponibilizou como cortesia os relatórios de investimentos do BTG Pactual, Empiricus Research e outros parceiros; confira aqui
No mesmo dia em que o Copom aumentou a Selic, o Federal Reserve, banco central dos EUA, manteve os juros por lá na faixa dos 4,5% a 4,25% ao ano.
Investidores estrangeiros costumam ser atraídos pela possibilidade de retorno de moedas emergentes que tem juros altos. A promessa do Copom de manter a taxa Selic elevada por muito tempo também estimula as operações de carry trade e encarece posições em dólar, segundo analistas.
- Carry trade é uma operação comum no mercado de câmbio, em que o investidor tomar dinheiro emprestado em um país com juros mais baixos e investe em outro que tenha taxas mais altas.
Acontece que a vantagem do real não se sustentou. O dólar ganhou força no mercado local ao longo da tarde de sexta e fechou em alta de 0,44%, cotado a R$ 5,5249, após atingir a máxima de R$ 5,5274.
Leia Também
A desvalorização do real ocorreu em meio ao fortalecimento da moeda americana no exterior, justamente em relação a divisas emergentes e de países exportadores de commodities.
Apesar da alta de virada, o dólar à vista encerrou a semana com perdas de 0,30% — com uma desvalorização acumulada em junho de 3,40%.
- LEIA TAMBÉM: A coisa está feia para o dólar: faz duas décadas que os gestores globais não ficam tão descrentes assim com a moeda
Forças contrárias sobre o dólar
Segundo analistas e operadores de câmbio, há forças contrárias operando sobre a moeda estrangeira.
O maior gatilho de fortalecimento do dólar neste momento é o temor de uma escalada do conflito entre Irã e Israel, que trocaram acusações em reunião com o Conselho de Segurança da ONU na sexta-feira (20).
A Casa Branca informou que Donald Trump tomará uma decisão sobre o envolvimento dos EUA no conflito nas "próximas duas semanas". "Não podemos deixar o Irã ter arma nuclear", afirmou Trump.
Na madrugada deste sábado (21), o exército de Israel afirmou que atingiu uma instalação de pesquisa nuclear iraniana, e matou três comandantes seniores em ataques direcionados. O alvo eram dois locais de produção de centrífugas nucleares, de acordo com um oficial militar israelense.
A tensão geopolítica tem acionado o modo cautela no mercado, que busca por ativos "de segurança", e o dólar é um deles.
"Estamos vendo um pequeno ajuste para cima do dólar, com aumento da aversão ao risco devido às questões geopolíticas", afirma a economista-chefe do Ouribank, Cristiane Quartaroli.
Porém, o gatilho de alta dos juros favorece a moeda brasileira.
"O Copom ressaltou que não hesitará em retomar o ciclo de alta caso o cenário se deteriore. Além disso, destacou que a política monetária deve permanecer contracionista por um período prolongado. Nesse ambiente, o real tende a uma performance melhor do que a média de seus pares", afirma a economista-chefe da Armor Capital, Andrea Damico.
O real já tinha registrado um rali recentemente que levou a moeda para a faixa dos R$ 5,50. No ano, a valorização é de R$ 12,18%.
Uma pesquisa do BTG com 76 agentes do mercado financeiro, realizada na véspera do Copom, apontou que para mais de 90% dos respondentes, o real deve permanecer abaixo dos R$ 5,70 nos próximos seis meses.
Embora a moeda tenha ganhado força com o conflito geopolítico recente, a tese de desdolarização frente à política de Donald Trump segue forte entre investidores.
TAG SUMMIT
Não tem tempo ruim para a infraestrutura: as empresas preferidas da Perfin para atravessar crises e juros altos
29 de setembro de 2026 - 17:53PRÊMIO DE RISCO
Dólar a R$ 4,80? As pistas que as últimas eleições na América Latina dão para o desempenho do real
28 de setembro de 2026 - 18:45VISÃO DO GESTOR
“Não se ganha dinheiro comprando o que é popular”: onde a Inter Asset está vendo pechinchas na bolsa brasileira
27 de setembro de 2026 - 12:01INTER INVEST SUMMIT
Ações “órfãs” na bolsa, juros altos e uma armadilha no crédito: onde investir em 2027, segundo especialistas
26 de setembro de 2026 - 18:08RALI NA B3
Ibovespa a 207 mil pontos? Especialista do Inter diz o que pode destravar a bolsa brasileira após as eleições
25 de setembro de 2026 - 16:40ALÉM DA BOLSA
Os fundos imobiliários cetipados vieram para ficar? Entenda por que eles estão em alta e o que você precisa saber antes de investir
25 de setembro de 2026 - 15:54SETOR DE AUTOPEÇAS
JP Morgan pisa no freio e rebaixa Frasle (FRAS3) para venda. Analistas preferem outras 3 ações que podem saltar até 69%
25 de setembro de 2026 - 13:18MAIS AQUISIÇÕES
TRXF11 enche o carrinho de novo e paga R$ 2,83 bilhões, mas FII cai na bolsa; veja o que entra no portfólio
24 de setembro de 2026 - 13:02O OUTRO LADO DA MOEDA
R$ 4,50 ou R$ 5,80? O gatilho que vai definir o preço do dólar depois das eleições
23 de setembro de 2026 - 18:33RADAR DE FIIS
Fundo imobiliário leva calote de inquilino em recuperação judicial; entenda o impacto no bolso dos cotistas
23 de setembro de 2026 - 13:01SD ENTREVISTA
Tubarões saem e varejo entra: sinal de alerta para os FIIs? LAREAL revela o que os institucionais estão vendo
23 de setembro de 2026 - 6:01AS MAIS SAUDÁVEIS
Dasa (DASA3) é compra para o UBS BB, mas banco revela outras 2 favoritas — uma delas para dividendos
22 de setembro de 2026 - 19:50EM DESACELERAÇÃO
FIIs de shoppings sob pressão: é hora de separar o joio do trigo — e o BTG Pactual já escolheu os ativos favoritos
21 de setembro de 2026 - 20:01EM ESPERA...
Nubank, BTG Pactual e Banco do Brasil: os gringos já escolheram onde investir, agora só falta o gatilho certo para apertar compra
21 de setembro de 2026 - 17:19DIRETO PELA B3
IA, Ibovespa e até farmacêuticas gringas: Itaú BBA diz como investir em 800 ações com retorno de 23% ao ano sem dor de cabeça
18 de setembro de 2026 - 19:20EM TOM DE CAUTELA
Lula turbina Bolsa Família em 15% e faz o Ibovespa perder 3 mil pontos. Por que o mercado torceu o nariz?
17 de setembro de 2026 - 13:00DEU RUIM
Ação da Marcopolo (POMO4) despenca 26% no ano e XP rebaixou para neutra; mas há 2 fatores que podem impulsionar a ação
17 de setembro de 2026 - 12:46ONDE APOSTAR NA BOLSA
Lula ou Flávio? Você não deve esperar as eleições para se posicionar nestas ações, segundo a Kinea
17 de setembro de 2026 - 9:01VISÃO DO GESTOR
Multimercados não morreram, mas o jogo mudou: XP Asset aposta em nova estratégia e até mudança nas taxas para voltar a dar retorno
17 de setembro de 2026 - 6:14FECHAMENTO DOS MERCADOS