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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

HÁ ESPERANÇA?

Banco do Brasil (BBAS3): enquanto apostas contra as ações crescem no mercado, agência de risco dá novo voto de confiança para o banco

A aposta da S&P Global Ratings é que, dadas as atividades comerciais diversificadas, o BB conseguirá manter o ritmo de lucratividade e a estabilidade do balanço patrimonial

Camille Lima
Camille Lima
3 de julho de 2025
10:36 - atualizado às 8:02
Ações do Banco do Brasil (BBAS3) caem forte na B3 dividendos
Banco do Brasil (BBAS3) - Imagem: Canva Pro / Shutterstock / Montagem Seu Dinheiro

Enquanto cresce no mercado o número de apostas contra o Banco do Brasil (BBAS3), uma agência de classificação de risco decidiu renovar sua confiança no banco estatal.

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Apesar das preocupações com a qualidade de crédito da instituição, a S&P Global Ratings acredita que o BB tem capacidade de manter a lucratividade e a estabilidade do seu balanço patrimonial, devido à sua diversificação de atividades.

Embora o índice de ativos problemáticos (NPLs) e as provisões para créditos de liquidação duvidosa (PDD) tenham aumentado nos últimos trimestres, em grande parte devido ao crescimento nos pedidos de recuperação judicial no agronegócio, a S&P acredita que o portfólio do Banco do Brasil está bem protegido por garantias. 

A agência também destacou que a flexibilidade do banco em prorrogar empréstimos ajuda a mitigar perdas e sustenta suas métricas de qualidade de ativos.

Para a S&P, esse conjunto de características permite que o Banco do Brasil continue se diferenciando de outros bancos com ratings similares. Atualmente, o rating de crédito de emissor do banco é BB, com perspectiva estável para os próximos 12 meses.

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Segundo relatório, a perspectiva estável do rating reflete a nota de crédito do Brasil na escala global, que atualmente limita os ratings do banco devido à sua exposição ao mercado doméstico. 

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“Esperamos que a entidade mantenha o sólido desempenho nos próximos 12 meses, dadas as suas fortes margens e diversificação de negócios. Também projetamos NPLs gerenciáveis, ligeiramente mais baixos do que a média da indústria”, disse a S&P.

A agência também prevê que o balanço patrimonial do Banco do Brasil (BBAS3) permanecerá resiliente, com indicadores de inadimplência ficando abaixo de 5,0% nos próximos 12 meses. 

As apostas contra o Banco do Brasil (BBAS3)

Entretanto, poucos compartilham do otimismo da S&P. Uma das gestoras que mantém aposta contra o Banco do Brasil é a Legacy Capital. 

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Em carta a investidores, a gestora, que administra cerca de R$ 15 bilhões em ativos, revelou que continua com posição vendida (short) nas ações BBAS3.

Na leitura da gestora, o aumento das provisões deve pressionar os lucros e comprometer a distribuição de dividendos, o que enfraquece a tese de investimento baseada em proventos elevados, crescimento e reprecificação das ações.

Com base nesse cenário, a Legacy projeta uma forte redução no pagamento de dividendos, com uma possível queda de 50% ou mais. 

A avaliação da gestora se baseia nos riscos crescentes da carteira de crédito agrícola do Banco do Brasil, que, segundo ela, ainda são subestimados pelo mercado.

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A Legacy também apontou que a principal garantia utilizada pelo banco – o penhor de safra – é considerada menos eficaz do que a alienação fiduciária da terra, o que coloca o Banco do Brasil em desvantagem frente aos concorrentes privados. 

A gestora afirma que os vencimentos concentrados da safra de soja entre abril e maio já indicam um aumento na inadimplência, que se refletirá nos balanços de junho e julho, com migração de créditos para os estágios 2 e 3 de provisão.

A Legacy também citou que a carteira agro prorrogada do Banco do Brasil aumentou de 4% para 14% do total, representando cerca de R$ 50 bilhões — o equivalente a 25% do patrimônio líquido do banco. 

Embora esses créditos ainda estejam classificados no estágio 1, a gestora considera que eles estão vulneráveis a uma reclassificação, o que pode pressionar as provisões daqui para frente.

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Além disso, a Legacy criticou a retirada do guidance de lucro para 2025, que foi feito poucos meses após sua divulgação, e destacou preocupação com a manutenção da projeção de crescimento da carteira agro, mesmo diante de um cenário mais incerto para o setor.

*Com informações do Money Times.

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