Por que o dado negativo de emprego nos EUA anima os mercados e pode fazer você ganhar dinheiro na bolsa
A economia norte-americana abriu menos vagas do que o esperado em abril e a taxa de desemprego subiu no período — isso pode ser uma boa notícia para os investidores; descubra as razões

Como um dado negativo de emprego na maior economia do mundo pode animar os mercados e ainda ajudar você ganhar dinheiro na bolsa? A resposta é simples: o enfraquecimento do trabalho nos EUA abre as portas para o início do corte de juros pelo Federal Reserve (Fed) e torna mais atrativo os ativos de risco, entre elas, as ações.
Em abril, a economia norte-americana criou 175.000 vagas, bem abaixo da estimativa de consenso de 240.000 da Dow Jones, segundo dados do payroll divulgados pelo Departamento do Trabalho dos EUA. A taxa de desemprego subiu para 3,9%, contra as expectativas de que se manteria estável em 3,8%.
O ganho médio por hora subiu 0,2% em relação ao mês anterior e 3,9% em relação ao ano anterior, ambos abaixo das estimativas de consenso e um sinal encorajador para a desaceleração da inflação.
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Bolsas: investidores correm para ajustar posição
Após o dado mais fraco de abertura de postos de trabalho do que o esperado em abril e a moderação dos salários, os traders passaram a precificar um segundo corte de juros nos EUA até ao final do ano.
A probabilidade aumentou para cerca de 72% após a divulgação do payroll, depois de cair para menos de 50% no dia anterior, de acordo com dados compilados pela ferramenta FedWatch do CME Group.
Os juros também caíram após o relatório de emprego, com o yield (rendimento) dos títulos do Tesouro de 10 anos — a referência para o mercado — abaixo de 4,5%. Já os principais índices da bolsa de Nova York passaram a operar com mais de 1% de alta.
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NADA COLOCA A ECONOMIA DOS EUA DE JOELHOS? JUROS ALTOS NÃO ESTÃO ADIANTANDO
Powell deu uma pista?
Na quarta-feira (1), o presidente do Fed, Jerome Powell, deu a fórmula para os juros começarem a cair nos EUA. Na ocasião, o banco central norte-americano manteve a taxa referencial inalterada na faixa entre 5,25% e 5,50% ao ano — o maior nível em mais de duas décadas.
- O Fed precisa ganhar confiança de que inflação está em uma trajetória sustentável na direção da meta de 2%;
- Um enfraquecimento inesperado do mercado de trabalho norte-americano.
Mas Powell alertou: “um dado fraco do mercado de trabalho e uma taxa de inflação branda certamente não farão com que iniciemos o corte de juros. Esse é um cenário que não nos dá confiança alguma de que nossa meta de 2% para a inflação será atingida de maneira sustentável”.
“Nossas decisões, no então, dependerão dos dados, de um conjunto geral de dados, e também avaliaremos os riscos econômicos de um corte de juros”, disse Powell, acrescentando que as decisões do Fed serão tomadas reunião por reunião e não serão baseadas apenas em um dado pontual.
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Juros: o que pensam os especialistas
Para o economista sênior do ING Group, James Knightley, com Powell inclinado a ser mais dovish (inclinado ao afrouxamento monetário) na quarta-feira (1), houve um novo ânimo para os apelos de corte juros pelo Fed neste ano.
“Talvez Powell tenha dado uma olhada antecipada no relatório de emprego para justificar as declarações da coletiva de quarta-feira”, disse Knightley.
O ING manteve o apelo para o primeiro corte de juros em setembro. “Para conseguir, precisamos de pelo menos três resultados mensais de inflação de 0,2% ou menos e que a taxa de desemprego fique acima de 4%, com um pouco mais de evidência de abrandamento do crescimento dos gastos do consumidor”, afirmou.
Para o diretor e economista sênior da TD Economics, Thomas Feltmate, com a expectativa de que a taxa de desemprego se mantenha estável durante o segundo trimestre, é pouco provável que a inflação desacelere de uma forma que dê ao Fed a confiança suficiente de que está em caminho sustentável de volta à meta de 2% até a segunda metade do ano.
“Como resultado, adiamos a previsão do primeiro corte da taxa da Fed para dezembro”, afirma Thomas Feltmate.
John Higgins, economista-chefe de mercados da Capital Economics, lembra que um dado mais fraco do emprego não é necessariamente favorável para as ações.
“Mas, na nossa opinião, a reação positiva no S&P 500 faz sentido dadas as notícias de que o mercado de trabalho está arrefecendo lentamente devido ao sobreaquecimento, e que está sendo acompanhado por um crescimento mais lento dos salários”, afirma.
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