Com R$ 480 milhões em CDBs do Master, Oncoclínicas (ONCO3) cai 24% na semana, apesar do aumento de capital bilionário
A companhia vive dias agitados na bolsa de valores, com reação ao balanço do terceiro trimestre, liquidação do Banco Master e aprovação da homologação do aumento de capital

A Oncoclínicas (ONCO3) tem vivido dias agitados na bolsa de valores. A companhia começou a semana com o pé direito após a divulgação dos resultados do terceiro trimestre de 2025, que impulsionou os papéis a subirem mais de 18% no pregão de segunda-feira (17). No entanto, no dia seguinte, veio um balde de água fria: a liquidação extrajudicial do Banco Master.
A empresa já confirmou ter uma exposição nada trivial aos títulos do banco liquidado pelo Banco Central nesta semana. No final de outubro, a rede de clínicas oncológicas afirmou que detém R$ 478 milhões em papéis da instituição.
Diante disso, nem mesmo a aprovação da homologação do aumento de capital social da companhia, aprovado pelo conselho de administração, foi capaz de segurar a queda das ações.
Também na terça, a Oncoclínicas comunicou ao mercado que o colegiado deu aval para a emissão de 471.514.866 novas ações ordinárias, ao preço de R$ 3,00 cada, movimentando um total de R$ 1,415 bilhão.
Desde o início da semana até o pregão de ontem (19), as ações perderam quase 24% do valor — negociadas a R$ 1,66 — de acordo com dados do Investing.com. Lembrando que não há negociações na B3 nesta quinta-feira (20) em razão do feriado da Consciência Negra.
A exposição aos CDBs do Banco Master
A companhia tinha firmado um acordo para resgatar esses valores, o que estava previsto ocorrer em 20 parcelas entre outubro deste ano e maio de 2027. Segundo a Oncoclínicas, o saldo aplicado venceu antecipadamente na terça-feira (18).
Leia Também
Em fato relevante, a empresa ressaltou que já havia provisionado R$ 217 milhões em suas demonstrações financeiras de 30 de setembro de 2025, em função do rebaixamento do crédito do Master por agências de classificação de risco entre os meses de setembro e outubro.
“Dessa forma, a exposição contábil líquida do provisionamento já efetuado, é estimada em aproximadamente R$ 216 milhões”, diz a Oncoclínicas no documento.
O acordo firmado entre a rede e o Banco Master previa o vencimento antecipado nos CDBs, automaticamente resgatáveis em sua totalidade na ocorrência de determinados eventos, não especificados.
Conforme fato relevante divulgado em 22 de outubro, o acordo previa ainda a possibilidade de a Oncoclínicas utilizar o saldo dos CDBs para comprar ações da própria companhia que estão em poder de dois fundos de investimento em participações (FIPs): o Tessália Fundo de Investimento e o Quíron Fundo de Investimento.
O Banco Master investiu R$ 1 bilhão na Oncoclínicas em um aumento de capital em maio de 2024 por meio desses dois fundos. Na ocasião, os papéis da companhia (ONCO3) saíram a R$ 13, mas desde então sofreram forte queda e eram cotados a R$ 1,66 no fechamento de ontem (19).
Para a empresa usar o dinheiro dos CDBs para recomprar as próprias ações foram estabelecidas três condições. A primeira é que o Master conclua uma negociação que libere as cotas dos FIPs. Além disso, é preciso ocorrer um evento de vencimento antecipado e a aprovação da operação pelos acionistas da Oncoclínicas em assembleia.
De acordo com o fato relevante da terça, a administração da companhia entrará com as medidas cabíveis, incluindo providências visando à formalização e exercício da opção de compra sobre as cotas do Tessália e do Quíron, "cujo valor na data de hoje, considerando a cotação de fechamento ONCO3 na data de ontem, equivale a aproximadamente R$ 203 milhões”, diz o documento.
- VEJA TAMBÉM: O futuro da PETROBRAS: Margem Equatorial, dividendos e um dilema bilionário - assista o novo episódio do Touros e Ursos no Youtube
A semana movimentada para a Oncoclínicas
Começando pelo balanço do terceiro trimestre de 2025, divulgado na noite da última sexta-feira (14), ao qual o mercado reagiu no início desta semana. A companhia reportou um prejuízo líquido de R$ 1,88 bilhão, revertendo o lucro líquido de R$ 3,1 milhões registrado no mesmo período do ano anterior.
Em termos ajustados, a empresa apurou prejuízo de R$ 97,9 milhões, em comparação com lucro de R$ 8,9 milhões no ano anterior.
A empresa adiantou que o desempenho foi impactado por duas provisões: uma de R$ 864,9 milhões e outra de R$ 67 milhões, bem como por duas baixas contábeis de R$ 466,2 milhões e de R$ 183,2 milhões.
Analistas do Safra veem os resultados do terceiro trimestre de 2025 da Oncoclínicas marcados por eventos extraordinários significativos, em um período de ajustes.
“A Oncoclínicas reportou um 3T25 fortemente distorcido por diversos itens não recorrentes resultantes de decisões ruins do passado, como concentrar muito volume em pagadores com baixa pontuação de crédito, investir em centros de tratamento de câncer (hospitais) e manter grande parte do seu caixa em uma instituição financeiramente instável”, pontuam os analistas.
O banco mantém a recomendação underperform (equivalente à venda) para as ações. Na visão dos analistas, a avaliação (valuation) permanece cara para um ativo que continua passando por uma grande reestruturação e possui um balanço patrimonial ainda alavancado.
Analistas do BTG Pactual avaliam que o terceiro trimestre da Oncoclínicas foi marcado por fortes ajustes não caixa e uma margem Ebitda estável na comparação anual.
O banco vê as recentes iniciativas reforçando a confiança da gestão no ciclo de melhora da Oncoclínicas. A geração de caixa mais saudável no trimestre, o ajuste comercial e a maior convergência com as fontes pagadores são passos corretos, na visão dos analistas.
No entanto, a alavancagem segue como principal desafio da companhia. Dessa maneira, o banco prefere aguardar evidências mais consistentes de disciplina na alocação de capital antes de adotar uma visão mais construtiva para a ação e mantém a recomendação neutra.
O aumento de capital
A aprovação da homologação do aumento de capital é uma boa notícia para a companhia.
Na última quarta-feira (12), a rede conseguiu uma vitória importante ao alcançar a demanda mínima de R$ 1 bilhão necessária para seguir adiante com o aumento de capital bilionário — um passo essencial para reequilibrar as contas da rede de tratamento oncológico.
O aumento de capital proposto em setembro previa a emissão de até 666,6 milhões de ações a R$ 3 cada, o que poderia levantar até R$ 2 bilhões para a Oncoclínicas. A empresa, porém, estabeleceu um piso de R$ 1 bilhão para levar a operação adiante.
Esse mínimo foi superado: o conselho aprovou a homologação da oferta, que resultou na emissão de 471.514.866 novas ações ordinárias, ao preço de R$ 3 por papel, movimentando R$ 1,415 bilhão.
Vale lembrar que esta é a terceira injeção de liquidez na rede de tratamentos oncológicos desde 2023.
O novo aporte acontece em meio à tentativa da Oncoclínicas de se reencontrar com sua essência. Após uma trajetória de crescimento arrojado — e marcada por alguns erros estratégicos como a entrada no segmento de hospitais e a joint venture na Arábia Saudita —, a companhia precisou revisar a rota para enfrentar o endividamento elevado e o consumo intenso de caixa.
“A Oncoclínicas consumiu muito caixa. É uma companhia muito alavancada. Mas, quando tira os ativos hospitalares e a Unimed FERJ da conta, é um negócio que para de pé, que funciona e que gera caixa”, disse uma fonte próxima à companhia ao Seu Dinheiro.
No entanto, a geração de caixa não é o suficiente para pagar os juros do endividamento que ela tem hoje. Então, para retomar a rota da companhia, é necessário injetar capital, afirmou a fonte. A transação, no entanto, não vem sem custo: os acionistas que não participaram da oferta foram fortemente diluídos, em cerca de 41%.
Em decorrência da homologação da operação, o capital social da companhia passou de R$ 3,147 bilhões, dividido em 661.414.628 ações ordinárias, para R$ 4,562 bilhões, dividido em 1.132.929.494 ações ordinárias.
O PÓDIO MUDOU
A Vale ficou para trás: BTG Pactual (BPAC11) toma o lugar de VALE3 no pódio das empresas mais valiosas da bolsa
14 de outubro de 2026 - 15:56DE OLHO NO AGRO
FII do agronegócio fecha venda milionária de fazenda e estima impacto positivo de R$ 5,78 por cota
14 de outubro de 2026 - 11:58É HORA DE COMPRAR?
Próxima parada do Ibovespa: 220 mil pontos. A visão dos gestores sobre a bolsa depois do 2º turno das eleições
13 de outubro de 2026 - 18:00O PESO DA INADIMPLÊNCIA
Crise das Casas Bahia (BHIA3) pesa sobre o HSLG11: FII pede despejo após calote, e cotas caem mais de 4%
13 de outubro de 2026 - 13:02SEM FOLGA EM NOVA YORK
Nasdaq leva uma queda e puxa S&P 500 para o vermelho; confira o que movimentou os mercados lá fora
12 de outubro de 2026 - 17:10HORA DE COMPRAR?
Flávio Bolsonaro eleito? Expectativa após 1° turno derruba dólar abaixo dos R$ 5 e coloca estas 4 ações no radar dos bancões
12 de outubro de 2026 - 13:01AÇÕES
5 ações para buscar ganhos na bolsa e superar o Ibovespa nesta semana, segundo Terra Investimentos
11 de outubro de 2026 - 11:00AÇÕES SE DESTACARAM
Ibovespa bate recorde após eleições e sobe 8,82% na semana; veja quem ganhou e quem perdeu
10 de outubro de 2026 - 11:25VISÃO DO GESTOR
Fundo Verde, de Stuhlberger, vê espaço para novo rali da bolsa com o ‘trade Flávio’ — mas faz alerta para risco lá fora
9 de outubro de 2026 - 17:15OPORTUNIDADE NO RADAR
A janela dos fundos imobiliários está fechando, e o BTG Pactual revela os FIIs para surfar a onda enquanto há tempo
9 de outubro de 2026 - 16:35UM OLHO NA URNA E OUTRO NA BOLSA
Ibovespa renova máxima no dia e dólar cai abaixo de R$ 5, mas IPCA lembra: a conta dos juros ainda não fechou
9 de outubro de 2026 - 12:43RADAR DE FIIS
BTLG11 quer levantar até R$ 1,2 bilhão com nova emissão de cotas; veja quem pode participar
8 de outubro de 2026 - 10:47MERCADOS
A explosão da renda fixa nos EUA: Treasury de dez anos bate máxima em 24 anos, ações caem e Ibovespa acompanha
7 de outubro de 2026 - 17:57MUDANÇAS NA CARTEIRA
Os juros vão cair? Estes são os FIIs que os analistas indicam para aproveitar a virada da Selic
7 de outubro de 2026 - 6:03EM REFORMULAÇÃO
TRBL11 quer deixar Braskem e Correios para trás? FII abre terreno para uma nova estratégia; entenda o que está em jogo
6 de outubro de 2026 - 18:01ONDE INVESTIR APÓS O RALI
Nem todas surfaram o ‘trade Flávio’: Rede D’Or (RDOR3) e outras 5 ações são as favoritas para juros menores
6 de outubro de 2026 - 13:08TRADE ELEITORAL
Flávio Bolsonaro pode levar o Ibovespa aos 250 mil pontos? Morgan Stanley indica quais ações investir em cada cenário de 2º turno
5 de outubro de 2026 - 19:20DO NEUTRO À COMPRA
O efeito Flávio Bolsonaro na bolsa: JP Morgan vira a mão com Brasil após 1º turno das eleições — e vê alta de até 20%
5 de outubro de 2026 - 15:21ELEIÇÕES 2026
Flávio Bolsonaro à frente de Lula deve gerar alta de até 45% no Ibovespa e beneficiar estas ações, segundo BTG e Citi
5 de outubro de 2026 - 14:39MERCADOS